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População do norte de Gaza com menos de 12% das calorias necessárias

por Lusa
"Israel não pode continuar a usar a fome como arma de guerra", um desabafo impressionante Mohammed Saber - EPA

Uma organização não-governamental (ONG) espanhola alertou que a população do norte de Gaza tem sobrevivido desde janeiro com uma média de 245 calorias por dia, menos de 12% do necessário.

A Oxfam Intermón sublinhou que há mais de 300 mil pessoas presas no norte de Gaza, sem possibilidade de abandonar a zona, enquanto Israel continua a guerra contra o movimento islamita palestiniano Hamas.

A população do norte de Gaza tem sido obrigada a sobreviver com uma média de 245 calorias por dia, equivalente a menos do que 100 gramas de pão e menos de 12% das 2.100 quilocalorias necessárias, indicou em comunicado.

A ONG destacou que o total de alimentos autorizados desde outubro a entrar em Gaza para toda a população do enclave (2,2 milhões de pessoas) representa em média apenas 41% das calorias diárias que uma pessoa necessita.

Atualmente, Israel está a permitir a entrada em Gaza de, em média, 105 camiões com alimentos por dia, mas a ONG estimou que seriam necessários um mínimo de 221 camiões.

Quase toda a população do território está a passar fome extrema, com 1,1 milhões de pessoas a experimentar níveis catastróficos de insegurança alimentar, alertou.

A Oxfam Intermón, com sede em Barcelona (nordeste de Espanha), indicou que algumas crianças já morreram de fome e que é atualmente impossível encontrar em Gaza produtos para tratar a desnutrição em menores.

Crianças a morrer à fome

Na quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que pelo menos 27 crianças morreram de desnutrição na Faixa de Gaza desde o início da ofensiva israelita contra o Hamas, em outubro.

"Este número aumentará se não houver um cessar-fogo imediato e a segurança não for garantida para aumentar a ajuda", alertou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na rede social X (antigo Twitter).

Os efeitos da fome são agravados pela destruição de infraestruturas civis por parte de Israel, como hospitais, centros de saúde comunitários ou serviços de saneamento e abastecimento de água, deixando a população ainda mais vulnerável, acrescentou a ONG.

O diretor geral da Oxfam Intermón acusou Israel de "submeter deliberadamente a população civil (de Gaza) à fome" e de ignorar "as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e do Tribunal Internacional de Justiça para evitar um genocídio".

"Israel não pode continuar a usar a fome como arma de guerra", acrescentou Franc Cortada.

A ONG exigiu "um cessar-fogo permanente", pediu aos países que parem de fornecer armas a Israel e às autoridades israelitas que garantam "acesso humanitário total" à Faixa de Gaza.

 

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