PR de Cabo Verde recorda "exemplo de superação" de João "Johnson" Semedo

por Lusa

O Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, lamentou hoje a morte de João Semedo Tavares, fundador da Academia do Johnson e que trabalhava com jovens de bairros carenciados na Grande Lisboa, recordando-o como "exemplo de superação".

"Aquando da minha visita de Estado a Portugal, em julho passado, João Semedo Tavares recebeu-nos em grande, na Academia do Johnson (Amadora), criada por ele, para apoiar, através de atividades desportivas, sociais e culturais, crianças e jovens de bairros desfavorecidos da Grande Lisboa", recordou, numa mensagem colocada na sua conta oficial na rede social Facebook, José Maria Neves.

O chefe de Estado cabo-verdiano descreve João Semedo Tavares como "exemplo de superação", que "trabalhou arduamente para servir a comunidade e tirar as pessoas da pobreza material e espiritual".

"Fez o bem lá onde pôde, mobilizando parcerias públicas e privadas", afirmou o Presidente cabo-verdiano.

"Perdemos um Homem de bem, sob o signo `somos aquilo que fazemos`. Descansa em paz, João. A Academia Johnson eternizará o teu nome. És um gigante", disse ainda José Maria Neves.

O fundador da Academia do Johnson, João Semedo Tavares, que trabalhava com jovens de bairros carenciados na Grande Lisboa, morreu hoje aos 50 anos de idade devido a problemas de saúde, disse à Lusa fonte familiar.

Inspirador para centenas de crianças e jovens, que há anos apoiava através de atividades desportivas e sociais, João Semedo Tavares ficou conhecido por assumir a sua passagem pela prisão e disso ter feito uma lição de vida, que procurou transmitir.

Nos últimos anos concretizou o seu projeto de apoiar as crianças e os jovens de bairros desfavorecidos, nomeadamente na Amadora (distrito de Lisboa), através da educação e do desporto e com a criação da Academia do Johnson.

Também realizou várias palestras, através das quais contou o seu percurso, revelando aos mais jovens que o crime não compensa e que o futuro passa pela educação e pelo desporto, como o futsal, modalidade de que era jogador e treinador.

Nascido em São Tomé e Príncipe e criado no bairro da Cova da Moura, na Amadora, João Semedo saiu de casa aos 09 anos, idade com que se iniciou no mundo da droga, para ir viver nas ruas com amigos.

O vício levou-o depois para o mundo da criminalidade e, aos 18 anos, acabou por ser condenado a uma década de prisão, conseguindo mudar de vida depois de sair da cadeia.

João Semedo trabalhou também com jovens na Associação Moinho da Juventude, na Cova da Moura, e em casas de acolhimento para jovens em risco, e foi motorista na agência Lusa. Lançou, pela Alêtheia Editores, o livro "Estou Tranquilo", relatando a sua experiência de vida.

O seu lema "Somos aquilo que fazemos!" foi multiplicado nos últimos anos em vários espaços sociais, com o propósito de demonstrar que as ações de cada um constroem aquilo em que cada um se torna.

O objetivo da Academia do Johnson, conforme é apresentado no seu `site`, é "melhorar a vida dos jovens e dar-lhes as ferramentas de que precisam para se tornarem adultos felizes e com sucesso".

A associação foi este mês distinguida com uma menção honrosa do Prémio Manuel António da Mota.

João Semedo, que se empenhou em fazer a "diferença na vida destes jovens", morreu às 06:00 de hoje em casa, rodeado da família.

Desde que a notícia da morte de Johnson, como era conhecido, foi conhecida, têm-se multiplicado as mensagens de pesar nas redes sociais, nas quais o seu papel e amizade são recordados por muitos.

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