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Paquistão suspende serviços de internet no dia de eleições
O sinal de internet, base dos serviços de comunicação móveis, foi suspenso temporariamente no dia que milhões votam para as eleições nacionais. As autoridades justificam o apagão como "medida de segurança" e garantir capacidade para gerir "ameaças potenciais", citando os recentes incidentes de violência no país.
Nesta quinta-feira, a população paquistanesa é chamada às urnas para escolher a nova constituição da Assembleia Nacional.
As autoridades decidiram desligar temporariamente os serviços de comunicações móveis, tanto telefones como rede de internet.
Debaixo de críticas, um porta-voz do Ministério do Interior justificou a medida: "Como resultado dos recentes incidentes de terrorismo no país, muitas vidas preciosas foram perdidas. As medidas de segurança são essenciais para manter a situação da lei e da ordem e para lidar com ameaças potenciais".
O mais recente dos incidentes aconteceu na quarta-feira quando duas explosões de bombas mataram 28 pessoas na província do Baluchistão.
Eleitora chega para votar numa seção de voto em Peshawar, enquanto polícias garantem a segurança do local | Fayaz Aziz - Reuters
As regras para este dia eleitoral também abrangem a cobertura eleitoral. Há controlo no que pode ser dito sobre candidatos, campanhas e sondagem de opinião. As normas permanecem em vigor, pelo menos, até o final da votação, às 17h00, (12h00 em Lisboa).
O Paquistão também fechou temporariamente algumas das suas fronteiras terrestres com o Irão e o Afeganistão para reforçar a segurança num contexto de aumento da violência.
Críticas ao apagão
Esta não é a primeira vez que os serviços paquistaneses de internet são desligados. No ano passado já aconteceu a suspensão do sinal para controlar o fluxo de informação. Porém, um apagão nesta ordem de grandeza não tem precedentes, especialmente durante um ato eleitoral.
Entre as queixas estão eleitores que dizem que sem internet não era possível reservar táxis para ir votar, ou mesmo não podiam combinar com familiares família para coordenar a deslocação às assembleias de voto.
Um outro eleitor declarou à BBC que ficou chocado com a decisão, afirmando que "os eleitores deveriam ser facilitados em vez de [ter de enfrentar] tais obstáculos".
Bilawal Bhutto Zadari, filho da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, que concorre ao cargo pelo Partido Popular do Paquistão (PPP) pediu a “imediata” restauração dos serviços. Bhutto disse ainda que o PPP abordou a comissão eleitoral e os tribunais para repor a internet.
Para o diretor do NetBlocks, Alp Toker, citado na Al Jazeera: “O contínuo apagão da Internet no dia das eleições no Paquistão está entre os maiores que observamos em qualquer país em termos de gravidade e extensão”.
“A prática é inerentemente antidemocrática e é conhecida por limitar o trabalho dos observadores eleitorais independentes e causar irregularidades no processo de votação”, acrescentou.
“A prática é inerentemente antidemocrática e é conhecida por limitar o trabalho dos observadores eleitorais independentes e causar irregularidades no processo de votação”, acrescentou.
A suspensão da internet e das redes móveis apresenta-se também um problema para os observadores eleitorais locais que têm de se deslocar a diferentes assembleias de voto e precisam de comunicar com outros observadores.
Eleições
Existem mais de 128 milhões de eleitores registados, 59,3 milhões (46 por cento) de mulheres e 69,2 milhões ou 54 por cento de homens. Mais de 20 milhões de novos eleitores foram registados para as eleições de 2024. Existem quase 18.000 candidatos, dos quais 5.112, incluindo 4.797 homens, 313 mulheres e dois concorrentes transexuais, concorrendo a 266 assentos parlamentares.
A Liga Muçulmana do Paquistão (Nawaz) (PML-N) e o Partido Popular do Paquistão (PPP) são considerados os dois principais partidos que vão a votação.
O partido Paquistão Tehreek-e-Insaf do antigo primeiro-ministro, Imran Khan, perdeu a principal cabeça de lista porque está na prisão, a cumprir pena por acusações de corrupção e não pode correr.
Boletim de voto com instruções junto a uma cabine de votação numa escola em Karachi. Os símbolos eleitorais desempenham um papel fundamental num país onde mais de 40 por cento da população não sabe ler |
Akhtar Soomro - Reuters
Os primeiros resultados não oficiais nas eleições parlamentares e provinciais são esperados algumas horas após o encerramento da votação. Na sexta-feira aguarda-se uma melhor clarificação da votação.