Partidos do Governo alemão arrasam presidente francês

Angela Merkel tem os planos da sua visita a Paris substancialmente dificultados pela sucessão de acusações e réplicas que têm sido trocadas entre François Hollande e os partidos da coligação governante em Berlim. O presidente francês protestara contra um alegado diktat de Bruxelas, a querer impor ao Governo francês políticas altamente impopulares, e desencadeara com esse protesto um vendaval de críticas alemãs.

RTP /
Charles Platiau, Reuters

A França tem estado sob pressão da União Europeia para baixar as pensões de reforma, aumentar a idade e de reforma e reduzir a presença do Estado na economia, como contrapartida para uma dilatação dos prazos, na ordem dos dois anos, para a redução do défice até 3 por cento do PIB. Durão Barroso justificara essa pressão com alegados interesses da própria economia francesa, afirmando que "nos últimos dez anos a França perdeu em competitividade". Hollande reagira com a irritada alusão de hoje a um diktat de Bruxelas.

Logo a seguir vieram as respostas de Berlim, cada uma mais azeda que a outra. O antigo ministro liberal da Economia e actual chefe da bancada parlamentar do FDP, Rainer Brüderle, afirmou que o primeiro ano da presidência de Hollande tem sido, para a França, um "ano perdido" e que "a Europa não pode continuar à espera da França". E deixou um recado a Merkel, sobre o que espera da visita hoje iniciada pela chanceler a Paris: "Tenho a certeza que a chanceler federal vai dizer-lho claramente em privado, como deve fazer-se entre amigos".

Do principal partido da coligação, a CDU, vieram principalmente acusações contra Hollande glosando o tema do incumprimento da palavra dada. O vice-presidente da bancada democrata-cristã, Michael Fuchs, considerou, segundo o Süddeutsche Zeitung, "preocupante" que um país (a França) não se atenha aos seus compromissos. O deputado democrata-cristão Andreas Schockenhoff, por seu lado, acusou Hollande de pôr em causa os fundamentos da União Europeia.

No Parlamento Europeu levantaram-se mesmo contra Hollande vozes alemãs da área da oposição. Foi o caso do eurodeputado verde Sven Giegold, que classificou as referências de Hollande a um diktat europeu como um "certificado de indigência" da política francesa de relacionamento com a UE.
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