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Presidente da Comissão Europeia visada por manifestantes pró-Palestina

por Lusa
Toms Kalnins - EPA

A presidente da Comissão Europeia (CE) foi hoje interrompida por manifestantes pró-Palestina, que a acusaram de "ajudar no genocídio em Gaza", numa conferência em Bruxelas onde afirmou que a Europa deve "ir mais longe" na sua defesa.

"É altura de a Europa acordar no que diz respeito à defesa e à segurança. Porque o que está em jogo é imenso", declarou Ursula von der Leyen, perante uma plateia de industriais e especialistas do sector.

Quando se preparava para fazer este discurso, foi interrompida por um manifestante que a acusou de "ajudar no genocídio em Gaza" e de dar "total apoio a Israel no início deste genocídio".

"O sangue das crianças palestinianas está nas suas mãos", gritou o manifestante, que também apelidou von der Leyen de "criminosa" e proclamou "Libertem a Palestina", antes de ser retirado da sala, segundo a agência noticiosa EFE.

Após o incidente, a presidente da Comissão Europeia afirmou que a "ameaça de guerra pode não ser iminente, mas não é impossível", pelo que deve haver preparação.

Von der Leyen recordou o ataque do Irão a Israel, "a mais recente declaração de intenções da nova coligação de regimes autoritários", que se estende do Irão à Rússia.

"Temos de começar a trabalhar no futuro da nossa arquitetura de segurança - com a rapidez e a vontade política necessárias", insistiu.

No outono passado, a Comissão Europeia propôs uma nova estratégia de defesa dotada de 1,5 mil milhões de euros para ajudar os fabricantes do sector a trabalharem melhor em conjunto e a produzir na Europa.

A invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, deu-se após décadas de cortes no orçamento da defesa dos países europeus, tendo os 27 respondido com várias iniciativas, mas com dificuldades em satisfazer as necessidades mais urgentes da Ucrânia.

O atual conflito em Gaza começou a 07 de outubro, depois de islamitas palestinianos do Hamas realizarem em território israelita um ataque de proporções sem precedentes, fazendo 1.163 mortos, na maioria civis, e 250 reféns, segundo as autoridades israelitas.

Em retaliação, Israel declarou uma guerra para "erradicar" o Hamas, matando na Faixa de Gaza mais de 33.800 pessoas e causando mais de 76.200 feridos e milhares de desaparecidos, na maioria civis, de acordo com o último balanço das autoridades locais.

O conflito fez também quase dois milhões de deslocados, mergulhando o enclave palestiniano sobrepovoado e pobre numa grave crise humanitária, com mais de 1,1 milhões de pessoas numa "situação de fome catastrófica" que já está a fazer vítimas - "o número mais elevado alguma vez registado" pela ONU em estudos sobre segurança alimentar no mundo.

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