A importância da saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP
É um acontecimento muito significativo que os Emirados Árabes Unidos (EAU) tenham anunciado a sua saída abrupta da OPEP, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Os emirados eram membros mesmo antes de se tornarem um Estado-nação em 1971, considera o editor de economia da BBC, Faisal Islam.
Embora a produção da OPEP seja dominada pela Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos (EAU) possuíam a segunda maior capacidade de produção ociosa. Por outras palavras, eram o segundo produtor de equilíbrio mais importante, capaz de aumentar a produção para ajudar a aliviar os preços.De facto, foi precisamente isto que levou a reconsiderações a longo prazo da posição dos EAU. Simplificando, os Emirados Árabes Unidos queriam utilizar a considerável capacidade em que tinham investido.
As quotas da OPEP limitavam a sua produção a 3-3,5 milhões de barris por dia. Os sacrifícios decorrentes da adesão à Organização dos Países Exportadores de Petróleo, em termos de perda de receitas, estavam a ser feitos de forma desproporcionada pelos EAU.
No entanto, segundo o editor de economia da BBC, Faisal Islam, o timing desta decisão sugere consequências da guerra com o Irão. A tensão no Golfo afetou a relação dos EAU com o Irão e pode afetar a sua já tensa relação com a Arábia Saudita.
Quanto à OPEP, este é um grande golpe numa altura em que se colocam questões significativas sobre a sua coesão a longo prazo.
“Guerra” de preços entre Abu Dhabi e Riade
Não se trata apenas da possibilidade de os Emirados Árabes Unidos, puderem retomar totalmente o fornecimento do seu petróleo ao mercado por via marítima ou por oleoduto, provavelmente procurarão uma produção de cinco milhões de barris por dia. A Arábia Saudita pode responder com uma guerra de preços do petróleo que a economia mais diversificada dos EAU poderia suportar, mas outros membros mais pobres da OPEP talvez não.
Altos funcionários dos Emirados Árabes Unidos falam sobre novos oleodutos a partir dos campos petrolíferos dos Emirados Árabes Unidos em Abu Dhabi, contornando o Estreito de Ormuz e seguindo em direção ao porto subutilizado de Fujairah.
Já existe um oleoduto em uso intenso atualmente, mas será necessária mais capacidade para lidar com o aumento da produção e com a mudança permanente na fluidez e no custo do tráfego de petroleiros no Golfo.Para já, é claro, durante o duplo bloqueio do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, este não é o principal acontecimento nos mercados petrolíferos, afetando os preços do petróleo, gás, gasolina, plásticos e alimentos.
Embora o mundo esteja compreensivelmente focado no petróleo a 110 dólares por barril, esta é, no entanto, uma razão para não descartar a possibilidade de que possa estar mais próximo dos 50 dólares algures no próximo ano – se a situação no Estreito for resolvida, por exemplo, a tempo das eleições intercalares nos EUA ainda este ano.
A OPEP é menos importante para os mercados petrolíferos mundiais do que era na década de 1970, sendo que a quota de 85% do petróleo comercializado internacionalmente que detinha nessa altura era hoje algo em torno dos 50%.
O petróleo é também menos crucial para a economia mundial do que era na década de 1970. A OPEP tem influência agora, mas não um monopólio. Não pode, por assim dizer, manter o mundo refém.
Hidrocarbonetos serão substituídos por outras fontes de energia
Faisal Islam recorda que ouviu o antigo ministro saudita do Petróleo, Sheikh Yamani a afirmar que, “a Idade da Pedra não terminou porque o mundo ficou sem pedras. A Era do Petróleo não terminará porque o mundo ficará sem petróleo." Isto prenuncia um mundo onde os hidrocarbonetos serão substituídos por outras fontes de energia.
Uma forma de interpretar a ação dos EAU é como um sinal de um mundo com menor dependência do petróleo, e outros indícios surgiram no contexto atual: os investimentos da China na eletrificação ajudaram a amortecer o impacto económico da subida dos preços do petróleo e do gás.
Segundo alguns cálculos, a eletrificação de automóveis, camiões e comboios na China reduziu a procura de petróleo na segunda maior economia do mundo em um milhão de barris por dia. A procura global de petróleo poderá atingir um nível estável à medida que esta tendência se acelera em todo o mundo.
Neste caso, faz sentido angariar o máximo de dinheiro possível com as reservas de petróleo o mais rapidamente possível, antes que a procura entre em colapso. Os Emirados Árabes Unidos possuem poderio financeiro e uma economia parcialmente diversificada, através dos serviços financeiros e do turismo.
Muito dependerá de como será o novo normal quando as hostilidades no Golfo cessarem.
A saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP poderá desencadear um efeito dominó, e haverá uma pressão considerável sobre a Arábia Saudita.Quando os petroleiros voltarem a atravessar o Estreito, ou se os EAU intensificarem os seus esforços para construir novos oleodutos, o petróleo dos Emirados Árabes Unidos fluirá como nunca antes, sem as restrições impostas pelos compromissos da OPEP.
Isto terá pouco efeito sobre os bloqueios atuais. Mas poderá mudar tudo mais tarde.
Trump afirma que "Irão não se consegue organizar" e que "acabou o senhor simpático"
“O Irão não consegue organizar-se. Não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor que se habituem logo! Presidente DJT”, escreveu o inquilino da Casa Branca na rede social, acrescentado, em maiúsculas, que, “ACABOU O SENHOR SIMPÁTICO!"
Na publicação, Donald Trump coloca uma fotografia sua de gravata preta, óculos escuros e a carregar uma espingarda de assalto, num cenário de guerra.
A partilha surge numa altura em que as negociações entre Washington e Teerão estão completamente paralisadas há vários dias.
Von der Leyen defende uma Europa eletrificada
“Este é o momento de eletrificar a Europa”, desafiou Ursula von der Leyen, num debate no Parlamento Europeu (PE), adiantando que até ao verão o executivo que lidera irá apresentar um Plano de Ação para a Eletrificação, “com uma meta ambiciosa”.
A presidente da Comissão referiu que os 95 mil milhões de euros ainda disponíveis no orçamento da União Europeia (UE) para a energia serão destinados “a fazer a transição para a eletricidade – não apenas nos transportes, mas também na indústria e no aquecimento”, salientando que se trata de segurança económica.
"Em 2022, o gás determinou os nossos preços de eletricidade durante 70% do tempo, hoje, este valor desceu para os 30%, disse também, alertando, por outro lado, para que “a eletricidade ainda representa menos de um quarto do consumo de energia final".
Von der Leyen referiu ainda que as medidas de apoio a cidadãos e empresas “devem ser direcionadas exclusivamente para os agregados familiares e os setores mais vulneráveis – e evitar aumentar a procura de gás e petróleo”, apelando para uma concentração das ajudas “onde é mais importante”.
Preço do petróleo Brent ultrapassa os 112,50 dólares por barril
O preço do petróleo Brent para entrega em junho, que estava estável hoje ao início da manhã, recuperou, subindo mais de 1% para mais de 112,50 dólares por barril, enquanto o mercado continua focado no conflito no Médio Oriente.
Às 09:30 (08:30 em Lisboa), o Brent, referência europeia para o crude, subia 1,11% no mercado de futuros de Londres, atingindo os 112,51 dólares, marcando a sua oitava sessão consecutiva de ganhos.
Na terça-feira, depois de os Emirados Árabes Unidos (EAU) terem anunciado a sua saída da OPEP e da OPEP+ a partir de 01 de maio, o Brent subiu 2,8% para mais de 111 dólares.
Entretanto, as conversações de paz entre os Estados Unidos e o Irão continuam paralisadas, assim como o bloqueio do Estreito de Ormuz.
Por sua vez, o crude West Texas Intermediate (WTI), a referência dos EUA, também subiu hoje, ganhando 0,95% para 100,68 dólares por barril.
A 09 de março, dias após o início do conflito no Médio Oriente (a 28 de fevereiro), o crude Brent atingiu os 119,50 dólares, o seu preço mais elevado desde 2022.
Lucro trimestral da TotalEnergies dispara, impulsionado pela subida dos preços do petróleo
O crescimento da produção de gás e petróleo permitiu ao grupo compensar as perdas na região do Golfo, equivalentes a 15% dos seus negócios globais de petróleo e gás, afirmou a empresa em comunicado, destacando ainda "a sua capacidade de capitalizar sobre a subida dos preços".
Cazaquistão afirma que não considera abandonar a OPEP+
Aeroporto de Heathrow alerta que guerra com o Irão afetará o número de passageiros em 2026
O maior aeroporto do Reino Unido reiterou uma perspetiva incerta para o ano, mas informou que 18,9 milhões de passageiros viajaram pelo aeroporto no oeste de Londres no primeiro trimestre, um aumento de 3,7 por cento em relação ao ano anterior.
Realizador iraniano Ali Asgari trocaria o cinema pela paz
O realizador Ali Asgari, prestes a estrear o mais recente filme em Portugal, disse à Lusa que gostaria que o povo do Irão pudesse ter paz e felicidade, e que abdicaria do cinema se isso pudesse ser uma troca.
O filme "Divina Comédia", que se estreou em Veneza no ano passado e chega quinta-feira a salas portuguesas de cinema pela Nitrato Filmes, aborda, com traços de sátira, o caso de um realizador que vê o seu filme proibido pelas autoridades iranianas e tenta projetá-lo de qualquer maneira, de forma clandestina, em Teerão.
Em entrevista à Lusa antes do começo da 3.ª edição do Festival Internacional de Cinema da Maia, que começa hoje e prossegue até sábado naquele concelho do distrito do Porto, e onde Asgari vai estar em destaque, o cineasta contou que não pede permissão às autoridades para filmar porque sempre acreditou que "é muito importante ter esta liberdade de expressão" e escrever o que considera ser o melhor para si e para a mensagem que pretende transmitir.
No cinema de Asgari, a cidade natal do realizador, Teerão, é, em si mesma, uma personagem, com os seus 15 milhões de habitantes, as ruas, as lojas e uma desigualdade que se aprofunda entre ricos e pobres.
"A cidade está cheia de histórias diferentes, de pessoas diferentes com culturas diferentes. Estão a cruzar-se. Ao mesmo tempo, durante anos, os filmes do Irão aconteciam em aldeias e em pequenos lugares. Decidi, por ter nascido em Teerão e por ter crescido lá, [filmar na cidade]", explicou o realizador.
Questionado sobre o impacto da guerra, o cineasta -- que já chegou a ter o passaporte retido por meses - realçou que os milhares de mortos nos protestos de janeiro terão causado ainda mais repercussões do que a guerra lançada pelos Estados Unidos da América e Israel sobre a sociedade iraniana, "porque o povo sofreu muito com o que aconteceu, muita depressão, muita tristeza, e isso afetou a vida de toda a gente no Irão".
"Penso que os cineastas, mais do que nunca, pensaram numa forma diferente de fazer cinema. Porque não é fácil testemunhar uma tragédia e depois fazer as mesmas coisas que fazias antes", disse Ali Asgari.
Sobre se o conflito, que levou a uma reação do Irão sobre os seus vizinhos regionais, poderia trazer contrariedades aos realizadores na divulgação do seu trabalho no exterior, o cineasta disse acreditar que tal não acontecerá.
"O que estamos a fazer é falar sobre a verdade. [...] A verdade é algo que as pessoas esperam ouvir. [...] Mas, acima de tudo, não é tão importante agora pensar em termos de quem é que é mais afetado ou não", afirmou o realizador de "Versos Terrenos".
Para Asgari, "mais que tudo, o importante é que as pessoas no Irão encontrem paz, encontrem felicidade".
O realizador afirmou que preferia não fazer filmes o resto da vida, mas que o povo, a sua família, a sua mãe, tivessem "uma vida tranquila, em paz e felicidade".
Vencedor de vários prémios internacionais, incluindo no festival de curtas-metragens de Évora FIKÉ em 2013, e nomeado em dezenas de ocasiões, com várias passagens pelo Curtas de Vila do Conde, o trabalho de Asgari já passou por alguns dos principais festivais mundiais, de Berlim a Cannes, onde o cineasta vai regressar em maio, como elemento do júri da competição de curtas-metragens e da secção La Cinef, dedicada a cineastas emergentes.
Segundo a Nitrato, "Divina Comédia" vai estar a partir de quinta-feira em salas de Castelo Branco, Coimbra, Lisboa, Portimão e Porto.
Amnistia defende acordo de paz regional duradouro e sustentável
A Amnistia Internacional defendeu hoje que "um cessar-fogo regional duradouro, sustentável e abrangente", incluindo todos os países afetados pelo conflito, deve substituir as frágeis e temporárias tréguas entre Estados Unidos e Irão, Israel e Líbano.
Segundo a organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos, Portugal, por sua vez, tem "a responsabilidade e o dever moral de contribuir para o fim deste conflito", pelo que "deve cessar urgentemente qualquer apoio militar aos Estados Unidos que possa tornar possíveis quaisquer violações do direito internacional".
Num comunicado, a Amnistia sustentou que só assim se poderá impedir "mais sofrimento catastrófico entre a população civil e abrir caminho para a justiça, o respeito pelo direito internacional e a proteção a longo prazo dos direitos humanos para todos".
"Apesar da redução das hostilidades armadas, este continua a ser um momento crítico e profundamente precário para os civis em todo o Médio Oriente: ambos os atuais acordos de cessar-fogo são frágeis, temporários e correm o risco de ruir a qualquer momento, colocando, mais uma vez, em perigo a vida de milhões de civis", sublinhou a organização.
"Os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão continuam a trocar ameaças e a realizar ataques e apresamentos de navios no estreito de Ormuz; no Líbano, tal como tem acontecido desde 2024, o mais recente cessar-fogo levou a uma redução, mas não ao fim das hostilidades, e as forças militares israelitas permaneceram em território libanês, ordenando aos residentes de dezenas de aldeias nas zonas fronteiriças que não regressassem", descreveu, no comunicado.
E no Irão, "entretanto, os civis enfrentam o duplo risco de crimes atrozes associados a um recomeço dos ataques ilegais dos Estados Unidos e de Israel, bem como de uma repressão mortal por parte das autoridades" do regime teocrático, acrescentou.
Para a Amnistia Internacional, "os ataques dos EUA e de Israel ao Irão, a 28 de fevereiro, foram ilegais, violando a proibição do uso da força prevista na Carta das Nações Unidas, e desencadearam atos ilegais por parte das autoridades iranianas em retaliação".
"Desde então, mais de 5.000 pessoas foram mortas e milhões de civis em todo o Médio Oriente viram as suas vidas viradas do avesso, à medida que conflitos relacionados se intensificaram na região e civis e infraestruturas civis foram alvo de ataques", prosseguiu a ONG.
"Todas as partes, incluindo os EUA, Israel, o Irão e o [movimento xiita libanês] Hezbollah, lançaram ataques ilegais, demonstrando um desprezo arrepiante pela vida humana, enquanto o Presidente dos EUA proferiu ameaças descaradas de cometer crimes de guerra e até mesmo genocídio, ameaçando `aniquilar uma civilização inteira` no Irão", vincou.
De acordo com a secretária-geral da Amnistia, Agnès Callamard, "a comunidade internacional deve agora traçar uma linha vermelha: tem de haver um cessar-fogo duradouro e genuíno", o que "requer a cessação total das hostilidades armadas por todas as partes, em todos os países afetados".
Os conflitos armados "alastraram rapidamente a 12 países, pondo em risco a vida e a saúde de milhões de civis, com ataques que devastaram habitações civis e infraestruturas essenciais, prejudicando o ambiente e desencadeando ondas de choque económicas sentidas em toda a região e no mundo", referiu a organização.
"Um cessar-fogo sustentável e duradouro é o único caminho credível para proteger os civis e abrir caminho para a segurança a longo prazo, a proteção dos direitos humanos e a justiça para todos na região --- incluindo no Irão, no Líbano, em Israel, nos Territórios Palestinianos Ocupados e nos Estados do Golfo" Pérsico, defendeu Callamard.
Segundo a responsável, "um cessar-fogo que não seja acompanhado por soluções de longo prazo que salvaguardem os direitos humanos e abordem as causas profundas é pouco mais do que um remendo temporário numa ferida profunda".
"Isto é particularmente verdade no Irão, onde a população continua em risco de novas atrocidades às mãos das autoridades da República Islâmica, e no Líbano, onde os civis enfrentam a perspetiva de um conflito renovado, deslocações indefinidas de civis e a destruição das suas casas", afirmou.
Perante a "erosão perigosa e contínua da ordem jurídica internacional e do respeito pelo direito internacional humanitário" a que estamos a assistir, a secretária-geral da Amnistia sustentou que "a comunidade internacional deve investigar exaustivamente os ataques ilegais dos EUA e de Israel contra o Irão, que violam a Carta das Nações Unidas e constituem crimes ao abrigo do direito internacional, e garantir que os Estados e os indivíduos sejam responsabilizados".
Quanto ao Governo português, o diretor executivo da Amnistia Internacional -- Portugal, João Godinho Martins, defendeu que, depois de ter contribuído para a continuação desta guerra, "através do seu apoio político e militar aos EUA", deve agora assumir "um papel crucial na manutenção de um cessar-fogo sustentável e duradouro".
"Portugal tem de fazer a sua parte. Portugal tem a responsabilidade e o dever moral de contribuir para acabar com este conflito e, acima de tudo, garantir que não contribui para violações do direito internacional", afirmou João Godinho Martins.
"Para assegurar o cumprimento das suas obrigações internacionais, Portugal deve cessar urgentemente qualquer apoio militar aos Estados Unidos que possa tornar possíveis quaisquer violações do direito internacional, suspendendo imediatamente as transferências de armas para qualquer parte envolvida no conflito atual, e recusar a disponibilização da Base das Lajes e do espaço aéreo nacional para apoiar operações militares norte-americanas na região, e no quadro do atual acordo bilateral com os EUA", precisou.
Para o responsável da Amnistia em Portugal, "o Governo português deve enviar sinais claros, de forma coerente e sem discriminação entre partes, de que todos os Estados estão obrigados a cumprir os seus compromissos ao abrigo do direito internacional, defendendo a importância dos sistemas multilaterais, e usando todos os mecanismos ao seu alcance para pressionar os perpetradores, nomeadamente votando a favor da suspensão do Acordo de Associação União Europeia-Israel".
Bloqueio naval deixa 20 navios retidos em importante porto iraniano
Este porto é um importante centro de comércio com países do Sul e Centro da Ásia, noticiou a agência Efe.
"Antes do bloqueio americano ao Irão, o porto de Chah Bahar tinha uma média de cinco navios ancorados diariamente. Hoje, mais de 20 embarcações permanecem retidas", indicou o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) na rede social X.
As Forças Armadas norte-americanas acrescentaram que o bloqueio naval aos portos iranianos, em vigor desde 13 de abril, praticamente paralisou o comércio da República Islâmica.
O porto de Chah Bahar é considerado estratégico por ser a única saída do Irão para o oceano Índico, permitindo ao país manter rotas comerciais sem depender do Estreito de Ormuz.
Além disso, serve como corredor fundamental para o Afeganistão e para a Ásia Central, facilitando o intercâmbio de mercadorias na região.
O Centcom intercetou hoje de manhã um navio comercial no mar Arábico por suspeita de se dirigir para o Irão, embora tenha sido libertado depois de se ter constatado que não tinha como destino um porto iraniano.
Na segunda-feira, o Centcom informou que um contratorpedeiro da Marinha dos EUA deteve o petroleiro M/T Stream, de bandeira iraniana, somando-se a pelo menos dois navios de carga iranianos apreendidos nas semanas anteriores em operações americanas.
O bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos persiste, enquanto as negociações para um acordo continuam paralisadas, após o adiamento da segunda ronda de negociações, agendada para o passado fim de semana em Islamabade.
As autoridades da República Islâmica exigiram que Washington termine o bloqueio do Estreito de Ormuz como condição para o avanço das negociações sobre o fim do conflito.
(Lusa)