Oposição e ONG confirmam libertação de mais de cem presos políticos na Venezuela

A organização não governamental (ONG) da Venezuela Foro Penal, que defende os presos políticos, e a maior coligação da oposição confirmaram que o número de presos políticos libertados ultrapassou uma centena.

Lusa /

O diretor da Foro Penal, Alfredo Romero, anunciou na rede social Instagram que, até às 19:30 de sexta-feira (23:30 em Lisboa), a organização tinha verificado 100 libertações desde 08 de janeiro.

Nesse dia, o presidente do parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, tinha prometido a libertação de um "número significativo" de pessoas no país sul-americano.

O número mencionado pela Foro Penal inclui libertações ocorridas durante a noite de quinta-feira e a madrugada de sexta-feira, disse Romero.

O ativista indicou ainda que há ainda "mais de 700 pessoas" detidas por motivos políticos, de acordo com a lista que a ONG entregou ao Governo interino "antes de 08 de janeiro deste ano".

"Há outras pessoas que foram incluídas, e vamos atualizar esta lista, uma vez que, por medo, nos disseram que não tinham reportado a sua situação", acrescentou Romero.

O diretor da Foro Penal observou que ainda aguardam mais libertações e afirmou que existe "muita angústia" entre as famílias, que permanecem junto aos portões de várias prisões.

Romero defendeu que a Venezuela vive "uma importante oportunidade" para acabar com "o sistema repressivo que tem vindo a oprimir a população".

"O Foro Penal continua disposto a colaborar com qualquer processo sincero de reconciliação, reunificação e pacificação nacional, e continuamos a trabalhar para alcançar esse objetivo", acrescentou.

Já a Plataforma Democrática Unitária (PUD), que reúne a maioria da oposição venezuelana, disse na rede social X que, até às 19:15 de sexta-feira (23:15 em Lisboa), tinha confirmado 130 libertações de presos políticos.

A coligação política, liderada por María Corina Machado, insistiu que é necessário "acelerar os processos de libertação para que o sofrimento dos presos políticos e das suas famílias cesse finalmente".

Horas antes, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, tinha anunciado a libertação de 116 detidos, incluindo vários estrangeiros de sete nacionalidades diferentes -- República Checa, Irlanda, Roménia, Alemanha, Albânia, Ucrânia e Países Baixos.

A Foro Penal contabilizava até domingo passado 86 presos políticos com nacionalidade estrangeira ou com dupla nacionalidade, entre os quais cinco lusovenezuelanos.

Delcy Rodríguez, antiga vice-presidente `chavista`, assumiu a liderança da Venezuela com o aval de Washington após a captura do deposto Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

Uma operação lançada em 03 de janeiro resultou na captura e transferência de Maduro e da sua mulher, Cilia Flores, para Nova Iorque, onde deverão ser julgados por narcoterrorismo, tráfico de droga e corrupção.

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