Donald Trump denuncia burocracia da ONU e apela a reformas urgentes

“Procuramos umas Nações Unidas que reconquistem a confiança dos povos do mundo inteiro”, disse o Presidente dos Estados Unidos, na abertura de um encontro sobre a reforma da ONU, promovido pelo seu país.

RTP /
O Presidente dos EUA, Donald Trump, com o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante um encontro na sede da organização em Nova Iorque Lucas Jackson - Reuters

Mais de 120 países foram convidados para estar presentes no encontro, depois de subscreverem um esboço de declaração política de dez pontos, elaborado pelos EUA em apoio aos esforços do secretário-geral da organização, António Guterres “para dar início a uma reforma eficaz e significativa” da ONU.

Donald Trump disse que as Nações Unidas estão mal geridas e paralisadas pela burocracia e apelou à realização de reformas que permitam à organização surgir mais forte e como uma força de paz mais eficaz.

"A ONU não tem de ficar agarrada a soluções do passado que não estão a resultar", defendeu.

“Nos últimos anos, as Nações Unidas não atingiram o seu pleno potencial devido à burocracia e a uma má gestão”, declarou Trump. Para o Presidente norte-americano, a ONU não tem alcançado o seu potencial e os Estados Unidos não têm visto resultados que justifiquem o investimento na sustentabilidade da organização.

“A ONU deve concentrar-se mais nas pessoas e menos na burocracia”, insistiu o Presidente, ao mesmo tempo que aplaudia os esforços de António Guterres para "melhorar o desempenho das Nações Unidas na defesa do desenvolvimento, da paz e da segurança".

Donald Trump sugeriu que os objetivos de cada Missão de Paz sejam definidos em termos mais concretos. E afirmou-se "confiante de que, se trabalharmos juntos em defesa da reforma, a ONU irá emergir mais forte e uma força de paz mais eficaz".
   
A declaração política foi assinada por 126 países, presentes a vários níveis no encontro promovido pelos EUA, incluindo chefes de Estado, ministros ou altos funcionários, para escutar o breve discurso de Donald Trump.

A embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley, tomou depois a palavra, para apelar aos 67 países que ainda não assinaram a declaração que a subscrevam.

António Guterres prometeu por seu lado que a ONU irá fazer “mais pelos povos e menos pelos procedimentos”.

A iniciativa norte-americana de defesa da reforma da ONU não foi apreciada por todos os membros da organização, mesmo que a tenham subscrito. A França, por exemplo, criticou o processo que lhe deu origem.

António Guterres, envolvido há vários meses no seu próprio programa reformador, terá acolhido a declaração política com alguma ambivalência, de acordo com fontes diplomatas.
EUA abandonam mesmo Acordo de Paris
Ambivalente foi nas últimas 24 horas a posição dos Estados Unidos quanto ao Acordo de Paris sobre o clima. Os subscritores do documento reuniram-se no Canadá, este fim de semana, pela primeira vez desde que Trump anunciou que os Estados Unidos o iriam abandonar.

No domingo o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, admitiu que o país poderia continuar no Acordo desde que fossem satisfeitas algumas das suas exigências quanto a alterações ao documento.

Já esta segunda-feira foi, contudo, confirmado que Donald Trump irá formalizar a completa retirada dos EUA do Acordo, quando se reunir com os ministros do Ambiente e do Clima.

A confirmação foi dada pelo conselheiro de Trump em questões de Economia, Gary Cohn, à cadeia de televisão CNN.
O discurso de Trump
A Assembleia Geral da ONU reúne-se esta semana em Nova Iorque e inclui debates, discursos e reuniões bilaterais entre os representantes dos 193 países que a compõem.

Este ano a ameaça nuclear norte-coreana, que poderá provocar uma resposta norte-americana dura, deverá centrar atenções.

Nas últimas horas, os Estados Unidos realizaram mesmo uma simulação de bombardeamento da Península Coreana.
 
O discurso de Donald Trump perante a Assembleia, o primeiro enquanto Presidente, está marcado para esta terça-feira e é especialmente aguardado.

A ouvir atentamente as palavras do Presidente dos EUA estará, na linha da frente, precisamente a delegação da Coreia do Norte.
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