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Presidente da Coreia do Sul destituída por violar a lei "ao longo de todo o mandato"
O Tribunal Constitucional da Coreia do Sul aprovou esta sexta-feira a impugnação da Presidente Park Geun-hye, por suspeitas de corrupção. A decisão levou às ruas de Seul milhares de manifestantes e pelo menos duas pessoas morreram em confrontos com a polícia.
A juiz presidente do Tribunal Constitucional, Lee Jung-mi, justificou a decisão dizendo que Park Geun-hye violou a Constituição "ao longo de todo o seu mandato" e que, apesar dos protestos do Parlamento e dos media, tinha ocultado a verdade e perseguido os seus críticos.
"A remoção da requerente do cargo é um tremendo benefício para a proteção da Constituição. Nós destituímos a Presidente do cargo", concluiu na audiência.A Coreia do Sul tem agora 60 dias para eleger um, ou uma, novo, ou nova, Presidente. O cargo será ocupado interinamente pelo atual primeiro-ministo, Hwang Kyo-ahn.
Aos 65 anos, Park, a primeira mulher Presidente da Coreia do Sul, torna-se igualmente a primeira a ser removida do cargo.
A Presidente não apareceu na audiência e o seu porta-voz disse que ela não iria fazer quaisquer declarações esta sexta-feira.
A destituição de Park acabou com um longo período de indecisão política e refletiu-se favoravelmente nos mercados. O índice sul-coreano KOSPI subiu vários pontos.
Mudança política
A próxima eleição presidencial deverá ser dominada pela relações com a China e com os Estados Unidos, depois de Seul ter accionado este mês o sistema norte-americano anti-mísseis THAAD, de última geração, em resposta aos múltiplos testes de mísseis norte-coreanos.
Pequim protestou vigorosamente contra a instalação do THAAD, com receio que este espie o seu próprio sistema de mísseis. Condicionou as deslocações de sul-coreanos à China e colocou entraves à atividade económica das empresas sul-coreanas, provocando retaliações por parte de Seul.
A destituição de Park deixa os conservadores divididos e abre caminho à provável eleição nos próximos dois meses de um Presidente da ala liberal.
Apesar de destituída, Park irá permanecer ainda esta sexta-feira na Casa Azul, a residência oficial do líder da Coreia do Sul.
Será a segunda vez na vida que Park irá abandonar a residência e desta vez arrisca a prisão.
Como filha do ditador da Guerra Fria, Park Chung-hee, a Presidente viveu vários anos na Casa Azul e chegou a desempenhar as funções de Primeira Dama depois da mãe ter sido assassinada por uma bala destinada ao marido.

Em 1979, foi a vez do pai ser baleado mortalmente e ela e os irmãos tiveram então de sair da residência.
Com a destituição, Park Geun-hye perdeu toda a imunidade presidencial e pode agora enfrentar acusações de suborno, de extorsão e de abuso de poder.
Amiga fatal
A Presidente é suspeita num caso de corrupção e de tráfico de influências que envolve a sua amiga e confidente de toda a vida, Choi Soon-sil, a qual terá tido acesso a segredos de Estado e auxiliado a Presidente na governação, sem ter sido nomeada para qualquer cargo.Choi e dois outros assessores presidenciais foram formalmente acusados de pressionar mais de 50 empresas do país a doar 65,7 milhões de dólares (62 milhões de euros) a duas fundações que apoiavam a Presidente.
De acordo com o Ministério Público, Park Geun-hye teve um papel "considerável" em todo o caso. O tribunal afirmou que "Park escondeu completamente o facto de Choi interferir em assuntos do Estado".
Envolvida no escândalo está também a Samsung. Park é acusada de solicitar subornos ao líder do poderoso grupo, para aprovar a fusão de duas filiais da Samsung em 2015, a qual terá influenciado diretamente a sucessão interna no mais poderoso grupo industrial sul-coreano.
Em ligação com o caso, Jay Y. Lee, presidente do conglomerado, foi acusado de suborno e de desvio de fundos e está detido. Começou a ser julgado quinta-feira.
Tanto ele como a Presidente negam todas as acusações.
Dois mortos
As denúncias provocaram a queda dos níveis de popularidade de Park Geun-hye para os cinco por cento, o nível mais baixo jamais registado no país.
Nos últimos meses, todos os fins de semana milhares de manifestantes invadiam pacificamente as ruas de Seul, apelando à destituição da Presidente.
A decisão de impugnar Park Geun-hye foi tomada pelo Parlamento sul-coreano a 9 de dezembro de 2016 e esta sexta-feira foi confirmada pelo Tribunal Constitucional. Sondagens revelaram que mais de 70 por cento da população aprovava a decisão do Parlamento e a destituição.
Milhões de pessoas aguardavam ansiosamente nas ruas o anúncio e as reações espelharam a divisão do país. A maioria explodiu de alegria mas muitos outros protestaram o veredicto.



Milhares de apoiantes de Park tentaram esta manhã invadir o tribunal e enfrentaram a polícia com paus de bandeiras, subindo para cima dos autocarros policiais usados para criar um perímetro de segurança de proteção do edifício.
Um homem de cerca de 70 anos morreu na sequência de ferimentos na cabeça, depois de cair de cima de um desses autocarros.
Uma outra pessoa igualmente apoiante de Park morreu nos protestos, mas as circunstâncias do sucedido não foram reveladas e estão sob investigação.
A polícia bloqueou as principais avenidas de Seul, para prevenir novos protestos.
"A remoção da requerente do cargo é um tremendo benefício para a proteção da Constituição. Nós destituímos a Presidente do cargo", concluiu na audiência.A Coreia do Sul tem agora 60 dias para eleger um, ou uma, novo, ou nova, Presidente. O cargo será ocupado interinamente pelo atual primeiro-ministo, Hwang Kyo-ahn.
Aos 65 anos, Park, a primeira mulher Presidente da Coreia do Sul, torna-se igualmente a primeira a ser removida do cargo.
A Presidente não apareceu na audiência e o seu porta-voz disse que ela não iria fazer quaisquer declarações esta sexta-feira.
A destituição de Park acabou com um longo período de indecisão política e refletiu-se favoravelmente nos mercados. O índice sul-coreano KOSPI subiu vários pontos.
Mudança política
A próxima eleição presidencial deverá ser dominada pela relações com a China e com os Estados Unidos, depois de Seul ter accionado este mês o sistema norte-americano anti-mísseis THAAD, de última geração, em resposta aos múltiplos testes de mísseis norte-coreanos.
Pequim protestou vigorosamente contra a instalação do THAAD, com receio que este espie o seu próprio sistema de mísseis. Condicionou as deslocações de sul-coreanos à China e colocou entraves à atividade económica das empresas sul-coreanas, provocando retaliações por parte de Seul.
A destituição de Park deixa os conservadores divididos e abre caminho à provável eleição nos próximos dois meses de um Presidente da ala liberal.
Apesar de destituída, Park irá permanecer ainda esta sexta-feira na Casa Azul, a residência oficial do líder da Coreia do Sul.
Será a segunda vez na vida que Park irá abandonar a residência e desta vez arrisca a prisão.
Como filha do ditador da Guerra Fria, Park Chung-hee, a Presidente viveu vários anos na Casa Azul e chegou a desempenhar as funções de Primeira Dama depois da mãe ter sido assassinada por uma bala destinada ao marido.
Em 1979, foi a vez do pai ser baleado mortalmente e ela e os irmãos tiveram então de sair da residência.
Com a destituição, Park Geun-hye perdeu toda a imunidade presidencial e pode agora enfrentar acusações de suborno, de extorsão e de abuso de poder.
Amiga fatal
A Presidente é suspeita num caso de corrupção e de tráfico de influências que envolve a sua amiga e confidente de toda a vida, Choi Soon-sil, a qual terá tido acesso a segredos de Estado e auxiliado a Presidente na governação, sem ter sido nomeada para qualquer cargo.Choi e dois outros assessores presidenciais foram formalmente acusados de pressionar mais de 50 empresas do país a doar 65,7 milhões de dólares (62 milhões de euros) a duas fundações que apoiavam a Presidente.
De acordo com o Ministério Público, Park Geun-hye teve um papel "considerável" em todo o caso. O tribunal afirmou que "Park escondeu completamente o facto de Choi interferir em assuntos do Estado".
Envolvida no escândalo está também a Samsung. Park é acusada de solicitar subornos ao líder do poderoso grupo, para aprovar a fusão de duas filiais da Samsung em 2015, a qual terá influenciado diretamente a sucessão interna no mais poderoso grupo industrial sul-coreano.
Em ligação com o caso, Jay Y. Lee, presidente do conglomerado, foi acusado de suborno e de desvio de fundos e está detido. Começou a ser julgado quinta-feira.
Tanto ele como a Presidente negam todas as acusações.
Dois mortos
As denúncias provocaram a queda dos níveis de popularidade de Park Geun-hye para os cinco por cento, o nível mais baixo jamais registado no país.
Nos últimos meses, todos os fins de semana milhares de manifestantes invadiam pacificamente as ruas de Seul, apelando à destituição da Presidente.
A decisão de impugnar Park Geun-hye foi tomada pelo Parlamento sul-coreano a 9 de dezembro de 2016 e esta sexta-feira foi confirmada pelo Tribunal Constitucional. Sondagens revelaram que mais de 70 por cento da população aprovava a decisão do Parlamento e a destituição.
Milhões de pessoas aguardavam ansiosamente nas ruas o anúncio e as reações espelharam a divisão do país. A maioria explodiu de alegria mas muitos outros protestaram o veredicto.
Milhares de apoiantes de Park tentaram esta manhã invadir o tribunal e enfrentaram a polícia com paus de bandeiras, subindo para cima dos autocarros policiais usados para criar um perímetro de segurança de proteção do edifício.
Um homem de cerca de 70 anos morreu na sequência de ferimentos na cabeça, depois de cair de cima de um desses autocarros.
Uma outra pessoa igualmente apoiante de Park morreu nos protestos, mas as circunstâncias do sucedido não foram reveladas e estão sob investigação.
A polícia bloqueou as principais avenidas de Seul, para prevenir novos protestos.