Países Baixos lamentam decisão de Israel de revogar estatuto de diplomatas

Países Baixos lamentam decisão de Israel de revogar estatuto de diplomatas

O chefe da diplomacia dos Países Baixos disse hoje lamentar a decisão tomada por Israel de revogar o estatuto diplomático dos representantes neerlandeses em Ramallah, na Cisjordânia, em resposta às sanções comerciais impostas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Lamento profundamente esta decisão inútil", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, Tom Berendsen, segundo uma porta-voz.

A decisão tomada por Haia de suspender as importações provenientes dos colonatos israelitas nos territórios ocupados da Cisjordânia não era "dirigida contra Israel", insistiu.

A suspensão das importações "decorre, na verdade, da obrigação, por força do direito internacional, de não contribuir para uma situação ilícita: os colonatos ilegais", assegurou Berendsen.

No domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, anunciou que "informou a embaixada neerlandesa em Israel que os diplomatas neerlandeses que trabalham em Ramallah deverão devolver a sua documentação diplomática emitida por Israel no prazo de sete dias".

"Após este período, expirarão os privilégios e as imunidades diplomáticas concedidas pelo Estado de Israel", refere o gabinete do ministro, em comunicado.

Se os Países Baixos desejarem continuar a representar os interesses dos cidadãos palestinianos, deverão fazê-lo "a partir do território da Autoridade Palestiniana", refere a nota.

A medida surge em resposta à entrada em vigor, nos Países Baixos, de uma lei que proíbe o comércio de produtos israelitas provenientes dos territórios ocupados da Cisjordânia, de Jerusalém Oriental e dos Montes Golã.

Já em agosto, após o anúncio da aprovação da lei, Israel ordenou a expulsão da delegação dos Países Baixos do centro multinacional de supervisão do cessar-fogo em Gaza, em Kiryat Gat (sul de Israel), alegando que o governo tinha levado a cabo "ações anti-Israel". Esta decisão, segundo o gabinete de Saar, já foi implementada.

"Qualquer país que atue de forma hostil e unilateral contra Israel perderá influência e relevância na região", afirmou o ministro.

De forma semelhante, o ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel já tinha anunciado, no início de setembro, uma série de "contramedidas" contra o Reino Unido --- incluindo o encerramento do seu consulado em Jerusalém --- em resposta às sanções comerciais anunciadas por aquele país aos colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada.

Além do encerramento do consulado, Saar anunciou a retirada de representantes do Reino Unido do centro de coordenação para Gaza, a suspensão das atividades de treino britânicas das forças da Autoridade Palestiniana na Cisjordânia e a proibição de entrada em Israel a certos cidadãos britânicos.

Também a França e o Canadá anunciaram, no início do mês, que iriam sancionar o comércio com os colonatos israelitas na Cisjordânia, endurecendo o tom em relação a Israel.

Uma proposta semelhante está a ser analisada pela União Europeia, mas, até ao momento, não foi possível alcançar um consenso para a sua adoção.

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