Mundo
Os seis temas que vão aquecer a Assembleia Geral da ONU de 2017
Durante uma semana os líderes do mundo reúnem-se em Nova Iorque para a Assembleia Geral das Nações Unidas. Ao longo dos próximos dias haverá discursos a registar, encontros bilaterais a acompanhar e reuniões para debater e decidir sobre uma variedade de temas e de assuntos que preocupam a comunidade internacional. Eis um resumo dos mais "quentes".
Crise nuclear com Coreia do Norte: a tensão crescente entre Washington e Pyongyang vai centrar todas as atenções e dominar todas as conversas.
O risco de conflito nuclear tem crescido nos últimos meses, com a Administração Trump a reagir com dureza e impaciência aos sucessivos lançamentos de mísseis norte-coreanos, cada vez mais sofisticados e de crescente alcance, e a testes nucleares de enorme potência. As ameaças de violência mútua e destruição total têm-se sucedido, entre apelos internacionais à contenção. Um conflito poderia causar milhões de mortos em poucas horas.

Infelizmente, as sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU a Pyongyang, para asfixiar o regime comunista que governa a parte norte da Península Coreana, têm-se mostrado ineficazes e a comunidade deverá debater novas medidas para tentar inverter a escalada.
Esta segunda-feira, em conversa telefónica, o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, concordaram em "maximizar a pressão sobre a Coreia do Norte através de uma aplicação vigorosa das resoluções do Conselho de Segurança", afirmou a Casa Branca. Os dois debateram também o "desprezo da Coreia do Norte" quanto à comunidade internacional.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha anunciou entretanto que pediu ao embaixador da Coreia do Norte em Madrid para abandonar o país até dia 30 de setembro, o mais tardar. Segue assim as recomendações de cortes diplomáticos e financeiros para isolar o regime norte-coreano.
Acordo Nuclear Iraniano: um dossier que parecia arrumado mas que voltou à mesa dos debates. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, deverá pressionar o Presidente Trump a anular o acordo sobre o programa nuclear iraniano. Os europeus, com o Presidente Emmanuel Macron à cabeça já que a França estabeleceu desde 2016 fortes laços petrolíferos e financeiros com Teerão, vão tentar convencer Donald Trump das vantagens do acordo.
Trump tem-se-lhe referido como "horrível" e prometeu rasgá-lo.

Em comunicado, a ONU revelou que esta segunda-feira, após um encontro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, com o Presidente iraniano, Hassan Rouhani, "sublinharam a importância de uma aplicação plena e real do acordo por todos os participantes".
Tanto o Irão como os Estados Unidos se acusam mutuamente de violações do acordo, firmado em Viena a 14 de julho de 2015, entre Teerão e os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França, a Alemanha, a China e a Rússia.
Acordo de Paris sobre o clima: "Estamos dentro, estamos fora, estamos dentro, estamos fora", brincou esta segunda-feira o ex-mayor de Nova Iorque Michael Bloomberg, sobre a ambivalência da posição norte-americana quanto ao Acordo de Paris. Foi um bom resumo.

Donald Trump fez tremer o mundo de horror quando anunciou formalmente em junho que o país, um dos maiores poluidores do planeta, iria abandonar o documento, assinado por 195 países e que deverá iniciar uma nova era de modificação geral das ações e hábitos humanos que afetam o clima, salvando a Terra - ou, pelo menos, a espécie humana, entre várias outras. "Era um mau negócio para os trabalhadores americanos e muito injusto para os Estados Unidos", justificou o Presidente.
Já este fim de semana o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, admitiu no Canadá que o país poderia manter-se no Acordo, se as alterações que exige fossem implementadas. Horas depois, já de manhã, vinha a confirmação, por parte de um conselheiro Económico do Presidente Trump, de que este deveria formalizar a saída. Só que, lá veio a condicionante, repetida: "mas..."
Paris já disse que espera convencer Washington a ficar no Acordo. "Anotamos as declarações do Presidente quanto à sua intenção de não o respeitar, até agora nenhum pedido foi colocado, podemos ainda esperar convencê-lo", disse o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, em conferência de imprensa à margem da Assembleia geral da ONU. "É preciso que a pressão internacional seja forte e que não deixemos de implementar o Acordo", acrescentou.
Aguardam-se os próximos capítulos.

Crise da Venezuela: apesar de andar mais longe dos cabeçalhos, desde a implementação da Assembleia Constituinte e o arrefecimento da contestação nas ruas, a crise na Venezuela não abrandou.
Os países latino-americanos e europeus continuam interessados em juntar forças com os Estados Unidos para aliviar o jugo imposto pelo Presidente Nicolás Maduro. Mas ninguém se mostrou até agora interessado em ir mais longe do que advertências diplomáticas e sanções.
O tema irá dominar o jantar promovido pelo Presidente dos Estados Unidos para analisar a situação latino-americana. Além do Presidente do Brasil, Michel Temer, irão participar os Presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos e do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, mas fontes da Casa Branca acrescentaram à lista de convidados o chefe de Estado do Panamá, Juan Carlos Varela, e a vice-presidente argentina, Gabriela Michetti.
Crise Rohingya na Birmânia: toda a pressão irá estar sobre Aung San Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz em 1991, líder da Birmânia mas espartilhada pela Junta Militar que continua a governar o país. A comunidade internacional quer pôr fim à violência contra a revolta muçulmana que grassa no Estado de Rakhine, no norte do país.

A repressão militar iniciada em agosto sobre a população de etnia Rohingya, de onde são originários os revoltosos, provocou nas últimas semanas um êxodo de 410 mil pessoas para o vizinho Bangladesh e as histórias de horror e de crise humanitária multiplicam-se. As Nações Unidas condenam a operação como "limpeza étnica". Os países muçulmanos, liderados pela Turquia, estão revoltados.
"O que estamos a tentar é que todas as partes concordem que, número um, as matanças têm de parar e a violência tem de parar. E olhamos não só para os militares mas também para Aung Suu para mostrar liderança nisso", resumiu o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, a entrada de uma reunião com a Turquia, a Austrália e os Estados Unidos, sobre a crise, à margem da Assembleia Geral.
Também a França promete pressionar a líder birmanesa, que deverá discursar terça-feira à nação. As suas palavras serão perscutadas ao milímetro.

Reforma da ONU: a questão deu o pontapé de saída às reuniões à margem da Assembleia Geral, logo na segunda-feira de manhã, através de um encontro entre representantes dos 126 países que subscreveram os dez pontos de uma declaração política, lançada pelos Estados Unidos a apoiar os esforços do secretário-geral António Guterres, para reformar a ONU.
Trump, anfitrião, disse que a burocracia estava a paralisar as Nações Unidas e que era necessário reformula-la para reconquistar a confiança dos povos. Além de críticas, deixou sugestões.
Também Guterres, ao lado do Presidente norte-americano, reconheceu que "perde o sono" com a burocracia que asfixia a ONU e prometeu dar "mais atenção às pessoas".
O risco de conflito nuclear tem crescido nos últimos meses, com a Administração Trump a reagir com dureza e impaciência aos sucessivos lançamentos de mísseis norte-coreanos, cada vez mais sofisticados e de crescente alcance, e a testes nucleares de enorme potência. As ameaças de violência mútua e destruição total têm-se sucedido, entre apelos internacionais à contenção. Um conflito poderia causar milhões de mortos em poucas horas.
Infelizmente, as sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU a Pyongyang, para asfixiar o regime comunista que governa a parte norte da Península Coreana, têm-se mostrado ineficazes e a comunidade deverá debater novas medidas para tentar inverter a escalada.
Esta segunda-feira, em conversa telefónica, o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, concordaram em "maximizar a pressão sobre a Coreia do Norte através de uma aplicação vigorosa das resoluções do Conselho de Segurança", afirmou a Casa Branca. Os dois debateram também o "desprezo da Coreia do Norte" quanto à comunidade internacional.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha anunciou entretanto que pediu ao embaixador da Coreia do Norte em Madrid para abandonar o país até dia 30 de setembro, o mais tardar. Segue assim as recomendações de cortes diplomáticos e financeiros para isolar o regime norte-coreano.
Acordo Nuclear Iraniano: um dossier que parecia arrumado mas que voltou à mesa dos debates. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, deverá pressionar o Presidente Trump a anular o acordo sobre o programa nuclear iraniano. Os europeus, com o Presidente Emmanuel Macron à cabeça já que a França estabeleceu desde 2016 fortes laços petrolíferos e financeiros com Teerão, vão tentar convencer Donald Trump das vantagens do acordo.
Trump tem-se-lhe referido como "horrível" e prometeu rasgá-lo.
Em comunicado, a ONU revelou que esta segunda-feira, após um encontro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, com o Presidente iraniano, Hassan Rouhani, "sublinharam a importância de uma aplicação plena e real do acordo por todos os participantes".
Tanto o Irão como os Estados Unidos se acusam mutuamente de violações do acordo, firmado em Viena a 14 de julho de 2015, entre Teerão e os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França, a Alemanha, a China e a Rússia.
Acordo de Paris sobre o clima: "Estamos dentro, estamos fora, estamos dentro, estamos fora", brincou esta segunda-feira o ex-mayor de Nova Iorque Michael Bloomberg, sobre a ambivalência da posição norte-americana quanto ao Acordo de Paris. Foi um bom resumo.
Donald Trump fez tremer o mundo de horror quando anunciou formalmente em junho que o país, um dos maiores poluidores do planeta, iria abandonar o documento, assinado por 195 países e que deverá iniciar uma nova era de modificação geral das ações e hábitos humanos que afetam o clima, salvando a Terra - ou, pelo menos, a espécie humana, entre várias outras. "Era um mau negócio para os trabalhadores americanos e muito injusto para os Estados Unidos", justificou o Presidente.
Já este fim de semana o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, admitiu no Canadá que o país poderia manter-se no Acordo, se as alterações que exige fossem implementadas. Horas depois, já de manhã, vinha a confirmação, por parte de um conselheiro Económico do Presidente Trump, de que este deveria formalizar a saída. Só que, lá veio a condicionante, repetida: "mas..."
Paris já disse que espera convencer Washington a ficar no Acordo. "Anotamos as declarações do Presidente quanto à sua intenção de não o respeitar, até agora nenhum pedido foi colocado, podemos ainda esperar convencê-lo", disse o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, em conferência de imprensa à margem da Assembleia geral da ONU. "É preciso que a pressão internacional seja forte e que não deixemos de implementar o Acordo", acrescentou.
Aguardam-se os próximos capítulos.
Crise da Venezuela: apesar de andar mais longe dos cabeçalhos, desde a implementação da Assembleia Constituinte e o arrefecimento da contestação nas ruas, a crise na Venezuela não abrandou.
Os países latino-americanos e europeus continuam interessados em juntar forças com os Estados Unidos para aliviar o jugo imposto pelo Presidente Nicolás Maduro. Mas ninguém se mostrou até agora interessado em ir mais longe do que advertências diplomáticas e sanções.
O tema irá dominar o jantar promovido pelo Presidente dos Estados Unidos para analisar a situação latino-americana. Além do Presidente do Brasil, Michel Temer, irão participar os Presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos e do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, mas fontes da Casa Branca acrescentaram à lista de convidados o chefe de Estado do Panamá, Juan Carlos Varela, e a vice-presidente argentina, Gabriela Michetti.
Crise Rohingya na Birmânia: toda a pressão irá estar sobre Aung San Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz em 1991, líder da Birmânia mas espartilhada pela Junta Militar que continua a governar o país. A comunidade internacional quer pôr fim à violência contra a revolta muçulmana que grassa no Estado de Rakhine, no norte do país.
A repressão militar iniciada em agosto sobre a população de etnia Rohingya, de onde são originários os revoltosos, provocou nas últimas semanas um êxodo de 410 mil pessoas para o vizinho Bangladesh e as histórias de horror e de crise humanitária multiplicam-se. As Nações Unidas condenam a operação como "limpeza étnica". Os países muçulmanos, liderados pela Turquia, estão revoltados.
"O que estamos a tentar é que todas as partes concordem que, número um, as matanças têm de parar e a violência tem de parar. E olhamos não só para os militares mas também para Aung Suu para mostrar liderança nisso", resumiu o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, a entrada de uma reunião com a Turquia, a Austrália e os Estados Unidos, sobre a crise, à margem da Assembleia Geral.
Também a França promete pressionar a líder birmanesa, que deverá discursar terça-feira à nação. As suas palavras serão perscutadas ao milímetro.
Reforma da ONU: a questão deu o pontapé de saída às reuniões à margem da Assembleia Geral, logo na segunda-feira de manhã, através de um encontro entre representantes dos 126 países que subscreveram os dez pontos de uma declaração política, lançada pelos Estados Unidos a apoiar os esforços do secretário-geral António Guterres, para reformar a ONU.
Trump, anfitrião, disse que a burocracia estava a paralisar as Nações Unidas e que era necessário reformula-la para reconquistar a confiança dos povos. Além de críticas, deixou sugestões.
Também Guterres, ao lado do Presidente norte-americano, reconheceu que "perde o sono" com a burocracia que asfixia a ONU e prometeu dar "mais atenção às pessoas".