Organizações latino-americanas defendem ligação a todas as potências

por Lusa

Líderes de organizações latino-americanas defenderam hoje, em Lisboa, a ligação dos países da região a todas as potências globais, desde as ocidentais à China e Rússia, rejeitando que o continente seja envolvido numa nova guerra fria.

Falando no "XIII Encontro Triângulo Estratégico: América Latina e Caribe/Europa/África", organizado pelo Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas (IPDAL), o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, rejeitou hoje que o mundo esteja a viver uma segunda guerra fria, opondo a Rússia e aliados aos países ocidentais.

"Não estamos a viver uma segunda guerra fria. Na situação da Rússia (com a invasão na Ucrânia) e da guerra do Médio Oriente (entre Israel e o Hamas), especificamente, os conflitos estão a ser resolvidos de uma forma diferente, através das armas", declarou Almagro, minimizando a narrativa de uma segunda guerra fria.

Para o dirigente da OEA, recentemente foi perdida alguma "capacidade de resolução dos conflitos através dos canais diplomáticos".

"Há uma irracionalidade ao tentar resolver as situações de outra maneira que não através da diplomacia", indicou o secretário-geral da OEA.

Segundo Almagro, a resolução dos conflitos através de guerras "não pode ser aceite e nem deve ser promovida".

O responsável da OEA declarou que os países americanos têm de continuar a manter boas relações com "todos os países do mundo".

"Todos os países do mundo são importantes" para o desenvolvimento das trocas comerciais e também para o crescimento em outros setores, sublinhou Almagro, desvalorizando a crescente influência económica da China em várias regiões do globo, nomeadamente na América Latina.

Já Gonzalo Gutiérrez Reinel, secretário-geral da Comunidade Andina (CAN), declarou, no mesmo evento, que os países da América Latina não devem optar por uma das atuais alternativas "geopolíticas", pois isso "não vai favorecer os seus interesses".

Gutiérrez Reinel concordou com Almagro sobre os países americanos manterem boas relações com todas as nações e, especificamente na América Latina, afirmou que a China tem aumentado a sua influência, mas a Europa e os Estados Unidos "continuam a ser importantes para a região".

"Temos de assegurar que, nos nossos países, não se concretize a tentativa de qualquer potência em estender a sua geopolítica", afirmou o secretário-geral da CAN, grupo integrado por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru.

O secretário-geral Ibero-Americano, Andrés Allemand, afirmou que a América Latina e África pretendem ter um papel maior e mais positivo na nova arquitetura internacional, devendo ampliar o conhecimento mútuo e as suas relações.

Já George Chikoti, secretário-geral da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), referiu que "é necessária uma reforma em estruturas internacionais como as Nações Unidas", que deve permitir uma participação mais alargada dos países do Sul global.

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