Primeiro-ministro georgiano acusa comissário europeu de chantagem por causa de "lei russa"

por Lusa

O primeiro-ministro da Geórgia acusou hoje um comissário europeu, sem o identificar, de chantagem, quando o parlamento georgiano se aproxima de uma nova votação da lei sobre "influência estrangeira", criticada pela União Europeia (UE) e pelos Estados Unidos.

Segundo Irakli Kobakhidze, um comissário europeu cujo nome não revelou, enumerou, durante um telefonema, as medidas que o Ocidente poderia adotar se a nova legislação, também conhecida como "lei russa", fosse definitivamente aprovada, fazendo uma referência ao primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, vítima de um atentado na semana passada.

"Você viu o que aconteceu com Fico, tenha muito cuidado", terá dito o comissário, na descrição do telefonema feita em comunicado por Kobakhidze, comentando que se trata de uma "ameaça horrível".

De acordo com o chefe do Governo da Geórgia, "políticos estrangeiros de alto nível" têm usado a "chantagem contra o povo georgiano e o seu Governo democraticamente eleito".

Apesar dos protestos maciços e das advertências da UE e de Washington, o parlamento georgiano aprovou um projeto de lei sobre "influência estrangeira" em 14 de maio, que, segundo os seus detratores, se inspirou na legislação russa que tem sido usada desde 2012 para reprimir a oposição.

A lei exige que qualquer organização não-governamental ou meio de comunicação social que receba mais de 20% do seu financiamento exterior se registe como uma "organização que prossegue os interesses de uma potência estrangeira" e se submeta ao controlo administrativo.

Sob a presidência de Vladimir Putin, a Rússia tem utilizado uma lei semelhante para perseguir e ilegalizar organizações da sociedade civil e meios de comunicação social independentes, praticamente extintos desde a invasão da Ucrânia em 2022.

A Presidente da Geórgia, a pró-europeia Salome Zaroubishvili, vetou a lei, mas o parlamento, dominado pelo partido do Governo desde 2012, Sonho Georgiano, planeia anular esta decisão numa nova votação prevista para a próxima terça-feira.

Ex-república soviética, a Geórgia é oficialmente candidata à entrada na UE desde dezembro de 2023.

O Sonho Georgiano apoia oficialmente o objetivo consagrado na Constituição de aderir à UE e à NATO, mas tem aumentado nos últimos anos medidas de aproximação a Moscovo, gerando amplos protestos no país.

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