Pequim diz estar disponível para aprofundar contactos com oposição de Taiwan
O Governo da China manifestou hoje disponibilidade para "reforçar os contactos e intercâmbios" com o principal partido da oposição de Taiwan, o Kuomintang (KMT), quando circulam rumores sobre uma eventual cimeira entre ambas as partes.
Em conferência de imprensa, a porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhu Fenglian, afirmou que os contactos devem assentar no chamado `Consenso de 1992` e na rejeição da independência da ilha.
Esse entendimento, alcançado de forma tácita entre o Partido Comunista Chinês (PCC) e o então Governo taiwanês, liderado pelo KMT, pressupunha o reconhecimento da existência de "uma só China", embora com interpretações distintas sobre o seu significado.
"Estamos dispostos a reforçar os contactos e intercâmbios, manter interações construtivas e promover, em conjunto, o desenvolvimento pacífico das relações no Estreito [de Taiwan] com todos os partidos políticos, organizações e representantes da sociedade taiwanesa, incluindo o Kuomintang, em benefício dos compatriotas de ambos os lados do Estreito", declarou Zhu.
A porta-voz não confirmou as notícias, avançadas por órgãos de comunicação de Taiwan, sobre a realização, entre 27 e 29 de janeiro, do Fórum Económico, Comercial e Cultural do Estreito -- também conhecido como Fórum KMT-PCC --, que decorreu quase anualmente entre 2006 e 2016, antes de o KMT perder o poder na ilha.
No fim de semana, a nova presidente do KMT, Cheng Li-wun, recusou-se a comentar a eventual cimeira e uma possível reunião com o Presidente chinês, Xi Jinping, limitando-se a afirmar que qualquer diálogo "não será feito em segredo".
Cheng, que recebeu uma mensagem de felicitações de Xi após vencer as primárias do KMT em outubro, assumiu a liderança do partido num contexto de crescentes tensões entre Pequim e Taipé. A China considera Taiwan, governada autonomamente desde 1949, como parte inalienável do seu território.
A dirigente tem reiterado abertura para se encontrar com Xi e já se manifestou contra o aumento do orçamento da Defesa de Taiwan até 5% do Produto Interno Bruto da ilha até 2030.