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"Operação kamikaze". Passageiros que viajaram no Titan reportam várias falhas nas suas missões
Numa altura em que as buscas pelo submersível Titan, desaparecido desde domingo, entram numa fase crítica, chegam relatos de ex-passageiros que reportam várias falhas nas suas viagens. Quase todos reportam falhas elétricas e de comunicação e um deles descreveu a viagem como uma “operação kamikaze”.
As viagens a bordo do Titan para ver os destroços do Titanic, a quase quatro mil metros de profundidade, começaram há dois anos e desde então, vários passageiros têm descrito as suas experiências e os problemas a que assistiram durante os mergulhos.
Mike Reiss, escritor e produtor norte-americano, participou em quatro viagens ao fundo do oceano com a OceanGate, a empresa que opera o Titan, incluindo uma viagem até aos destroços do Titanic. Em entrevista à ABC News, Reiss diz que o submersível perdeu contacto com a superfície em todos os quatro mergulhos de dez horas.
“Toda a vez que eles perdiam a comunicação, parecia que era apenas uma característica do sistema”, disse Reiss.
Sem GPS, Reiss disse que a tripulação levou cerca de três horas para encontrar o Titanic, apesar de ter pousado a apenas 500 metros do navio.
Arthur Loibl, um empresário alemão que viajou no Titan em 2021, descreve o mergulho como uma “operação kamikaze”. O primeiro submersível em que deveria viajar ficou inoperativo. Na segunda tentativa de mergulho, a missão teve de ser cancelada quando estava a 1600 metros de profundidade por falhas no equipamento e problemas técnicos. À terceira tentativa, a missão foi bem-sucedida, apesar das cinco horas de atraso.
“Tem que se ser um pouco louco para fazer este tipo de coisa”
Mesmo nas missões que decorreram sem falhas, a viagem que dura cerca de dez horas é descrita como infernal, dadas as baixas temperaturas que são sentidas e o espaço pequeno.
“Imaginem um tubo de metal com alguns metros de comprimento com uma chapa de metal como piso. Não se pode estar de pé, não se pode ajoelhar. Todos estão sentados muito próximos uns dos outros”, descreveu Loibl.
“É preciso ser-se forte, não podem ser claustrofóbicos e devem conseguir sentar-se de pernas cruzadas por dez horas", afirmou.
“Tem que se ser um pouco louco para fazer este tipo de coisa”, admitiu à Associated Press. “Fui um pouco ingénuo, olhando agora para trás”.
Alan Escada, um ator e youtuber mexicano, fez a viagem às profundezas do oceano para ver os destroços do Titanic em julho do ano passado. Ao longo do caminho, a pouco mais de mil metros de profundidade, o Titan perdeu as comunicações com a superfície durante várias horas, o que quase levou à interrupção da missão.
“É vital que possamos comunicar com a superfície, pois de outra forma podemos perder-nos e ficar à deriva no meio do oceano”, explica o ator num dos seus vídeos no Youtube. As comunicações foram restabelecidas e Escada conseguiu ver os destroços do Titanic, mas a visita teve de ser encurtada devido a uma falha na bateria.
“A minha maior preocupação era obviamente perder a vida”, disse Estada ao Daily Mail.
Apesar de todos os riscos, o youtuber garante que valeu a pena. “Todas as pessoas que fizeram esta expedição sabiam os riscos que corriam. Não é uma surpresa”, afirmou.
Todos os passageiros são obrigados a assinar um acordo de responsabilidade de várias páginas onde são detalhados todos os riscos, incluindo a perda de vida.
"Está sempre presenta na nossa cabeça que é perigoso e que qualquer pequeno problema se transformará numa grande catástrofe", disse Reiss.
O submergível da OceanGate está desaparecido desde a tarde de domingo, depois de ter perdido o contacto com a superfície cerca de 1h45 após o início da viagem.
As buscas pelo submergível, que levava cinco pessoas a bordo, entraram numa fase crítica, dado que as reservas de oxigénio a bordo do Titan esgotam-se esta quinta-feira. Por este motivo, as operações de busca e resgate foram reforçadas no Atlântico.
Mike Reiss, escritor e produtor norte-americano, participou em quatro viagens ao fundo do oceano com a OceanGate, a empresa que opera o Titan, incluindo uma viagem até aos destroços do Titanic. Em entrevista à ABC News, Reiss diz que o submersível perdeu contacto com a superfície em todos os quatro mergulhos de dez horas.
“Toda a vez que eles perdiam a comunicação, parecia que era apenas uma característica do sistema”, disse Reiss.
Sem GPS, Reiss disse que a tripulação levou cerca de três horas para encontrar o Titanic, apesar de ter pousado a apenas 500 metros do navio.
Arthur Loibl, um empresário alemão que viajou no Titan em 2021, descreve o mergulho como uma “operação kamikaze”. O primeiro submersível em que deveria viajar ficou inoperativo. Na segunda tentativa de mergulho, a missão teve de ser cancelada quando estava a 1600 metros de profundidade por falhas no equipamento e problemas técnicos. À terceira tentativa, a missão foi bem-sucedida, apesar das cinco horas de atraso.
“Tem que se ser um pouco louco para fazer este tipo de coisa”
Mesmo nas missões que decorreram sem falhas, a viagem que dura cerca de dez horas é descrita como infernal, dadas as baixas temperaturas que são sentidas e o espaço pequeno.
“Imaginem um tubo de metal com alguns metros de comprimento com uma chapa de metal como piso. Não se pode estar de pé, não se pode ajoelhar. Todos estão sentados muito próximos uns dos outros”, descreveu Loibl.
“É preciso ser-se forte, não podem ser claustrofóbicos e devem conseguir sentar-se de pernas cruzadas por dez horas", afirmou.
“Tem que se ser um pouco louco para fazer este tipo de coisa”, admitiu à Associated Press. “Fui um pouco ingénuo, olhando agora para trás”.
Alan Escada, um ator e youtuber mexicano, fez a viagem às profundezas do oceano para ver os destroços do Titanic em julho do ano passado. Ao longo do caminho, a pouco mais de mil metros de profundidade, o Titan perdeu as comunicações com a superfície durante várias horas, o que quase levou à interrupção da missão.
“É vital que possamos comunicar com a superfície, pois de outra forma podemos perder-nos e ficar à deriva no meio do oceano”, explica o ator num dos seus vídeos no Youtube. As comunicações foram restabelecidas e Escada conseguiu ver os destroços do Titanic, mas a visita teve de ser encurtada devido a uma falha na bateria.
“A minha maior preocupação era obviamente perder a vida”, disse Estada ao Daily Mail.
Apesar de todos os riscos, o youtuber garante que valeu a pena. “Todas as pessoas que fizeram esta expedição sabiam os riscos que corriam. Não é uma surpresa”, afirmou.
Todos os passageiros são obrigados a assinar um acordo de responsabilidade de várias páginas onde são detalhados todos os riscos, incluindo a perda de vida.
"Está sempre presenta na nossa cabeça que é perigoso e que qualquer pequeno problema se transformará numa grande catástrofe", disse Reiss.
O submergível da OceanGate está desaparecido desde a tarde de domingo, depois de ter perdido o contacto com a superfície cerca de 1h45 após o início da viagem.
As buscas pelo submergível, que levava cinco pessoas a bordo, entraram numa fase crítica, dado que as reservas de oxigénio a bordo do Titan esgotam-se esta quinta-feira. Por este motivo, as operações de busca e resgate foram reforçadas no Atlântico.