PR pede competência à polícia moçambicana e diz que cidadãos não podem recear raptos

por Lusa

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, reconheceu hoje a necessidade de reforçar a competência da polícia moçambicana e que os cidadãos devem poder exercer a sua atividade em "total segurança", sem recear raptos ou sequestros.

"Queremos que o cidadão possa exercer as suas atividades produtivas em total ambiente de segurança e que os investidores se sintam seguros para libertar a sua iniciativa empreendedora sem temer o risco de assaltos, raptos, sequestros ou perda das suas propriedades", afirmou Nyusi, após presidir à abertura do conselho coordenador do Ministério do Interior, que se realiza hoje em Maputo.

"A complexidade do trabalho do Ministério do Interior impõe a necessidade do contínuo ajustamento da sua atuação aos padrões internacionais em todos os domínios, técnicos, táticos, científicos e estratégicos", acrescentou.

Reconheceu que o "cenário" atual remete para a "necessidade de se investir na elevação da competência e capacidade operacional" da polícia: "Ao realizar o seu conselho coordenador, orientei hoje a este ministério a estar atento à necessidade de treinamento dos recursos humanos enquanto elementos cruciais para a garantia da ordem, segurança e tranquilidade públicas".

A cidade de Maputo vive há algumas semanas uma nova onda de raptos, sobretudo de empresários, com registo de dois luso-moçambicanos visados no último mês e suspeitas de envolvimento de agentes ligados à investigação policial neste tipo de crime.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português confirmou hoje à Lusa que o Consulado-Geral de Maputo está a acompanhar a tentativa de rapto de um cidadão luso-moçambicano, ocorrido na segunda-feira, o segundo caso num mês.

"O Consulado-Geral em Maputo acompanha a situação da tentativa de rapto de um cidadão luso-moçambicano. As autoridades moçambicanas tomaram conta da ocorrência", refere fonte oficial do MNE, em resposta a uma pergunta da Lusa.

Um comerciante luso-moçambicano foi ferido a tiro por desconhecidos que o tentaram raptar na segunda-feira, no centro da cidade de Maputo, crime frustrado graças à intervenção da população.

"Quatro homens munidos com uma pistola e uma arma AKM tentaram raptar um comerciante ao princípio da noite de segunda-feira, na cidade de Maputo, e perante a resistência da vítima e a intervenção de populares, acabou baleado na perna", disse Leonel Muchina, porta-voz da polícia na capital de Moçambique.

O rapto foi impedido por populares, que arremessaram pedras contra os autores do crime, tendo estes fugido, acrescentou Muchina.

Num outro caso, um grupo de três homens armados raptou na manhã de dia 01 de novembro uma jovem luso-moçambicana de 26 anos, quando esta saía da sua casa em Maputo, cerca das 07:50 locais (05:50 em Lisboa), com a intenção de se dirigir a um ginásio, segundo o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), Lionel Muchina, em declarações à Lusa no dia do rapto.

"A situação está a ser acompanhada através dos postos diplomáticos e consulares em Maputo, que estão em contacto com a família", disse anteriormente fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros à Lusa.

Neste caso, a jovem luso-moçambicana permanece em cativeiro até hoje.

Na semana passada, seis pessoas foram detidas por alegada participação numa tentativa de rapto do empresário moçambicano Juneid Lalgy, no dia 08 de novembro, avançou anteriormente o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic).

O porta-voz do Sernic na província de Maputo, Henrique Mendes, disse que os seis homens simularam um acidente de viação para abalroar a viatura de Lalgy e tentar raptar o empresário.

No dia 17 deste mês, um empresário moçambicano ligado ao ramo automóvel foi raptado por homens desconhecidos na cidade de Maputo.

A Confederação das Associações Económicas (CTA), a maior associação patronal do país, defendeu no início de novembro, face a esta nova onda de casos, penas de prisão "mais severas" contra raptores e "sem pagamento de caução" para travar estes crimes.

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