Presidente sul-coreano visita China após subida da tensão entre Pequim e Japão
O Presidente da Coreia do Sul inicia hoje uma visita oficial à China, numa altura em que Pequim procura reforçar os laços com Seul, após o aumento das tensões com o Japão devido a Taiwan.
A deslocação de quatro dias é a primeira visita oficial de um chefe de Estado sul-coreano à China desde 2019, assim como a primeira visita de Lee Jae-myung à segunda maior economia do mundo desde que assumiu o cargo, em junho.
A deslocação ocorre numa altura de tensão entre a China e o Japão, depois de a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter dito em novembro que as forças armadas do país poderiam envolver-se se Pequim tomasse medidas contra Taiwan.
No início de dezembro, Lee afirmou que a Coreia do Sul não deveria tomar partido entre a China e o Japão.
Durante a visita, que acontece a convite de Xi Jinping, Lee irá reunir-se com o líder chinês, o segundo encontro entre os dois em apenas dois meses.
Os líderes já se reuniram em novembro, à margem da cimeira de líderes da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), organizada em Gyeongju, na Coreia do Sul.
Na ocasião, trocaram piadas e Lee descreveu Xi como "surpreendentemente bom a fazer piadas", considerando os diálogos "interessantes", e expressou o desejo de visitar a China.
Antes da viagem, Lee concedeu à emissora estatal chinesa CCTV a primeira entrevista na residência oficial da presidência, que foi transmitida na sexta-feira.
O líder sul-coreano disse esperava que as pessoas compreendessem que o Governo se preocupa com as relações com Pequim e assegurou que a Coreia do Sul respeita consistentemente a política de `Uma Só China` em relação a Taiwan.
Este princípio, alcançado em 1992, declara que existe apenas uma China e que Taiwan faz parte da China, mas com Pequim e Taipé a manterem interpretações diferentes.
Na entrevista, Lee disse que o desenvolvimento saudável das relações entre Pequim e Seul depende do respeito mútuo e elogiou ainda Xi como um "vizinho verdadeiramente confiável".
Eleito em junho, Lee procura relançar as relações com Pequim, que se deterioraram sob a liderança do seu antecessor, Yoon Suk-yeol, que aproximou Seul dos Estados Unidos (EUA).
Durante a campanha, Lee Jae-myung prometeu adotar uma abordagem mais flexível do que a do seu antecessor e chegou mesmo a afirmar que um eventual conflito entre Pequim e Taipé "não diz respeito" à Coreia do Sul.
Lee disse que a cooperação com os EUA, o principal aliado militar do país, não significa que as relações com a China devam caminhar para um confronto, noticiou a CCTV.
O Presidente da Coreia do Sul reconheceu que mal-entendidos passados prejudicaram as relações bilaterais com Pequim.
"Esta visita à China visa minimizar ou eliminar estes mal-entendidos ou contradições do passado, para elevar e desenvolver as relações entre a Coreia do Sul e a China para um novo patamar", disse, citado pela CCTV.
Na sexta-feira, o conselheiro de segurança nacional da Coreia do Sul, Wi Sung-lac, disse que Lee Jae-myung também vai solicitar que a China, aliada tradicional e principal parceiro económico da Coreia do Norte, desempenhe "um papel construtivo" nos esforços para promover a paz na península coreana.