Organização Mundial de Saúde suspende resgates após morte de condutor
A Organização Mundial de Saúde (OMS) suspendeu hoje os resgates médicos de Gaza até ao Egito, via Rafah, depois de o condutor de um dos veículos desta instituição ter sido morto pelo exército israelita.
"A OMS está devastada e confirma que uma pessoa contratada para oferecer serviços à organização em Gaza foi morta num incidente de segurança", declarou o diretor-geral, Tedros Ghebreyesus, na rede social `X` (antigo Twitter).
Dois outros membros do `staff` médico da organização seguiam no mesmo veículo, mas não sofreram ferimentos, acrescentou o diretor-geral, que confirmou que as "autoridades relevantes vão investigar" o incidente.
A suspensão dos resgates decorrerá "até anúncio em contrário", e abrangeu já outros transportes hoje agendados, que levariam feridos de Gaza para o Egito através de Rafah, derradeira saída do enclave ocupado.
Antes, o exército de Israel disse que o condutor do veículo tinha "acelerado" para as tropas, que dispararam sobre o carro.
"As tropas efetuaram disparos de advertência. O veículo continuou a acelerar contra as tropas, que responderam com fogo adicional que acertou no veículo", alega um comunicado hoje divulgado.
Segundo o exército, em declarações à agência noticiosa espanhola EFE, o automóvel avançava "sem distintivo" da OMS, sendo por isso identificado como ameaça, mas várias testemunhas, e o sobrevivente do ataque Raed Aslan, o logótipo da agência estava "por toda a parte" nos vários carros da caravana.
"O veículo estava claramente identificado", declarou, acrescentando que a caravana de ajuda médica foi bloqueada por um tanque israelita, quando transportava feridos de Gaza para Rafah, única saída do enclave ocupado, para que pudessem receber tratamento noutros países.
O exército não disponibilizou qualquer prova das acusações que hoje desferiu quanto ao condutor baleado, depois de várias instâncias em que se defendeu de ataques a caravanas de apoio humanitário ou de ONG com declarações falsas.
Em 01 de abril de 2021, quando sete trabalhadores da World Central Kitchen foram mortos em Deir el Balah, o exército declarou ter feito uma "identificação errónea", embora também aí os carros estivessem identificados com o logótipo da organização não-governamental.
Já em 23 de março de 2025, 15 paramédicos e outro `staff` médico das Nações Unidas foram mortos num resgate em Rafah, tendo as forças armadas de Israel alegado que as luzes de emergência estavam apagadas, o que foi desmentido por um dos vídeos entretanto divulgados do incidente.
As autoridades da Faixa de Gaza, controladas pelo Hamas, indicaram hoje que 723 pessoas foram mortas e 1.990 ficaram feridas em ataques israelitas realizados apesar do cessar-fogo alcançado em outubro de 2025 para aplicar o plano de paz do Presidente norte-americano, Donald Trump, para o enclave palestiniano.
Além disso, foram recuperados 759 corpos em zonas das quais as tropas israelitas retiraram, também segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
O ministério precisou ainda que, desde o início da guerra de Israel na Faixa de Gaza, em retaliação ao ataque de 07 de outubro de 2023 perpetrado pelo Hamas em território israelita - que fez cerca de 1.200 mortos e 251 reféns, segundo a contagem oficial -, foram documentados 72.302 "mártires" e 172.090 feridos palestinianos, embora ainda existam corpos debaixo dos escombros e nas ruas, pelo que o número de vítimas poderá aumentar.