PR moçambicano pede respeito pelas instruções das autoridades para evitar mais danos nas cheias
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, pediu hoje aos cidadãos para cumprir as recomendações das autoridades para travar mais danos humanos devido às cheias, elogiando "heroicismo" no resgate às vítimas das inundações.
"Apelamos a todos os cidadãos a cumprir rigorosamente as medidas recomendadas pelas autoridades competentes para evitar danos humanos e materiais causados por desastres naturais", disse o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, nas celebrações de 03 de fevereiro, dia dos Heróis.
"Nas operações de resgate, temos registado atos de verdadeiro heroicismo que merecem ser exaltados nesta data dedicada aos heróis moçambicanos", elogiou o chefe do Estado.
Chapo reconheceu que o país celebra o dia dos Heróis nacionais num contexto "bastante adverso" condicionado pelas cheias de grandes proporções nas últimas semanas, com mais de 720 afetados.
"O [dia] 03 de fevereiro deste ano é celebrado num contexto bastante adverso, em que milhares de famílias moçambicanas ainda choram a morte dos seus entes queridos e a destruição de infraestruturas público-privadas como consequência das cheias de grandes proporções que se abateram sobre as regiões sul e centro do país, principalmente", referiu o chefe de Estado moçambicano, durante a comunicação à nação alusiva ao Dia dos Heróis moçambicanos.
Ao discursar na Praça dos Heróis, Chapo saudou a solidariedade prestada às vítimas das inundações, numa assistência movida, em primeira instância, pelo povo moçambicano, elogiando esforços coletivos na resposta à emergência.
"Saudamos igualmente a onda de solidariedade dos países amigos e irmãos, organizações multilaterais, que marcaram a sua presença e continuam a mostrar a sua solidariedade vindo de todos os continentes", enalteceu o Presidente moçambicano.
O Estado moçambicano consagrou o dia 03 de fevereiro como Dia dos Heróis em homenagem ao fundador da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, Eduardo Mondlane, assassinado nesta data em 1969, quando uma bomba escondida num livro que tinha nas mãos explodiu.
A morte de Eduardo Mondlane foi considerado um atentado atribuído à extinta Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), entidade do regime colonial português, contra o qual a Frelimo lutou por 10 anos até à independência, em 1975.
O número de mortos nas cheias de janeiro em Moçambique subiu para 23, com 723.410 afetados, de acordo com dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Segundo informação da base de dados do INGD, com informação até às 19:00 (17:00 de Lisboa) de segunda-feira, as cheias que se registam em vários pontos de Moçambique já afetaram o equivalente a 170.253 famílias.
Desde 07 de janeiro, foram registados ainda 112 feridos e nove desaparecidos na sequência destas cheias, além de 3.548 casas parcialmente destruídas, 817 totalmente destruídas e 165.946 inundadas, agravando os números anteriores.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 153 mortos, além de 254 feridos e de 844.372 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.
Em 16 de janeiro, o Governo decretou o alerta vermelho nacional.
De acordo com os dados atualizados, estão atualmente ativos 77 centros de acomodação, com 76.251 pessoas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas desde 07 de janeiro 229 unidades sanitárias e 316 escolas, cinco pontes e 1.992 quilómetros de estrada.
O registo do INGD aponta também para 440.842 hectares de área agrícola afetados, dos quais 275.405 dados como perdidos, atingindo a atividade de 314.780 agricultores, além da morte de 408.115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega e Japão, além de países vizinhos, já enviaram ajuda humanitária de emergência.