ONU responde a Musk e apresenta plano de seis mil milhões para combater a fome no mundo

Elon Musk mostrou-se disponível para doar cerca de seis mil milhões de dólares à ONU, se a organização mostrasse "exatamente" como essa quantia ajudaria a resolver o problema da fome no mundo. A ONU respondeu ao fundador da Tesla e traçou um plano para salvar 42 milhões de pessoas da fome com esse valor.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Mike Blake - Reuters

Em finais de outubro, numa entrevista à CNN, o diretor executivo do Programa Alimentar Mundial (PAM) afirmou que uma pequena percentagem da fortuna de Elon Musk, o homem mais rico do mundo, ou do segundo mais rico, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, poderia resolver o problema da fome no mundo.

Beasley sugeriu que os bilionários poderiam doar "seis mil milhões de dólares para ajudar 42 milhões de pessoas que literalmente morrerão se não as ajudarmos".

Musk, na altura, respondeu ao diretor executivo do PAM e disse que venderia “imediatamente” algumas ações da Tesla se a ONU demonstrasse “exatamente” como é que seis mil milhões de dólares – que representam cerca de dois por cento da sua fortuna – acabariam com a fome.

A ONU aceitou o desafio e traçou um plano para salvar 42 milhões de pessoas da fome. “Esta crise de fome é urgente, sem precedentes e evitável. Elon Musk pediu um plano claro e um livro aberto. Aqui está! Estamos prontos para falar consigo e com qualquer outra pessoa que realmente queira salvar vidas”, escreveu Beasley na rede social Twitter.

O que diz o plano?
O plano assenta numa verba de 6,6 mil milhões de dólares (cerca de 5,8 mil milhões de euros) que ajudaria a evitar que 42 milhões de pessoas de 43 países morram à fome.
Como é que esse dinheiro seria usado? A ONU faz uma explicação detalhada.

A maior fatia desta verba, 3,5 mil milhões de dólares, seria destinada à comida e à sua distribuição, o que inclui o custo de envio e transporte dos produtos alimentares para cada país. Neste ponto inclui-se também os valores de armazenamento de alimentos nos transportes aéreos, terrestres e fluviais, bem como os custos de contratação de motoristas e de escoltas de segurança necessárias para a distribuição de alimentos em zonas afetadas por conflitos.

Outros dois mil milhões de dólares seriam para a transferência de dinheiro e de vales de refeição para que as pessoas mais necessitadas possam comprar alimentos à escolha.
A ONU sublinha que esta medida ajudaria a apoiar o mercado e as economias locais.

Para custos específicos dos países para projetar, ampliar e gerir a implementação de programas que supervisionem a distribuição dos produtos alimentares e as transferências monetárias e de vouchers, a ONU atribui o valor de 700 milhões de dólares. Este valor inclui a instalação de escritórios e a sua segurança, bem como a monitorização da distribuição de comida e os seus resultados, garantindo que a assistência chega aos mais vulneráveis.

Por fim, os restantes 400 milhões de dólares seriam para financiar operações, globais e regionais, de gestão, administração e responsabilidade. Isso inclui a coordenação de linhas de abastecimento globais e rotas de aviação e a monitorização global e análise da fome em todo o mundo. Parte deste dinheiro seria também para a gestão de riscos e para o financiamento de auditores independentes dedicados à supervisão deste programa.

A ONU apresenta ainda, no seu plano, uma tabela que detalha o valor monetário da ajuda que seria direcionada aos dez principais países. Aquele que receberia uma maior quantia seria o Iémen, o país que gera maior preocupação para o PAM. O nível atual de fome neste país do Médio Oriente que vive em clima de guerra desde 2014 é sem precedentes, com 16,2 milhões de iemenitas a sofrer de insegurança alimentar.

Em 2020, apesar da pandemia da Covid-19, o PAM recebeu um financiamento recorde de oito mil milhões de dólares, que permitiu ajudar mais de 115 milhões de pessoas – o número mais alto desde 2012.

No entanto, em 2020 foram também atingidos números máximos de fome no mundo devido à Covid-19 e 282,7 milhões de pessoas de 80 países estão atualmente a passar por níveis extremos de fome aguda – o que representa um aumento de cerca de 110 por cento em comparação a 2019, segundo o PAM.
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