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PM de São Tomé e Príncipe diz que exonerou conselheiro quando soube das suspeitas

PM de São Tomé e Príncipe diz que exonerou conselheiro quando soube das suspeitas

O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Américo Ramos, disse hoje que o antigo conselheiro especial Ignacio Purcell já não ocupava funções quando foi detido, esta semana, pela Interpol, tendo sido exonerado em fevereiro.

Lusa /

"Em fevereiro fui alertado pelos órgãos internacionais de polícia [Organização Internacional de Polícia Criminal - INTERPOL] que o senhor Ignacio Purcell foi referenciado como tendo algum aspeto negativo no seu currículo ou procurado pela Interpol, e de imediato procedi à sua exoneração, a 12 de fevereiro, como conselheiro especial do primeiro-ministro", disse o chefe do Governo numa conferência de imprensa.

Na declaração aos jornalistas, Américo Ramos explicou que Ignacio Purcell foi apresentado "como investidor e como alguém com capacidade, capaz de mobilizar investimentos para São Tomé e Príncipe".

O primeiro-ministro explicou ainda que foram feitas diligências "junto da unidade da Interpol em São Tomé e Príncipe" e "foi confirmado que não havia nenhuma referência ilícita a Ignacio Purcell a circular nos serviços internacionais da polícia".

Assim, em setembro Ignacio Purcell foi nomeado por Américo Ramos conselheiro especial do primeiro-ministro, confirmou o próprio, salientando: "A minha atuação inicial de nomear o senhor Ignacio Purcell está dentro das minhas competências constitucionais, por isso decidi, no espírito da minha busca de financiamento e investidores para São Tomé e Príncipe, prosseguir em conformidade".

Na declaração, Américo Ramos disse ainda que "a questão está na alçada da Polícia Judiciária e dos tribunais, há separação de poderes, e não há nenhuma interferência do Governo neste processo".

As declarações do líder do executivo surgem depois da detenção do cidadão chileno Ignacio Purcell, procurado pela Interpol, na terça-feira.

Segundo fontes parlamentares e documento consultado pela Lusa, Ignacio Purcell Mena tem 54 anos e também havia sido nomeado conselheiro da ex-presidente da Assembleia Nacional, Celmira Sacramento, em agosto do ano passado, mas foi exonerado após o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter rejeitado um pedido de emissão de passaporte diplomático a seu favor.

Numa nota publicada hoje no Facebook, a PJ refere que "o detido está indiciado pela prática de vários crimes, correspondentes e igualmente punidos pela lei são-tomense, tais como, organização criminosa, burla, crime contra a fazenda pública, branqueamento de capitais e crime de falsificação de documento comercial".

A PJ refere que a detenção surge "na sequência da emissão por parte das autoridades judiciárias espanholas de mandado de detenção internacional/notícia vermelha divulgada pela INTERPOL".

Segundo a fonte parlamentar, o homem foi apresentado às autoridades são-tomenses pelo atual presidente da Assembleia Nacional, Abnildo D`Oliveira, que na altura exercia as funções de vice-presidente do parlamento.

Questionado pela Lusa, Abnildo D`Oliveira não confirmou nem desmentiu as informações, mas adiantou que se pronunciará sobre o assunto em "momento oportuno".

É o segundo caso de detenção de cidadãos estrangeiros que exerciam funções de conselheiros de Órgãos de Soberania são-tomense.

Em 22 de fevereiro, também a pedido da Interpol, a PJ são-tomense deteve um cidadão sueco "pela prática de crimes de ofensas corporais grave, detenção e uso de armas proibidas, violação sexual grave com recurso a administração às vítimas, contra a sua vontade expressa e mediante uso de força, de drogas incapacitantes da sua resistência".

Carlsson Stig Karl-Magnus, que nasceu em 08 de janeiro de 1964, detinha um passaporte diplomático são-tomense como conselheiro diplomático do Presidente Carlos Vila Nova, que assegurou, após a detenção, que o sueco "tinha um registo criminal limpo" aquando da nomeação para trabalhar em projetos na saúde e segurança marítima no Golfo da Guiné.

Em abril de 2022, numa situação semelhante, o Presidente são-tomense exonerou um conselheiro especial, de nacionalidade alemã, face às notícias do seu alegado envolvimento em tráfico de influências.

Na altura, o chefe de Estado são-tomense justificou a decisão com a necessidade de "acautelar a imagem externa" de São Tomé e Príncipe face às notícias que indicavam que o exonerado se encontrava "sob processo de investigação".

O alemão Stephan Welk havia sido nomeado em 27 de janeiro do mesmo ano, para prestar "informações técnicas especializadas" a Carlos Vila Nova, no âmbito das relações internacionais, para lhe permitir, "em concertação com o Governo, encontrar mecanismos plausíveis que possibilitem a busca de melhores soluções para o desenvolvimento socioeconómico do país", de acordo com o decreto presidencial de nomeação.

 

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