Pequim mobiliza caças com munição real em torno de Taiwan

A Marinha norte-americana anunciou esta segunda-feira que um dos seus navios está a realizar uma operação no mar do Sul da China, numa altura em que Pequim realiza manobras militares "com munições reais" em torno de Taiwan, para denunciar "a intrusão" do contratorpedeiro.

Cristina Sambado - RTP /
Ritchie B. Tongo - EPA

Pequim revelou que mobilizou caças com “munição real” e o porta-aviões Shandong para executarem “ataques simulados” a alvos em Taiwan, após ter cercado o território com dezenas de aviões e navios de guerra.

"Vários grupos de caças H-6K com munição real realizaram vários ataques simulados em alvos importantes na ilha de Taiwan”, informou o Comando do Teatro de Operações Oriental do Exército de Libertação Popular, especificando que o Shandong também “participou nos exercícios”.

Além das patrulhas de prontidão de combate, o Exército de Libertação Popular da China vai realizar exercícios com fogo real na baía de Luoyuan, na província de Fujian, que fica no leste da China e defronte a Taiwan, anunciou a Autoridade Marítima local no fim de semana.O exército chinês enviou dezenas de caças e 11 navios de guerra para próximo de Taiwan, na sequência do encontro, da passada semana, entre a líder da ilha, Tsai Ing-wen, e o presidente da Câmara dos Representantes do Congresso norte-americano, Kevin McCarthy, informou esta segunda-feira o Ministério da Defesa de Taiwan.

Entre domingo e segunda-feira, 70 aviões cruzaram a linha mediana do estreito de Taiwan, uma fronteira não oficial que já foi tacitamente respeitada por ambos os lados, de acordo com o comunicado do Ministério da Defesa de Taiwan. Entre os aviões que cruzaram o espaço aéreo constam oito caças J-16, quatro caças J-1, oito caças Su-30 e aviões de reconhecimento.

Esta situação ocorre depois de, entre sexta-feira e sábado, oito navios de guerra e 71 aviões chineses terem sido detetados perto de Taiwan, de acordo com o Ministério de Defesa da ilha.

O Ministério acrescentou, em comunicado, que está a abordar a situação de uma perspetiva de “não escalar conflitos e não causar disputas”.

Taipé frisou estar a monitorizar os movimentos chineses através dos sistemas de mísseis em terra e navios da Marinha.

Segundo o Ministério da Defesa de Tóquio, o Shandong conduziu operações em águas próximas das ilhas Okinawa do Japão no domingo.

O Japão há muito que se preocupa com as atividades militares da China na área, dada a proximidade das ilhas do sul a Taiwan. A ilha japonesa de Miyako é a quarta maior das ilhas Okinawa que acolhem uma base aérea dos EUA.

“Caças, jatos e helicópteros deslocaram e aterraram no porta-aviões pelo menos 120 vezes entre sexta e domingo, a menos de 230 quilómetros da ilha japonesa de Miyako”, acrescentou o Ministério da Defesa japonês.
USS Milius perto das ilhas Spratly
Entretanto, a Marinha norte-americana anunciou esta segunda-feira que um dos seus navios está a realizar uma operação no mar do Sul da China. A Marinha norte-americana revelou que “esta operação de liberdade de navegação respeitou os direitos, liberdades e usos legais do mar”, acrescentando que o USS Milius tinha passado perto das ilhas Spratly.

O navio passou a menos de 12 milhas náuticas (22 quilómetros) do recife Mischief, reivindicado pela China e outros países da região, acrescentou a Marinha dos Estados Unidos, local onde Pequim construiu um aeroporto e outras instalações.

Para a 7ª Frota da Marinha dos Estados Unidos, "segundo o direito consuetudinário internacional, zonas como o recife de Mischief que estão submersos na maré cheia no seu estado natural não tem direito a um mar territorial".

O recife de Mischief fica a oeste da ilha de Palawan, nas Filipinas.


"Os esforços de recuperação de terras, instalações e estruturas construídas no recife de Mischief não alteram esta caracterização ao abrigo do direito internacional", acrescentou o comunicado.

Para o porta-voz do Comando do Teatro de Operações Sul do exército chinês Tian Junli, "o contratorpedeiro lança-mísseis USS Milius entrou ilegalmente nas águas adjacentes ao recife Meiji [nome oficial chinês para o recife Mischief] nas ilhas Nansha [nome chinês das Spratly] da China, sem a autorização do Governo chinês"

A força aérea chinesa "seguiu e vigiou o navio de guerra", acrescentou em comunicado.Incursões intensificaram-se após visita de Pelosi
Nos últimos anos, as incursões de jatos da Força Aérea chinesa no espaço aéreo de Taiwan intensificaram-se e, após a ex-presidente da Câmara dos Representantes do Congresso dos EUA Nancy Pelosi ter visitado a ilha, em agosto passado, Pequim lançou exercícios militares numa escala sem precedentes, incluindo lançamento de mísseis e uso de fogo real.

A visita de Pelosi foi a de mais alto nível realizada pelos EUA em 25 anos.

No final da Segunda Guerra Mundial, Taiwan integrou a República da China, sob o governo nacionalista de Chiang Kai-shek. Após a derrota contra o Partido Comunista, na guerra civil chinesa, em 1949, o Governo nacionalista refugiou-se na ilha, que mantém, até hoje, o nome oficial de República da China, em contraposição com a República Popular da China, no continente chinês.

A China considera a ilha parte do seu território e ameaça a reunificação através da força, caso Taipé declare formalmente a independência.


Pequim reivindica praticamente todo o mar do Sul da China, via comercial estratégica e rica em recursos energéticos e pesqueiros, mas Taiwan, Filipinas, Brunei, Malásia e Vietname também têm reivindicações.

c/agências
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