Organização conta 6.432 mortos desde o início da insurgência em Cabo Delgado
A organização ACLED estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou seis eventos violentos em duas semanas, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram pelo menos três mortos, elevando para 6.432 os óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 12 a 25 de janeiro, dos 2.310 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.146 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.432 mortos, refere no novo balanço, incluindo as três vítimas reportadas neste período de menos de duas semanas.
No relatório é sublinhado que o EIM, neste período em análise, "realizou um raro ataque com morteiros contra posições ruandesas em Macomia", entre "confrontos contínuos" com as forças do Ruanda, que apoiam os militares moçambicanos no combate aos grupos insurgentes na província de Cabo Delgado.
"O grupo também se tem concentrado no reabastecimento das suas forças durante a difícil estação chuvosa, particularmente no litoral, onde mantém certa liberdade de movimento por barco. Em outros locais, um ataque a uma mina de ouro em Niassa, juntamente com ações de um grupo criminoso em Metuge que se fez passar por insurgentes, ilustram o ambiente cada vez mais complexo em que as forças de segurança precisam de operar", aponta o relatório da ACLED.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou em 08 de dezembro, em entrevista à Lusa, não descartar uma solução pela via do diálogo para o terrorismo no norte do país, porque o que Moçambique quer "é a paz".
"Vamos continuar a trabalhar e havendo esta linha, esta possibilidade, não há problemas nenhuns que se encontre alguma solução. O que nós queremos é a paz para o povo moçambicano", disse Chapo, no Porto, em entrevista à margem da cimeira com Portugal.
"O que nós queremos é a paz e Moçambique é uma nação com uma experiência extraordinária nesta área. Se se recordar, tivemos uma guerra [entre as forças governamentais e a guerrilha da Renamo] de desestabilização que durou cerca de 16 anos, matou mais de um milhão de pessoas, destruiu bens públicos e privados, mas acabou através do diálogo. Portanto, foi assim que houve a assinatura dos Acordos Gerais de Paz em Roma, a 04 de outubro de 1992", acrescentou.