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Powell confiante na manutenção de independência da Fed face à presidência

Powell confiante na manutenção de independência da Fed face à presidência

O presidente da Reserva Federal (Fed) norte-americana, Jerome Powell, declarou-se hoje confiante de que a independência do regulador face à presidência deverá manter-se, apesar das pressões de Donald Trump sobre as suas decisões. 

Lusa /

Numa conferência de imprensa após a decisão da Fed de manter as taxas de juro entre 3,50% e 3,75%, contrariando a insistência de Trump no sentido de uma descida, Powell respondeu afirmativamente quando questionado se estava confiante de o regulador manter a sua independência.

"O facto de não termos controlo direto por parte de autoridades eleitas é um arranjo institucional que tem funcionado a favor do povo. Se perdermos (essa independência), torna-se muito difícil restaurá-la. Não a perdemos e não acredito que isso vá acontecer", afirmou Powell

"Estou firmemente comprometido com isso, assim como os meus colegas", adiantou.

A inédita tentativa de Trump de destituir um membro da Fed, recentemente analisada pelo Supremo Tribunal numa audiência em que o presidente do regulador marcou presença, é "talvez o caso jurídico mais importante nos 113 anos de história da Fed", disse ainda Powell, confrontado com críticas do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que classificou como um "erro" a comparência do presidente do banco central.

"Refletindo sobre o sucedido, percebi que teria dificuldades em explicar a minha ausência", acrescentou Powell sobre a audiência de 21 de janeiro do caso de Lisa Cook.

Trump, defensor da redução das taxas de juro para estimular a economia, tem travado uma disputa de poder com Powell, insultando e questionando este publicamente, além de o Departamento de Justiça ter aberto um inquérito criminal contra o presidente da Fed pelos custos, alegadamente excessivos, da renovação da sede da instituição em Washington.

O mandato de Powell termina em maio do próximo ano e Trump sugeriu que está perto de nomear um novo presidente da Fed. 

Segundo a agência AP, o anúncio pode ser feito já esta semana, embora tenha sido adiado anteriormente. 

A Fed decidiu hoje manter as taxas de juro entre 3,50% e 3,75%, pausando, assim, um ciclo de descidas, anunciou a entidade, em comunicado após uma reunião de dois dias, a primeira do ano.

A Fed apontou que a "incerteza quanto às perspetivas económicas continua elevada", referindo que está atenta "aos riscos para ambos os lados do seu duplo mandato", ou seja, máximo emprego e uma inflação a 2%.

No ano passado, o banco central norte-americano reduziu as taxas de juro três vezes, em setembro, outubro e dezembro.

"Os indicadores disponíveis sugerem que a atividade económica tem vindo a expandir-se a um ritmo sólido", destacou a entidade liderada por Jerome Powell, apontando que o crescimento do emprego se tem "mantido baixo e a taxa de desemprego tem mostrado alguns sinais de estabilização", sendo que a "inflação continua um pouco elevada", referiu, no comunicado emitido no final da reunião de dois dias do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC).    

A ação não foi unânime, tendo votado contra Stephen I. Miran e Christopher J. Waller, que preferiram reduzir a meta para a taxa de juros dos fundos federais em 0,25 pontos percentuais nesta reunião. 

Miran foi nomeado Trump em setembro, e tinha votado contra nas três reuniões anteriores, defendendo um corte de meio ponto percentual. 

Waller está entre os potenciais próximos presidentes da Fed avaliados pela Casa Branca.

A decisão da Fed de manter as taxas inalteradas irá provavelmente alimentar ainda mais as críticas de Trump.

Na conferência de imprensa, Powell foi questionado sobre outra política de Trump, de aumento das tarifas alfandegárias, e concretamente se esta já se tinha refletido na inflação. 

"Grande parte já se refletiu", disse Powell, acrescentando que a Fed geralmente considera os impostos de importação como um aumento de preço pontual.

"A expectativa é que vejamos os efeitos das tarifas a propagarem-se pelos preços das mercadorias, atingindo um pico e depois começando a cair, desde que não haja novos aumentos tarifários significativos", adiantou Powell.

Esta, referiu, é a tendência que o banco central norte-americano espera "observar ao longo deste ano". 

"Os riscos ascendentes para a inflação e os riscos descendentes para o emprego diminuíram, mas ainda existem. Portanto, ainda existe alguma tensão entre os objetivos. Estão perfeitamente equilibrados? É difícil dizer, mas acreditamos que a política monetária está numa boa posição", referiu.

Em geral, segundo o presidente da Fed, foram detetados "alguns sinais de estabilização, incluindo um arrefecimento (no mercado de trabalho)" desde o mês passado, embora "a perspetiva para a atividade económica tenha melhorado claramente desde a última reunião".

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