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Presidente da COP30 aponta para "impacto significativo" com saída dos EUA do Acordo de Paris

Presidente da COP30 aponta para "impacto significativo" com saída dos EUA do Acordo de Paris

O novo presidente da Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP30), André Corrêa do Lago, afirmou hoje que a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris terá "um impacto significativo na preparação da COP".

Lusa /
Reuters

No Palácio do Planalto, em Brasília, e após ter sido nomeado pelo Presidente brasileiro, Lula da Silva, para chefiar a conferência anual, André Corrêa do Lago frisou que as autoridades estão ainda a analisar a decisão tomada na segunda-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, logo após a sua tomada de posse.

"Mas não há a menor dúvida que terá um impacto significativo na preparação da COP e na maneira como nós vamos ter que lidar com o fato de que um país tão importante está se desligando desse processo", disse, citado pela imprensa local.

Ainda assim, frisou que a decisão de Trump "não quer dizer que necessariamente esse acordo não possa encontrar uma forma de contornar a ausência desse país".

"Os EUA continuam membros da Convenção do Clima. Então, sim, há vários canais que permanecem abertos, mas não há menor dúvida de que é um anúncio político de muito impacto", acrescentou o diplomata, anunciado hoje pelo Governo brasileiro como presidente da COP30.

O Brasil preside este ano à COP30 que será realizada em novembro na cidade amazónica de Belém.

A COP30 será um momento crucial para garantir medidas concretas para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, estabelecido no Acordo de Paris em 2015. 

O acordo prevê uma série de metas para a redução de emissões de gases do efeito estufa, cuja implementação tem sofrido atrasos e resistências, ao mesmo tempo em que o aquecimento global avança. Em janeiro, o centro europeu Copernicus informou que o ano de 2024 foi o mais quente da história e o primeiro a ultrapassar a marca de 1,5°C de aumento na temperatura média da Terra face os níveis pré-industriais.

A COP30 no Brasil terá de resolver questões espinhosas relativas ao financiamento aos países em desenvolvimento que ainda estão pendentes e que, segundo especialistas de todo o mundo, se tornarão mais difíceis já que o atual Presidente norte-americano, Donald Trump, retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris num dos primeiros atos administrativos que assinou depois da posse, na segunda-feira, como já havia feito em 2017, durante o seu primeiro mandato.

Corrêa do Lago é secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores do Brasil desde 2023. O diplomata foi o principal negociador do país sul-americano nas últimas duas cúpulas do clima, no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e em Baku, no Azerbaijão. Também foi negociador chefe do país sul-americano nas negociações para a mudança do clima entre os anos de 2011 e 2013.

Como diplomata, serviu nas embaixadas brasileiras em Madrid, Praga, Washington e Buenos Aires e na Missão junto da União Europeia, em Bruxelas. Nos últimos anos, foi embaixador do país sul-americano no Japão (2013-2018) e na Índia (2018-2023).

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