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Portugal anuncia para fevereiro mais ajuda às vítimas das cheias em Moçambique

Portugal anuncia para fevereiro mais ajuda às vítimas das cheias em Moçambique

A secretária de Estado de Negócios Estrangeiros e Cooperação de Portugal anunciou hoje que chegará em fevereiro mais ajuda humanitária para as vítimas das cheias das últimas semanas em Moçambique, com mais de 700 mil afetados.

Lusa /

"No início de fevereiro está prevista uma ponta aérea humanitária que, em coordenação com a União Europeia, trará ainda 400 `kits` de higiene, 125 `kits` de cozinha e 15 tendas", disse aos jornalistas Ana Xavier, após a receção de uma aeronave com 36 militares que darão apoio nas operações de salvamento das vítimas das inundações no país africano.

Segundo a governante, a ajuda a chegar próximo mês resulta das necessidades identificadas no terreno pelas Organizações da Sociedade Civil em Portugal, a Cruz Vermelha portuguesa e pela Autoridade Nacional de Proteção Civil, e conta com a participação da organização Aga Khan e a União Europeia, assegurando que o apoio junta-se a duas outras iniciativas anunciadas e destacadas antes para Moçambique.

"Trata-se assim, portanto, de um apoio abrangente que será complementado, como disse, muito em breve, no início de fevereiro, onde também serão destacados dois peritos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Portugal", acrescentou.

Na quarta-feira, a secretária de Estado de Negócios Estrangeiros e Cooperação manifestou, em Maputo, a solidariedade de Portugal com Moçambique, face às cheias, numa altura em que também o país europeu foi atingido pelo mau tempo, reconheceu a governante.

"Mais uma vez, o Governo de Portugal, não obstante estar também neste momento empenhado a gerir as intempéries dos últimos dias no nosso país, está comprometido com Moçambique e sempre do lado dos moçambicanos", assegurou a governante.

Na ocasião, a ministra moçambicana dos Negócios Estrangeiros e Cooperação agradeceu o apoio prestado por Portugal a Moçambique, reconhecendo que o país africano está "numa fase de emergência", avançando ainda que poderá chegar ainda apoio dos Emirados Árabes Unidos, Alemanha e do Ruanda.

A Lusa noticiou na terça-feira que a ajuda que Portugal para Moçambique inclui um contingente de 36 militares, que hoje aterraram ao país africano, podendo ser aumentado até um máximo de 100 efetivos da Força de Reação Imediata (FRI), com várias valências, peritos, material e 300 mil euros, segundo o gabinete do primeiro-ministro português.

Seguirão ainda 300 mil euros, através do Camões -- Instituto da Cooperação e da Língua, uma verba já anunciada e que irá dar apoio à resposta humanitária, no quadro da coordenação pelas Nações Unidas/OCHA.

A organização Aga Khan anunciou quarta-feira que recolheu cerca de 20 toneladas de bens de primeira necessidade em Lisboa para enviar para Moçambique, devido às cheias que assolam o país desde outubro.

Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, há registo de 146 mortos, além de 148 feridos e de 820.984 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.

Prosseguem ações e tentativas de socorro de famílias sitiadas pelas cheias, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem descargas, por falta de capacidade de encaixe.

A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Noruega e Japão, além de países vizinhos, já enviaram ajuda humanitária de emergência.

Estão envolvidos nas operações de resgate mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.

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