Primeiro-ministro francês garante que ataque na Síria “não é prelúdio de uma guerra”

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Na Assembleia Nacional, o primeiro-ministro francês Édouard Philippe explicou perante os deputados a decisão de participar no ataque de sábado passado na Síria, ao lado de Estados Unidos e Reino Unido. O governante assegura que a França não está “em guerra” contra o regime de Bashar al-Assad, mas que se tratou de uma resposta “inevitável” de forma a interditar o recurso a armas químicas.

No mesmo dia em que a primeira-ministra britânica explicou na Câmara dos Comuns o ataque concertado de sábado passado, também o chefe de Governo francês apresentou esclarecimentos aos parlamentares sobre o ataque a locais estratégicos situados na Síria, alegadamente usados para produção e armazenamento de armas químicas.

A ação, concertada com Washington e Londres, não foi um sinal de guerra iminente ou “o prelúdio” de um conflito, garantiu o primeiro-ministro. “Não estamos em guerra contra a Síria ou o regime de Bashar al-Assad. O nosso inimigo é o Estado Islâmico”, referiu.

Perante os deputados de vários partidos que estão contra a intervenção militar - desde logo os Républicains, o França Insubmissa e a Frente Nacional, muitos deles que viram na ação de sábado último uma violação do direito internacional – o governante francês considerou que a operação foi “um sucesso militar” e até mesmo diplomático.

Édouard Philipe disse estar “orgulhoso”, considerando que este ataque reforça “a credibilidade da República francesa quando esta desenha linhas que considera intransponíveis”, em referência à “linha vermelha” que é o uso de armas químicas em ataques. Referiu as cenas “apocalípticas” provocadas por “armas de terror” banidas pela comunidade internacional.
Guerra do Iraque “não é comparável”
O primeiro-ministro francês considerou ainda que as comparações entre o envolvimento no ataque e a guerra do Iraque, em 2003 – na qual a França não participou - não têm qualquer justificação.

“O precedente iraquiano foi invocado por várias vezes esta tarde. Acredito que esse precedente não é comparável. O objetivo da intervenção no Iraque era o de derrubar um regime e intervir no terreno. Quanto à intervenção de sexta-feira não há dúvidas. Além disso, no Iraque, uma das motivações para a intervenção norte-americana foi a alegada existência de armas de destruição massiva. Na Síria, não há hipóteses, há demonstrações repetidas”, sublinhou.

Para o primeiro-ministro francês, a ação tomada pelos três países na madrugada de sábado “tem custos humanos, tem custos políticos, tem riscos”. Mas “os custos da inação são ainda maiores para o nosso futuro”, mas também para “as nossas consciências e para o rasto que deixaremos na nossa história”, referiu ainda Édouard Philippe.

Tópicos:

Armas Químicas, Estados Unidos, Reino Unido, Síria, França,

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