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COVID-19
País Basco luta contra "falta de respeito pelo coronavírus"
O País Basco passou de um cenário controlado a uma escalada de surtos, com um aumento diário do número de infeções por Covid-19 a rondar os 100 nos últimos dias. As autoridades de saúde desta comunidade espanhola mostram-se preocupadas com a “perda de respeito pelo coronavírus”, principalmente por parte da população mais jovem, que é agora o foco de infeção do SARS-CoV-2.
O País Basco foi das comunidades que mais pressionaram o Governo espanhol para que o estado de emergência fosse levantado no país em meados de junho com o objetivo de obter controlo absoluto sobre a crise sanitária. No entanto, desde então, a situação epidemiológica nesta região tem seguido um caminho trágico.
O País Basco passou de um cenário controlado a uma escalada de surtos localizados. A 21 de junho, data que marcou o fim do estado de emergência na vizinha Espanha, o País Basco registou 16 novas infeções. Um mês depois, o número fixa-se nos 100 casos positivos por dia.
A taxa de casos positivos está longe dos 723 contabilizados nos finais de março – o pico da pandemia – e os dados das hospitalizações por Covid-19 também são muito inferiores aos registados nesse mês. No entanto, o R0 (indicador que reflete o número de contágios causados por cada pessoa infetada) está agora fixado em 2,13, muito superior aos números iniciais que o colocavam abaixo de 1. Desde que a pandemia eclodiu na região, em fevereiro, cerca de 22 mil pessoas foram diagnosticadas com Covid-19 e 1.623 morreram nesta comunidade autónoma no norte de Espanha. O País Basco está entre as três comunidades espanholas que registam um maior aumento do número diário de casos.
Apesar de os números atuais estarem longe dos registados no pico da pandemia e de os hospitais estarem numa situação “muito aliviada”, os responsáveis pela saúde no País Basco estão preocupados com o aumento gradual de novos casos e com a escalada de infeções entre a população jovem, maioritariamente assintomática.
"A situação é preocupante", diz Miren Basaras, professora de microbiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do País Basco (UPV), citada por El País. Na opinião de Basaras, o que mais preocupa nesta altura é a “perda de respeito pelo vírus”, principalmente por parte da camada mais jovem da população:
“Estamos numa normalidade que não é real, porque devemos tomar muitas precauções para evitar os contágios. E isso não foi compreendido por parte dos cidadãos, principalmente entre os mais jovens. Eles ainda não se consciencializaram que o vírus não tira férias”.
“Há motivos para nos preocuparmos porque a transmissão não é local, mas comunitária, aqui e a nível nacional”, acrescentou a professora universitária.
Rafa Rotaeche, médico de cuidados primários na cidade de San Sebastián, vai ao encontro da opinião de Miren Basaras, na medida em que acredita que o País Basco “não está a enfrentar uma situação de transmissão comunitária”, dado que “os casos estão bastante identificados e concentrados num tipo de população que não requer internamento porque apresenta um quadro clínico mais ligeiro”.
O que está a ser feito?
Perante a evolução do quadro epidemiológico nesta comunidade, o Ministério espanhol da Saúde está a reunir todos os esforços para aumentar o número de testes PCR – que confirmam se uma pessoa está, ou não, infetada – para uma média de quatro mil por dia.
O uso de máscara passou a ser obrigatório nas cidades desta comunidade com maior incidência de casos positivos e a capacidade dos estabelecimentos foi reduzida, para além da sua obrigatoriedade de encerrar às 23h30 e de o consumo no bar ser proibido.
No entanto, o serviço de saúde do País Basco – Osakidetza – descarta, “por enquanto”, alargar a imposição destas medidas a todo o território. “O País Basco não está em situação de tomar decisões tão drásticas”, disse o ministro da Saúde, Nekane Murga, na segunda-feira.
O País Basco passou de um cenário controlado a uma escalada de surtos localizados. A 21 de junho, data que marcou o fim do estado de emergência na vizinha Espanha, o País Basco registou 16 novas infeções. Um mês depois, o número fixa-se nos 100 casos positivos por dia.
A taxa de casos positivos está longe dos 723 contabilizados nos finais de março – o pico da pandemia – e os dados das hospitalizações por Covid-19 também são muito inferiores aos registados nesse mês. No entanto, o R0 (indicador que reflete o número de contágios causados por cada pessoa infetada) está agora fixado em 2,13, muito superior aos números iniciais que o colocavam abaixo de 1. Desde que a pandemia eclodiu na região, em fevereiro, cerca de 22 mil pessoas foram diagnosticadas com Covid-19 e 1.623 morreram nesta comunidade autónoma no norte de Espanha. O País Basco está entre as três comunidades espanholas que registam um maior aumento do número diário de casos.
Apesar de os números atuais estarem longe dos registados no pico da pandemia e de os hospitais estarem numa situação “muito aliviada”, os responsáveis pela saúde no País Basco estão preocupados com o aumento gradual de novos casos e com a escalada de infeções entre a população jovem, maioritariamente assintomática.
"A situação é preocupante", diz Miren Basaras, professora de microbiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do País Basco (UPV), citada por El País. Na opinião de Basaras, o que mais preocupa nesta altura é a “perda de respeito pelo vírus”, principalmente por parte da camada mais jovem da população:
“Estamos numa normalidade que não é real, porque devemos tomar muitas precauções para evitar os contágios. E isso não foi compreendido por parte dos cidadãos, principalmente entre os mais jovens. Eles ainda não se consciencializaram que o vírus não tira férias”.
“Há motivos para nos preocuparmos porque a transmissão não é local, mas comunitária, aqui e a nível nacional”, acrescentou a professora universitária.
Rafa Rotaeche, médico de cuidados primários na cidade de San Sebastián, vai ao encontro da opinião de Miren Basaras, na medida em que acredita que o País Basco “não está a enfrentar uma situação de transmissão comunitária”, dado que “os casos estão bastante identificados e concentrados num tipo de população que não requer internamento porque apresenta um quadro clínico mais ligeiro”.
O que está a ser feito?
Perante a evolução do quadro epidemiológico nesta comunidade, o Ministério espanhol da Saúde está a reunir todos os esforços para aumentar o número de testes PCR – que confirmam se uma pessoa está, ou não, infetada – para uma média de quatro mil por dia.
O uso de máscara passou a ser obrigatório nas cidades desta comunidade com maior incidência de casos positivos e a capacidade dos estabelecimentos foi reduzida, para além da sua obrigatoriedade de encerrar às 23h30 e de o consumo no bar ser proibido.
No entanto, o serviço de saúde do País Basco – Osakidetza – descarta, “por enquanto”, alargar a imposição destas medidas a todo o território. “O País Basco não está em situação de tomar decisões tão drásticas”, disse o ministro da Saúde, Nekane Murga, na segunda-feira.
“A chave é ter um controlo abrangente”, diz o microbiologista, “e isso requer mais rastreadores”. O País Basco conta com cerca de 180 rastreadores, ou seja, um para cada 12 mil habitantes, um número “insuficiente” na opinião de Murga.
A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 616 mil mortos e infetou perto de 15 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Em Espanha há registo de mais de 266 mil infetados e 28.424 óbitos.