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Polícia israelita invade Mesquita de Al-Aqsa pela segunda noite consecutiva
Em menos de 24 horas, a polícia israelita voltou a invadir o complexo da Mesquita de Al-Aqsa. Pela segunda noite consecutiva, os militares dispararam granadas para atordoar fiéis e balas de aço revestidas de borracha. Vários palestinianos ficaram feridos. Já esta manhã, as forças israelitas restringiram o acesso à mesquita para homens palestinianos com menos de 40 anos.
Apesar do apelo dos Estados para aliviar as tensões, as tropas israelitas voltaram novamente à mesquita de al-Aqsa, em Jerusalém, na quarta-feira, onde já tinham detido mais de 350 palestinianos na noite anterior.
Vídeos gravados no local mostram, uma vez mais, forças armadas a retirar à força os fiéis da mesquita, que ali se reuniam para as orações do Ramadão.
Os palestinianos arremessaram objetos contra a polícia, que respondeu com balas de aço revestidas de borracha. Pelo menos seis pessoas ficaram feridas.
BREAKING: Israeli police are invading Al Aqsa Mosque for the second day in a row, shooting at Palestinian worshippers inside. pic.twitter.com/H6i7ur6N67
— IMEU (@theIMEU) April 5, 2023
CEIRPP da ONU condena ataques israelitas
O Gabinete do Comité da Assembleia Geral das Nações Unidas para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino condenou as incursões da polícia israelita dentro da mesquita de Al-Aqsa.
“As políticas e práticas ilegais de Israel continuaram a consolidar a sua ocupação ilegal do território palestiniano que ocupou desde 1967”, afirmou a agência em comunicado.
A organização apelou a Israel para cumprir as obrigações legais internacionais, de acordo com as resoluções da ONU, e lembrou o país hebraico que é responsável pelas violações no território palestiniano ocupado.
“O departamento pede respeito à liberdade de todos os fiéis de acessar aos locais religiosos de acordo com os parâmetros estabelecidos”, instou.
Colonos israelitas na mesquita de Al-Aqsa
Já na manhã desta quinta-feira, dezenas de colonos israelitas entraram nos pátios da Mesquita de Al-Aqsa sob a proteção da polícia.
Mais cedo, forças israelitas impediram que os fiéis palestinianos entrassem na mesquita para a oração do Fajr (amanhecer). Centenas de crentes acabaram por realizar a oração nas proximidades da Mesquita de Al-Aqsa, de acordo com a Al Jazeera.
Homens com menos de 40 anos proibidos de entrar
Também nas últimas horas a polícia israelita impôs restrições no acesso à Mesquita de Al-Aqsa. Homens palestinianos com menos de 40 anos deixaram de poder entrar no espaço de culto, segundo noticiou a Al Jazeera.
“Um homem conduziu durante duas horas do norte de Israel para chegar a tempo para a oração do Fajr, mas acabou por não ser autorizado a entrar na mesquita”, relatou Natasha Ghoneim, da cadeia de televisão.
Entretanto, às portas da mesquita, uma multidão de mais de 200 pessoas foi-se aglomerando, pois não tinha conhecimento da proibição.
Israel liberta 397 palestinianos detidos na operação de terça-feira
Dos 450 palestinianos presos pela polícia israelita durante a operação de terça-feira à noite, 397 foram entretanto libertados. Porém, as autoridades impõem uma semana de proibição de entrar na mesquita de Al-Aqsa, informou a Comissão Palestiniana, em comunicado.
"Quarenta e sete detidos que pertenciam à Cisjordânia ocupada foram transferidos para a prisão militar de Ofer, enquanto a detenção e interrogatório de seis palestinianos da Jerusalém ocupada foram prorrogados", acrescentou. “As condições de prisão e detenção são humilhantes e desumanas e não está a ser fornecido nenhum atendimento médico aos detidos feridos”, conferiu a comissão.
Protestos alastraram a outras cidades
Os confrontos em Jerusalém, durante as duas noites consecutivas, desencadearam protestos na Faixa de Gaza e noutras cidades israelitas.
A polícia reprimiu os protestos nas cidades palestinianas de Umm Al-Fahm e Baqa al-Gharbiyeh na noite de quarta-feira, disparando gás lacrimogéneo.
Pelo menos quatro pessoas foram presas em Umm Al-Fahm. Houve também protestosem Haifa, Nazaré, Kufr Kanna e Arrabeh.
Os confrontos em Jerusalém, durante as duas noites consecutivas, desencadearam protestos na Faixa de Gaza e noutras cidades israelitas.
A polícia reprimiu os protestos nas cidades palestinianas de Umm Al-Fahm e Baqa al-Gharbiyeh na noite de quarta-feira, disparando gás lacrimogéneo.
Pelo menos quatro pessoas foram presas em Umm Al-Fahm. Houve também protestosem Haifa, Nazaré, Kufr Kanna e Arrabeh.
De Gaza, militantes palestinianos dispararam pelo menos nove rockets contra Israel após o ataque da primeira noite, atraindo resposta aérea. Os israelitas disseram terem como alvo locais de produção de armas do grupo islâmico Hamas.
Preocupação norte-americana
O porta-voz de segurança nacional da Casa Branca, John Kirby, expressou preocupação com a violência na mesquita e afirmou que era "imperativo que israelitas e palestinianos diminuíssem as tensões".
Nabil Abu Rudeineh, porta-voz do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, sublinha que “a ataque de Israel à Mesquita de al-Aqsa, nomeadamente o ataque aos fiéis, representa uma bofetada aos recentes esforços dos EUA para tentaraem criar calma e estabilidade durante o mês do Ramadão”.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, atribuiu, por sua vez, a situação aos “extremistas” que se barricaram dentro da mesquita com armas, pedras e fogo de artifício.
“Israel está comprometido em manter a liberdade de culto, livre acesso a todas as religiões e o status quo no Monte do Templo e não permitirá que extremistas violentos mudem isso”, afirmou Netanyahu, em comunicado.
“Israel está comprometido em manter a liberdade de culto, livre acesso a todas as religiões e o status quo no Monte do Templo e não permitirá que extremistas violentos mudem isso”, afirmou Netanyahu, em comunicado.
c/ agências