EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Pequim acusa Lai de quebrar laços ao rejeitar China comunista como pátria de taiwaneses

Pequim acusa Lai de quebrar laços ao rejeitar China comunista como pátria de taiwaneses

Pequim acusou hoje o líder de Taiwan de "quebrar deliberadamente os laços históricos entre os dois lados do estreito", após William Lai ter afirmado "ser impossível" que a República Popular da China seja a pátria dos taiwaneses.

Lusa /

A porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Executivo chinês), Zhu Fenglian, disse, em conferência de imprensa, que "Taiwan é um território sagrado da China com base em fundamentos históricos e legais claros".

Zhu lembrou que, em 25 de outubro de 1945, o Governo chinês declarou a "recuperação da soberania sobre Taiwan", depois da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial.

Em 01 de outubro de 1949, com a fundação da República Popular da China, o novo regime de Pequim "substituiu a República da China [atual nome oficial de Taiwan] como único representante legítimo de todo o país", disse.

A porta-voz sublinhou que, "embora a reunificação ainda não tenha sido totalmente alcançada", a soberania e o território da China "nunca foram e nunca poderão ser divididos" e o "facto de a China continental e Taiwan pertencerem à mesma China nunca mudou e nunca poderá mudar".

"Não importa que tipo de paradoxos históricos e declarações bizarras sobre a independência de Taiwan Lai faça, isso não muda o facto objetivo de que os dois lados do estreito de Taiwan pertencem à mesma China e não destruirá o sentimento patriótico dos nossos compatriotas de Taiwan", disse Zhu, acusando Lai de "suprimir a identidade nacional dos compatriotas de Taiwan".

O Conselho dos Assuntos Continentais de Taiwan (MAC), o organismo governamental responsável pelas relações com a China continental, emitiu um comunicado a denunciar as "declarações absurdas" de Zhu, sublinhando que a República Popular da China "nunca governou Taiwan", desde a criação em 1949.

"O discurso do Presidente Lai esclarece o facto objetivo de que os dois lados do estreito não estão subordinados", indicou a mesma nota, acrescentando que as afirmações do Gabinete dos Assuntos de Taiwan "tornam claro para os taiwaneses" que o Partido Comunista Chinês "não deixa espaço para a República da China sobreviver".

"Para que a República da China continue a existir, deve contar com os esforços conjuntos de todo o povo e não pode contar com a boa vontade do Partido Comunista, que pode mudar a qualquer momento", afirmou o MAC, que reiterou o apelo para um "diálogo construtivo entre os dois lados" do estreito.

Na semana passada, Lai, considerado por Pequim um "agitador separatista", sublinhou que Taiwan é um "país soberano e independente" e referiu que a República Popular da China celebrou recentemente o 75.º aniversário, enquanto a República da China completa 113 anos na quinta-feira.

"É impossível que a República Popular da China seja a pátria do povo da República da China. Pelo contrário, a República da China pode ser a pátria dos cidadãos da República Popular da China", afirmou, sob aplausos.

Nos últimos dias, as ruas de Taipé e de várias cidades da ilha encheram-se de bandeiras para celebrar o Dia Nacional da República da China, uma data que comemora o início da Revolução Xinhai, a 10 de outubro de 1911, que terminou com o derrube da última dinastia imperial e a criação de uma república.

Depois da vitória das tropas comunistas na guerra civil chinesa (1927-1949), Mao Zedong proclamou a criação da República Popular da China em 01 de outubro de 1949, o que levou o governo da República da China, então liderado pelo nacionalista Chiang Kai-shek, a retirar-se definitivamente para Taiwan em dezembro do mesmo ano.

Desde então, Taiwan tem sido governada autonomamente, embora o seu estatuto internacional tenha sido consideravelmente reduzido nos últimos anos devido à pressão diplomática de Pequim, que reivindica a soberania sobre a ilha.

 

Tópicos
PUB