Mundo
Presidente sírio anuncia acordo de cessar-fogo com líder das forças curdas
Dois dias de avanço rápido do exército sírio em territórios tradicionalmente controlados pelos curdos, no norte e leste do país, levaram a um novo acordo de cessar-fogo com o líder das forças curdas na Síria, Mazlum Abdi.
O acordo agora obtido, publicado pela presidência e anunciado pelo presidente sírio, Ahmed Hussein al-Sharaa, tem catorze pontos, estipulando "um
cessar-fogo completo e imediato em todas as frentes e pontos de
contacto entre as forças do governo sírio" e as Forças Democráticas
Sírias.Nem Mazlum Abdi nem a administração curda no norte e nordeste da Síria comentaram de início o anúncio presidencial. A sua anuência ao acordo só foi confirmada horas depois.
A implementar-se com sucesso, o acordo representa um golpe para os curdos, que esperavam preservar a sua administração autónoma, vigente de facto há mais de uma década no norte e nordeste da Síria.
A implementar-se com sucesso, o acordo representa um golpe para os curdos, que esperavam preservar a sua administração autónoma, vigente de facto há mais de uma década no norte e nordeste da Síria.
No acordo estabelece-se "a transferência completa e imediata
para o governo sírio da administração e das instituições militares das
províncias de Deir Ezzor e Raqqa", assim como "a integração de todas as
instituições civis" na província de Hasakah, outro bastião curdo, no
Estado sírio.
Na prática, os curdos sírios perdem não só os territórios conquistados durante a guerra e após a derrota do Estado Islâmico, mas também o controlo das áreas que habitam tradicionalmente há décadas no nordeste da Síria.
Na prática, os curdos sírios perdem não só os territórios conquistados durante a guerra e após a derrota do Estado Islâmico, mas também o controlo das áreas que habitam tradicionalmente há décadas no nordeste da Síria.
Avanço imparável
O acordo prevê a transmissão, para Damasco, da responsabilidade dos
prisioneiros do grupo Estado Islâmico e suas famílias. Até agora
estavam am campos controlados pelas forças curdas.
Sábado, o comando das Forças Democráticas Sírias (FDS), curdas, acusou Damasco de "traição" de um acordo de suspensão de combates, estabelecido sexta-feira, para dar oportunidade às suas forças recuarem. O exército sírio avançou contudo sobre as posições curdas na província de Raqqa, para obrigar os curdos a abandoná-las.
A ofensiva do exército acabou por forçar os curdos à capitulação total a Damasco.
Em troca, a presidência propôs a "integração" dos membros das FDS e das forças de segurança curdas "na
estrutura dos Ministérios da Defesa e do Interior, individualmente,
após a realização das verificações de segurança necessárias".O enviado americano à Síria classificou o acordo como um "ponto de viragem decisivo" e um "esforço construtivo" de ambos. Os curdos são apoiados pelos Estados Unidos desde a guerra contra o Estado Islâmico.
Mazlum Abdi não pôde viajar devido a condições meteorológicas e assinou o acordo remotamente. Segunda-feira, irá participar da finalização dos detalhes do acordo. O texto está "em consonância" com um acordo anterior assinado entre as duas partes em março de 2025.
O presidente Ahmed Hussein al-Sharaa, que destronou o presidente Bashar al-Assad em dezembro de 2024 após uma ofensiva relâmpago à frente de uma coligação de grupos islamitas, pretende estender o controlo de Damasco a todo o território sírio.
Aposta na estabilidade
Ao apresentar o acordo com os curdos, depois de se ter reunido com o enviado especial dos EUA para a Síria, Thomas Barrack, em Damasco, o presidente instou por isso as tribos árabes - que constituem a maioria da população das províncias de Deir Ezzor e de Raqqa - "a manterem a calma, a fim de preparar o caminho para a implementação gradual das disposições do acordo até alcançarmos a completa calma na Síria".
Al-Sharaa pretende um cessar-fogo total no país.
Ao falar aos jornalistas no Palácio Presidencial, o presidente sírio admitiu a esperança de que o acordo seja "um bom começo" para o desenvolvimento e a reconstrução do país, "uma oportunidade para a segurança e a estabilidade".
Ahmed al-Sharaa afirmou ainda o desejo de que "a Síria ponha de lado o seu atual estado de divisão e caminhe para um estado de unidade e progresso".
Damasco e os curdos sírios assinaram um acordo a 10 de março de 2025 para procurar uma solução para as autoproclamadas zonas autónomas no nordeste da Síria, que estão sob administração liderada pelos curdos.
Este processo, iniciado após a queda de Bashar al-Assad há um ano, ainda não se concretizou.
A assinatura surge no meio da escalada de violência entre os dois lados na província de Alepo, no noroeste do país, onde, esta semana, as forças governamentais lançaram uma onda de ataques.
Este processo, iniciado após a queda de Bashar al-Assad há um ano, ainda não se concretizou.
A assinatura surge no meio da escalada de violência entre os dois lados na província de Alepo, no noroeste do país, onde, esta semana, as forças governamentais lançaram uma onda de ataques.
Os alvos da ofensiva foram a cidade de Deir Hafir e outras zonas controladas pelos curdos sírios, bem como a província de Raqqa e Deir ez-Zor.
c/agências