PR moçambicano cancela lançamento de autobiografia face a cheias e inundações
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, cancelou o lançamento da sua autobiografia, prevista para hoje e relatando a experiência em cativeiro, na guerra civil, face à situação de cheias e inundações no país.
"Tomamos esta decisão com elevado sentido de responsabilidade, sensibilidade humana e solidariedade nacional, por acreditarmos que a vida e o bem-estar do nosso povo estão acima de qualquer ato celebrativo", referiu o Presidente moçambicano, numa mensagem publicada na sua página do Facebook, acrescentando que as receitas da venda do livro serão integralmente destinadas ao apoio às vítimas das intempéries que assolam o país.
O livro autobiográfico de Daniel Chapo - quinto Presidente de Moçambique, empossado em 15 de janeiro de 2025, e o primeiro nascido após a independência -, intitulado "Do Cativeiro à Presidência da República", que deveria ser lançado hoje, em Maputo, relata o seu percurso pessoal e profissional, desde a infância, e a experiência do cativeiro durante a guerra dos 16 anos, até à ascensão às mais altas funções do Estado.
"A minha mãe carregou dez filhos num seu ventre camponês e eu sou o sexto da longa lista, cuja enumeração está prenhe de infortúnios que concorrem para diluir as contas dela sobre a real qualidade dos seus rebentos. Dos dez filhos da minha mãe, ficamos apenas três", lê-se no primeiro capítulo do livro.
Na publicação de hoje, o Presidente moçambicano refere encontrar-se em trabalho nas zonas afetadas pelas chuvas intensas, para acompanhar de perto a situação e reforçar a mobilização de apoio às famílias atingidas.
Até hoje, pelo menos 103 pessoas morreram e 173 mil foram afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, registando-se a destruição total de 1.160 casas, avançou hoje o Governo, que decretou alerta vermelho nacional.
"No período que vai de 22 de dezembro a 15 de janeiro de 2026, o país registou lamentavelmente oito óbitos de compatriotas nossos, que eleva para 103 o número de óbitos de toda a época chuvosa", disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no fim da sessão extraordinária para avaliar a situação.
Segundo o novo balanço do executivo moçambicano, além das mais de 173 mil pessoas afetadas, as chuvas já destruíram totalmente 1.160 casas e mais de 4.000 ficaram parcialmente inundadas, face às chuvas intensas registadas em todo o país.
A atual época de chuvas, que começou em outubro e vai até abril, tem sido marcada por alertas, principalmente nas zonas do centro e do sul do país, com as autoridades a ativarem ações de antecipação às cheias e inundações.