Pyongyang promete mais ensaios balísticos e acena com "guerra termonuclear"

A Coreia do Norte promete continuar com os testes de mísseis e avisa que a situação de tensão criada pelas potências adversárias pode fazer despoletar uma guerra termonuclear “a qualquer momento”.

Andreia Martins - RTP /
A Coreia do Norte exibiu o arsenal balístico numa parada militar que assinalou o aniversário do fundador do país, Kim II Sung, no último fim de semana. Damir Sagolj - Reuters

De visita à Coreia do Sul, o vice-presidente norte-americano Mike Pence tinha avisado na segunda-feira que a era da paciência estratégica terminara, enquanto Donald Trump pedia ao líder supremo da Coreia do Norte que “se comportasse melhor”, numa entrevista na segunda-feira à CNN.

Esta terça-feira, a guerra fria de palavras incendiárias continua, desta vez com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e o embaixador de Pyongyang nas Nações Unidas a acenarem com a possibilidade de uma guerra em resposta a uma eventual intervenção militar de Washington.
"Guerra termonuclear"
As mais duras palavras chegam do embaixador da Coreia do Norte nas Nações Unidas, Kim In-ryong, que acusou os Estados Unidos pela escalada de tensão na península coreana e de criarem uma “situação perigosa na qual uma guerra termonuclear pode eclodir a qualquer momento”.

Em conferência de imprensa, este responsável refere que os recentes exercícios militares de Washington e Seul, incluindo o envio do porta-aviões USS Carl Vinson, são sinal de agressividade.

Pyongyang, assegura, está pronta a responder “a qualquer modo de guerra que os Estados Unidos queiram encetar”.

O embaixador deixou também críticas à atuação dos Estados Unidos noutras partes do mundo, nomeadamente na Síria, onde um recente ataque a uma base nuclear do regime levou a uma escalada de tensão no regime.

“Os Estados Unidos estão a perturbar a paz global e a estabilidade, e insiste numa lógica gangster, que considera que as intervenções nos Estados soberanos são decisivas, justas e adequadas, e que contribuem para defender a ordem internacional”, referiu em conferência de imprensa.

Kim In-ryong avisou ainda que os Estados Unidos seriam responsabilizados “pelas consequências catastróficas recorrentes das suas ações atrozes”. Ensaios com mísseis são para continuar
Em consonância com estas declarações, Han Song-ryol, vice-ministro norte-coreano para os Negócios Estrangeiros avisa que o país vai continuar a conduzir testes com mísseis “semanalmente, mensalmente e anualmente”. Numa entrevista à BBC, o diplomata tenta mostrar que a Coreia do Norte é imune às críticas, condenações e sanções económicas aplicadas pela comunidade internacional.

Perante a situação, e numa mensagem tendo Donald Trump como destinatário, Han Song-ryol avisa que, caso os norte-americanos sejam “imprudentes de tal forma que utilizem os meios militares”, essa ação significaria uma “guerra total” desde o primeiro momento.

“Se os Estados Unidos colocarem a nossa soberania em causa, haverá uma contrarreação imediata. Se os Estados Unidos estão a planear um ataque militar, nós vamos reagir preventivamente com um ataque nuclear”, alerta o responsável.

Nos últimos meses, a Coreia do Norte tem realizado testes e ensaios balísticos com o objetivo último de conseguir colocar uma ogiva nuclear num míssil balístico intercontinental, capaz de alcançar qualquer parte do mundo.

A utilização e disponibilidade dessas armas, explica o responsável, tem o propósito único de “proteger o nosso Governo e o nosso sistema da ameaça e provocação vinda dos Estados Unidos”.
Administração Trump "determinada"
As declarações por parte dos dois responsáveis acontecem depois da visita de Mike Pence, vice-presidente dos Estados Unidos, à zona desmilitarizada entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, onde avisou o regime de Pyongyang que não deveria por em causa a determinação norte-americana nem “a força das nossas forças militares”.



Em relação à Coreia do Norte, a era da “paciência estratégica terminou” e todas as opções “estão em cima da mesa”, garante o vice-presidente.

Já esta terça-feira, de passagem por Tóquio, Pence referiu que as recentes ações dos Estados Unidos na Síria e no Afeganistão mostram “a força e a enorme determinação do novo Presidente”, deixando mais um sinal de compromisso aos aliados do extremo-oriente.

O vice-presidente acrescentou ainda que a Administração Trump espera da China “ações que tragam uma mudança de política na Coreia do Norte”. Há apenas alguns dias, o Presidente dos Estados Unidos escrevia no Twitter que Pequim está a ajudar na resolução “do problema norte-coreano”.
Diplomacia é a primeira opção
A China, precisamente, disse já esta terça-feira que apenas a diplomacia pode ajudar a resolver a tensão na Coreia do Norte.

Wang Yi, ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, repetiu aquela que tem sido a posição de Pequim sobre o regime de Pyongyang, tentando acalmar a hostil troca de declarações entre norte-americanos e norte-coreanos.

“Vejo que os Estados Unidos estão dispostos a usar meios políticos e diplomáticos para resolver a questão. Essa é a primeira opção em cima da mesa”, declarou o alto representante da diplomacia chinesa.

No mesmo sentido, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros Sergei Lavrov disse à televisão estatal, na última segunda-feira, que espera que não haja “quaisquer ações nucleares como as que vimos recentemente na Síria” e que os Estados Unidos sigam a linha desenhada por Donald Trump “durante a campanha eleitoral” em termos de política externa.

Qualquer reação militar ao comportamento de Pyongyang seria uma “fratura no direito internacional”.

No último fim de semana, a Coreia do Norte falhou o lançamento de um míssil balístico, após a realização de uma parada militar, com um vasto arsenal de guerra a percorrer a capital.

Até ao final do mês o Conselho de Segurança vai reunir para discutir a situação da Coreia do Norte, com o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, a presidir às conversações.
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