Mundo
Guerra no Médio Oriente
Orçamento dos EUA para guerra com Irão revisto em alta para 37,5 mil milhões de dólares
O secretário da Defesa dos EUA estimou, esta terça-feira, que a guerra com o Irão já custou aos Estados Unidos 37,5 mil milhões de dólares, incluindo o orçamento para o mês de setembro. Um aumento de quase 30 por cento, em comparação com a estimativa anterior de 29 mil milhões de dólares.
Pete Hegseth disse que a estimativa cobre certos custos para o período desde o
início da guerra a 28 de fevereiro até hoje, bem como outros custos
previstos até ao início de setembro. Estão também incluidos alguns custos
de operação e manutenção, bem como o vencimento militar, afirmou. Pete Hegseth apresentou esta estimativa a Comissão de Orçamento do Senado dos EUA, onde defendeu o pedido da Administração Trump para um financiamento adicional de 67 mil milhões de dólares para o Pentágono.
O orçamento apresentado representa um aumento de cerca de nove mil milhões de dólares desde a última estimativa pública.
Esta foi a primeira vez que Hegseth, que compareceu perante a Comissão de Orçamento do Senado juntamente com o Chefe do Estado-Maior Conjunto, General Dan Caine, respondeu publicamente a perguntas dos legisladores desde que as forças armadas dos EUA retomaram as operações contra o Irão no início deste mês.
Hegseth afirmou que o financiamento suplementar para a guerra é uma injeção de recursos “urgente e necessária”, e, considerando a proposta de orçamento de defesa de 1,5 triliões de dólares do presidente Donald Trump, representa um investimento histórico nas Forças Armadas.
“Sem estes recursos, enfrentaremos défices críticos”, testemunhou Hegseth.
A senadora Patty Murray, a principal democrata na comissão, alertou contudo no seu próprio discurso de abertura, para “outra guerra sem fim”.
Trump “já nos disse mais de 40 vezes que um acordo está próximo e que a guerra terminará em breve”, afirmou ela. “Mas agora, está a pedir mais 70 mil milhões de dólares – e que simplesmente confiemos nele e que tudo se resolverá bem.”
“Esta guerra está novamente a sair do controlo”, disse a senadora Murray.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, e a secretária da Agricultura, Brooke Rollins, também prestarão declarações perante a comissão. O discurso inicial de Hegseth foi interrompido várias vezes por protestos de manifestantes presentes na sala. A audiência decorrre dias depois de o Pentágono ter anunciado a morte de mais três militares norte-americanos no conflito, elevando o número de mortos para 17, e que mais de 100 ficaram feridos desde o início de julho.
Antes da audição, a Casa Branca divulgou uma declaração da política do governo, instando ao apoio à resolução orçamental “sem modificações – imediatamente”.
Os fundos para a guerra constituem a maior parte do plano orçamental do Partido Republicano, um último pacote prioritário que os republicanos esperam lançar antes da interrupção por cinco semanas dos trabalhos do Congresso, para preparação das eleições intercalares, que determinarão o controlo do Congresso.
O plano de orçamento inclui também 10 mil milhões de dólares em ajudas para os agricultores que enfrentam dificuldades devido às tarifas de Trump e 10 mil milhões de dólares para alterações na legislação eleitoral, que provavelmente incluirão novas exigências de identificação, nada disto financiado por compensações.
Três projetos de lei
Na Câmara dos Representantes, os republicanos conseguiram, esta terça-feira, a aprovação por 214 a 211 da continuidade de projetos de lei importantes, incluindo um projeto de política de Defesa de 1,15 triliões de dólares, uma medida provisória para financiar as agências federais até às eleições intercalares de novembro e um plano orçamental de 95 mil milhões de dólares para financiar uma série de prioridades do presidente Donald Trump.
Espera-se que os legisladores votem na quarta-feira o projeto de lei de política de Defesa, conhecido como Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA), a resolução orçamental e um projeto de lei para proibir a negociação de ações por membros do Congresso. Se forem aprovados, os três seguirão para o Senado. Os republicanos também anexaram ao projeto de lei sobre a negociação de ações uma cláusula do SAVE America Act que exige que os eleitores apresentem documentos de identidade com fotografia.
A resolução orçamental, defendida por Trump, atraiu críticas de várias facções, incluindo os defensores da austeridade fiscal, que querem que o financiamento autorizado seja compensado por cortes de despesas noutras áreas, e os defensores das despesas militares, que se queixam de que o investimento de 73 mil milhões de dólares em defesa e inteligência fica aquém da meta de 350 mil milhões de dólares ao longo de uma década, proposta por Trump.
O presidente manifestou-se sobre o debate da resolução orçamental na segunda-feira, numa publicação na conta da rede Truth Social.
"Peço a todos os republicanos da Câmara que VOTEM SIM esta semana na Resolução Orçamental, que é um primeiro passo importante para a aprovação de um Projeto de Lei Orçamental. Os republicanos da Câmara devem UNIR-se e lutar pelo ATO DE SALVAR A AMÉRICA!", declarou Trump.