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Estados Unidos e Israel bombardeiam Irão num "ataque preventivo"

"Porque cada minuto conta", "chega!". Vozes dos protestos em Israel

"Porque cada minuto conta", "chega!". Vozes dos protestos em Israel

Antes da reunião desta quarta-feira na Casa Branca, dezenas de milhares de pessoas voltaram a encher as ruas de Telavive. Uma de muitas manifestações no dia de solidariedade com os reféns em Gaza e pelo fim da guerra.

Cristina Santos - RTP /
Protesto em Telavive no dia nacional de luta – «Israel Stands Together» (Israel permanece unido). EPA

O anúncio da reunião foi feito na terça-feira à noite pelo enviado dos Estados Unidos, Steve Witkoff, em entrevista à Fox News.

Não se conhecem os contornos desta reunião, mas acontece num momento em que Israel prossegue a ofensiva para a tomada da cidade de Gaza. Sendo cada vez mais significativo o silêncio do governo israelita sobre proposta de cessar-fogo mediada por Catar e Egipto, e que já teve resposta positiva do Hamas.
Estas foram as razões que levaram o Fórum das Famílias dos Reféns a pedir manifestações num dia de solidariedade com os reféns.
Os protestos começaram na terça-feira em Telavive onde manifestantes pararam carros, ergueram bandeiras israelitas e fotos dos reféns, de acordo com um fotógrafo da AFP.

Estas manifestações também ocorreram em várias cidades israelitas com o bloqueio de várias autoestradas, marchas até às casas dos ministros e protestos em frente ao gabinete do primeiro-ministro, durante uma reunião do Gabinete de SegurançaObjetivo: demonstrar o máximo apoio a um acordo de cessar-fogo e libertação dos reféns em Gaza.
“Chega!”, gritou Silvia Cunio ao microfone no início de uma grande manifestação em Telavive, na terça-feira à noite. 

Os dois filhos, Ariel e David, estão reféns há 690 dias em Gaza sendo ela própria uma ex-refém libertada durante tréguas. Outra manifestante citada pela AFP resumiu o que os israelitas querem: “o mais importante neste momento é que os reféns regressem o mais rapidamente possível, porque cada minuto conta”.

Imune a apelos e exigências, Benjamin Netanyahu continua a ser vago sobre as intenções do governo quanto à guerra em Gaza e à libertação de reféns.

Num vídeo divulgado após a reunião do gabinete de Segurança, o primeiro-ministro israelita garantiu que “isto começou em Gaza e terminará em Gaza. Não deixaremos esses monstros lá, libertaremos todos os nossos reféns e garantiremos que Gaza nunca mais represente uma ameaça para Israel”.

Enquanto a guerra em Gaza continua a matar, Donald Trump preside esta quarta-feira a uma “grande reunião” na Casa Branca. O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, anunciou o encontro referindo que será discutido “um plano muito completo para o dia seguinte”.
Em fevereiro, o presidente norte-americano lançou a ideia de tomar o controlo da Faixa de Gaza para reconstruí-la e transformá-la na “Riviera do Médio Oriente”, uma vez vazia de palestinianos.
“É preciso que haja justiça”Também ontem, as Nações Unidas exigiram a Israel consequências das investigações às mortes de civis em Gaza. Em que se inclui o duplo bombardeamento do hospital Nasser, que matou 20 pessoas, entre elas cinco jornalistas, produzam resultados e garantam a responsabilização. “É preciso que haja justiça”, afirmou Thameen Al-Kheetan, porta-voz do gabinete de direitos humanos da ONU, aos jornalistas na terça-feira, em Genebra.
Ele acrescentou que o número de jornalistas mortos em Gaza levantou muitas questões sobre os ataques a profissionais da comunicação social.

Na segunda-feira, Israel bombardeou duas vezes o hospital Nasser, o último hospital público em funcionamento no sul de Gaza.

O segundo ataque ocorreu logo após a chegada das equipas de resgate e dos jornalistas para retirar os feridos. E aconteceu 15 minutos depois do primeiro bombardeamento, matando socorristas e jornalistas que trabalhavam para a Reuters, a Associated Press e a Al Jazeera, bem como jornalistas independentes.

Na terça-feira, as forças armadas israelitas divulgaram o que disseram ser os resultados preliminares da investigação a este duplo ataque.

As forças armadas alegaram que os soldados tinham como objetivo destruir uma câmara na área do hospital Nasser usada pelo Hamas para vigiar o exército israelita. Alegaram ainda que seis das pessoas mortas no ataque eram “terroristas”.

No entanto, a declaração não respondeu a questões básicas, principalmente por que razão Israel realizou um ataque duplo contra médicos e jornalistas e se alguém seria responsabilizado pela morte de civis.

A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. Isto para discutir a situação dos jornalistas em Gaza onde, desde outubro de 2023, já morreram quase 250 jornalistas.


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