PCP, Bloco, CPPC Pestana tecem duras críticas à posição do Governo

O ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, o rapto do Presidente Nicolás Maduro e as pretensões norte-americanas sobre a governação e os recursos petrolíferos venezuelanos foram hoje duramente criticados por dirigentes partidários portugueses e por um candidato presidencial.

Lusa /

As críticas de Paulo Raimundo, secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Alexandre Abreu, membro da Comissão Política do Bloco de Esquerda (BE), André Pestana, candidato às eleições presidenciais portuguesas de 18 deste mês, foram feitas durante uma manifestação de protesto contra a "agressão militar" liderada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

A manifestação decorreu diante da estátua de Simon Bolívar, na Avenida da Liberdade em Lisboa, promovida pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), liderada por Isabel Camarinha, em que Paulo Raimundo acusou Washington de ter ido longe demais.

"Há um Estado que são os Estados Unidos que decidiram agredir um Estado soberano que é a Venezuela. Não só agrediu militarmente como foi lá a raptar o Presidente. Levou o Presidente eleito para os Estados Unidos e a partir daquele momento decide que vai administrar os recursos petrolíferos da Venezuela, vai administrar os recursos minerais da Venezuela e, pior, decide que vai governar o Estado soberano da Venezuela", afirmou o líder comunista. 

"E pior, como se isso não bastasse, ainda veio intimidar a Colômbia, ainda veio intimidar Cuba, ainda veio intimidar todos os povos da América Latina e a própria Dinamarca, o que é uma coisa extraordinária", acrescentou, lamentando e criticando também a "subserviência à ação criminosa dos Estados Unidos".

Para Raimundo, este é também o momento para registar a "hipocrisia, o cinismo e as posições de conveniência", sublinhando que se ouve "muita conversa, muita subserviência e muita gente ajoelhada perante a ação criminosa dos Estados Unidos" 

O líder comunista também criticou a postura "intolerável" do Governo português, pois "procurou legitimar algo que é ilegal" e "admite que pode ter alguma razão de bondade aquela ação subversiva, aquele ato terrorista que foi o que aconteceu".

No mesmo tom, Alexandre Abreu, argumentou que, "infelizmente", quer a Europa quer Portugal manifestaram uma "total complacência, tibieza, verdadeiramente cobardia, uma incapacidade de falar com um pouco mais de coerência e de espinha dorsal relativamente àquilo que são estas grosseiras violações do direito internacional". 

"É uma agressão imperialista, que nem sequer procura disfarçar os seus motivos. Donald Trump foi já explícito relativamente ao objetivo de apropriação dos recursos naturais. A Venezuela tem as maiores reservas petrolíferas do mundo e é, no fundo, apenas isso que está a motivar esta agressão. 

"Infelizmente a União Europeia, a generalidade dos líderes europeus e também do governo português estão a mostrar a sua perfeita inutilidade política, a sua total cobardia. [...] Parece-me extraordinário que o governo fale sobre a Ucrânia e depois se acanhe de uma forma absolutamente subserviente a esta grosseira violação do direito internacional. Mostra uma completa cobardia e uma total falta de coerência", vincou. 

André Pestana alinhou pelo mesmo diapasão e condenou o "grave incidente" que passa pelo facto de os Estados Unidos, "a maior potência do mundo em termos de militares, terem bombardeado uma capital estrangeira, Caracas, raptado, pelo menos que se saiba, duas pessoas e assassinado várias pessoas também, num ato claramente de uma ingerência que é inadmissível, ou seja, não teve qualquer mandato".

Criticando também a posição de subserviência do Governo português, e questionado sobre o que faria se fosse Presidente português, Pestana respondeu que teria uma posição "muito clara", de estar "contra este tipo de ingerências" mesmo em países com regimes ditatoriais

"Não pode ser assim a nova ordem mundial. Porque de facto não é esse o futuro que queremos para a nossa juventude, para os nossos filhos: Não queremos uma nova ordem mundial de guerras", afirmou.

"O dinheiro e o lucro não podem justificar invasões, a destruição ambiental. Trump é negacionista, e o sistema de direita, de uma forma geral, é negacionista em relação à crise climática e por isso temos que pôr o dedo na ferida. O lucro não pode justificar tudo e não pode hipotecar o presente e o futuro", defendeu.

Isabel Camarinha, por sua vez, criticou a "brutal agressão" norte-americana, "que não pode ficar incólume" e tem de ser denunciado nas ruas e condenado pelos organismos internacionais, uma vez que, a título de exemplo, quer a União Europeia quer Portugal "estão obrigados a condenar esta violação do direito internacional".

"A União Europeia praticamente não condenou. Fala sobre o direito internacional, mas com muita contenção. Temos uma Gronelândia, temos Cuba, temos Colômbia. Quando forem outros países, queremos ver como é. Aliás, isto tem sido sempre uma questão de dois pesos e duas medidas. Em relação a umas situações, há uma grande condenação expressão, uma grande ação. Em relação a outras, não", concluiu. 

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