Partidos de Taiwan permitem assinar acordos de armas com EUA antes de expirarem
O parlamento de Taiwan prevê autorizar o Governo a assinar, antes do prazo terminar, acordos para comprar armamento norte-americano, no valor de 11,1 mil milhões de dólares (9,65 mil milhões de euros).
Segundo noticiou hoje a agência de notícias oficial Central News Agency (CNA), os grupos parlamentares do governante Partido Progressista Democrático (DPP), do Kuomintang (KMT) e do Partido do Povo de Taiwan (TPP) chegaram a um acordo.
O acordo irá permitir a assinatura das cartas de oferta e aceitação de quatro sistemas: os lançadores de foguetes M142 HIMARS, os obuses autopropulsados M109A7 Paladin e os mísseis anticarro FGM-148 Javelin e BGM-71 TOW 2B.
Durante as negociações entre os partidos, o chefe do Departamento de Planeamento Estratégico do ministério da Defesa, Huang Wen-chi, citado pela CNA, advertiu que parte da munição incluída no pacote poderá ficar de fora caso Taiwan não assine até 26 de março a documentação relativa aos HIMARS.
No caso dos outros três sistemas, o prazo para concluir o processo termina em 15 de março.
O texto deverá ser aprovado numa sessão plenária do Yuan Legislativo (parlamento), onde a oposição, liderada pelo KMT e o TPP, detém a maioria, segundo a agência.
O debate parlamentar ocorre num contexto de tensões políticas em torno do gasto em defesa, uma vez que a oposição tem questionado a gestão do Governo de um plano orçamental especial de defesa avaliado em cerca de 1,25 biliões de novos dólares taiwaneses (cerca de 34,15 mil milhões de euros) e criticado o que considera uma tramitação "extremamente opaca".
O pacote militar anunciado pelos Estados Unidos inclui também veículos aéreos não tripulados ("drones") Altius-600 e Altius-700M, embora as respetivas cartas de aceitação ainda não tenham sido emitidas, segundo a CNA.
As compras de armamento norte-americano fazem parte da cooperação em defesa entre Washington e Taipé, que se intensificou nos últimos anos em paralelo com o aumento da pressão militar sobre a ilha por parte da China, que tem condenado repetidamente as vendas de armas dos Estados Unidos a Taiwan.
Pequim considera Taiwan uma "parte inalienável" do seu território e tem reiterado em várias ocasiões que não exclui o uso da força para alcançar o que descreve como a `reunificação` com a ilha.