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Oposição venezuelana denuncia sequestro de um dos líderes acabado de ser libertado

Oposição venezuelana denuncia sequestro de um dos líderes acabado de ser libertado

O opositor venezuelano Juan Pablo Guanipa foi sequestrado em Caracas por "homens fortemente armados", pouco depois de ter sido libertado da prisão no domingo, afirmou a líder da oposição e Prémio Nobel da Paz, Maria Corina Machado.

Lusa /
Pedro Mattey - AFP

"Há alguns minutos, Juan Pablo Guanipa foi sequestrado no bairro Los Chorros, em Caracas. Homens fortemente armados, vestidos à civil, chegaram em quatro veículos e levaram-no à força", escreveu Machado na rede social X.

"Exigimos sua libertação imediata", acrescentou.

O filho do opositor, Ramon Guanipa, afirmou igualmente que o pai foi sequestrado "por cerca de dez pessoas não identificadas".

O partido de Guanipa, Primero Justicia, também denunciou o sequestro do líder "pelas forças repressivas da ditadura".

Algumas horas antes, Guanipa, um ex-vice-presidente do Parlamento, de 61 anos, tinha sido libertado da prisão, dois dias antes da votação anunciada de uma lei de amnistia histórica na Venezuela.

"Escondido durante dez meses, detido aqui durante quase nove meses" em Caracas, comentou Guanipa num vídeo divulgado na rede social X, em que exibia o que parecia ser uma ordem de libertação.

A última aparição pública do opositor antes do vídeo remonta a 09 de janeiro de 2025, quando acompanhou Maria Corina Machado numa manifestação de protesto contra a investidura de Nicolás Maduro para um terceiro mandato consecutivo.

Detido em maio de 2025 sob acusações de conspiração eleitoral, Guanipa foi posteriormente indiciado por terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio.

Freddy Superlano, um líder da oposição venezuelana conhecido por ter conquistado o cargo de governador do estado de Barinas, terra natal do ex-presidente Hugo Chávez, e Perkins Rocha, assessor jurídico de Machado, também foram libertados pelas autoridades no domingo.

Freddy Superlano, 49 anos, e Perkins Rocha, 63 anos, estavam detidos há um ano e meio, na sequência da reeleição contestada do Presidente Nicolás Maduro em 28 de julho de 2024.

A 08 de janeiro, o governo interino da Venezuela prometeu, sob pressão dos Estados Unidos, um processo de libertação de um "número significativo" de presos políticos, pouco mais de um mês após a extração de Maduro para os Estados Unidos, numa operação das forças norte-americanas em Caracas.

Desde então, famílias e organizações não-governamentais (ONG) denunciam o facto desta promessa do governo interino venezuelano estar a ser cumprida aos poucos.

A ONG Foro Penal registou, pelo menos, 35 novas libertações no passado domingo. Segundo a organização, cerca de 400 pessoas detidas por motivos políticos foram libertadas desde 08 de janeiro.

Na sexta-feira, o presidente do Parlamento, Jorge Rodriguez, prometeu que a lei de amnistia será definitivamente aprovada esta terça-feira e que os presos políticos "estarão todos fora" até 13 de fevereiro.

"Vamos corrigir todos os erros que possam ter sido cometidos", garantiu Rodriguez, irmão da presidente interina, Delcy Rodríguez.

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