Quase 120 dólares. Preço do barril de Brent atinge o valor mais elevado desde 2022

Reportagem

Quase 120 dólares. Preço do barril de Brent atinge o valor mais elevado desde 2022

Donald Trump discutiu bloqueio de "vários meses" com executivos do setor petrolífero, provocando uma subida dos preços do petróleo para o valor mais elevado desde 2022. A Casa Branca afirmou que os negociadores norte-americanos continuam em contacto com os iranianos, que estão a "lutar para resolver a sua situação de liderança" em plena guerra. Vladimir Putin advertiu Trump contra uma nova ação militar contra o Irão por parte dos EUA e Israel. Acompanhamos aqui, ao minuto, o evoluir da guerra no Médio Oriente.

Cristina Sambado, Ana Sofia Rodrigues - RTP /

Maxim Shemetov - Reuters

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Lusa /

EUA reivindicam bloqueio de 42 navios no Estreito de Ormuz

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou quarta-feira que as suas forças impediram a passagem a 42 navios, no âmbito do bloqueio aos portos iranianos no Estreito de Ormuz, causando "prejuízos" significativos a Teerão. 

"Hoje, as forças norte-americanas alcançaram um marco significativo ao redirecionar com sucesso o 42.º navio comercial que tentava violar o bloqueio", informou o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom. 

O oficial acrescentou que o bloqueio naval, que envolve mais de 200 aeronaves e mais de 25 navios, está a reter 41 petroleiros "com 69 milhões de barris de petróleo que o regime iraniano não pode vender". 

"Isto representa um prejuízo estimado em seis mil milhões de dólares, dos quais a liderança iraniana não pode beneficiar financeiramente. O bloqueio é altamente eficaz e as forças norte-americanas continuam totalmente empenhadas na sua completa aplicação", acrescentou Cooper. 

Trump ordenou a 28 de fevereiro um ataque ao Irão, em conjunto com Israel, que destruiu grande parte da capacidade militar e da indústria de fabrico de mísseis e `drones` de Teerão. 

A República Islâmica respondeu ao ataque, justificado com a ameaça nuclear iraniana, disparando mísseis e `drones` contra os países vizinhos, sobretudo a indústria de petróleo e gás destes, e bloqueando o Estreito de Ormuz, o que levou a uma escalada dos preços dos combustíveis, fortemente penalizadora de países importadores. 

Depois de Washington ter prorrogado o cessar-fogo acordado com o Irão em 08 de abril, o impasse diplomático tem vindo a arrastar-se, com a falta da confirmação de uma segunda reunião presencial para tentar chegar a um acordo de paz, após um primeiro encontro na capital paquistanesa, Islamabad. 

As autoridades da República Islâmica exigiram que Washington termine o bloqueio do Estreito de Ormuz como condição para o avanço das negociações sobre o fim do conflito. 

Trump voltou hoje a criticar o Irão por "não conseguir organizar-se" para negociar um acordo de paz.  

"Não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor que despertem rápido!", publicou Trump na rede Truth Social, acompanhando a mensagem de uma ilustração de si próprio de óculos escuros e uma metralhadora na mão em pose ameaçadora. 

O bloqueio naval aos portos iranianos está em vigor desde 13 de abril e, segundo os EUA, praticamente paralisou o comércio da República Islâmica. 

O Centcom intercetou na terça-feira um navio comercial no mar Arábico por suspeita de se dirigir para o Irão, embora tenha sido libertado depois de se ter constatado que tinha outro destino. 

Na segunda-feira, o Centcom informou que um contratorpedeiro da Marinha dos EUA deteve o petroleiro M/T Stream, de bandeira iraniana, somando-se a pelo menos dois navios de carga iranianos apreendidos nas semanas anteriores em operações americanas. 

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RTP /

Goldman Sach. Saída dos EAU da OPEP aumenta risco de subida da oferta de petróleo

O Goldman Sachs considera que a saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP representa um maior risco de subida da oferta de petróleo a médio prazo do que a curto prazo.

Os EAU anunciaram na terça-feira que iriam abandonar a OPEP e a aliança mais ampla OPEP+ a partir de 1 de Maio, uma medida que enfraquece o controlo do grupo de produtores sobre a oferta global de petróleo e que poderá, eventualmente, dar a Abu Dhabi mais espaço para aumentar a produção assim que as rotas de exportação do Golfo forem reabertas.

O banco afirmou que a saída ocorreu após anos de discussões sobre a quota de produção dos EAU e ocorreu no atual contexto geopolítico e do mercado petrolífero, tendo os EAU sofrido ataques significativos por parte do Irão, membro da OPEP isento de quotas de produção.

Os preços do petróleo subiram mais de 6% na quarta-feira, à medida que o impasse nas negociações entre os EUA e o Irão aumentou a preocupação dos investidores com possíveis interrupções prolongadas no fornecimento do Médio Oriente.

O Goldman Sachs afirmou que o encerramento efectivo do Estreito de Barro limita actualmente a produção dos EAU. No entanto, a saída do Estreito implica um risco ascendente para a projecção base do banco, que prevê a recuperação da produção de crude dos EAU para 3,8 milhões de barris por dia até Outubro de 2026, em comparação com os 3,6 milhões de barris por dia antes da guerra. O Goldman Sachs estimou o potencial de produção de crude dos Emirados Árabes Unidos em pouco mais de 4,5 milhões de barris por dia até fevereiro de 2026.
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RTP /

Canadá proíbe entrada a oficiais da Guarda Revolucionária Islâmica

Os oficiais da Guarda Revolucionária Islâmica estão proibidos de entrar no Canadá, disse o Governo do país na quarta-feira, depois de os dirigentes da federação iraniana de futebol terem chegado ao aeroporto de Toronto e decidido regressar imediatamente a casa, alegando tratamento recebido por parte dos agentes de imigração.
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RTP /

Trump garante que Reino Unido o teria ajudado no Irão se dependesse do rei Carlos III

"Penso que se a decisão tivesse sido dele, se estivesse nas suas mãos, provavelmente ter-nos-ia ajudado com o Irão", frisou Trump aos jornalistas quando questionado sobre a visita de Estado do monarca, na Casa Branca.

O líder norte-americano tem sido bastante crítico em relação ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, do Partido Trabalhista, pela sua recusa em envolver-se militarmente na reabertura do Estreito de Ormuz, que o Irão encerrou em retaliação pela ofensiva norte-americana.

"O rei é fantástico. Passámos muito tempo juntos. Tivemos longas conversas. Também falámos sobre esta questão (a falta de apoio do Reino Unido no conflito)", revelou.

Trump respondeu desta forma quando questionado pelos jornalistas sobre o discurso histórico proferido por Carlos III perante o Congresso dos EUA na terça-feira, no qual apelou à reconciliação no meio das tensões diplomáticas entre os dois governos.

"Acho que é um representante fenomenal para o seu país. Acho que o povo do Reino Unido deve estar orgulhoso. Adorei o seu discurso de ontem [terça-feira]", acrescentou.

Segundo o republicano, Carlos III, que considera um "grande amigo", teria seguido as suas sugestões não só em relação ao Irão, mas também à guerra na Ucrânia.

"Ele teria atuado em conformidade. Teria seguido as sugestões que lhe fizemos em relação à Ucrânia, porque, como sabem, temos algumas divergências sobre a Ucrânia", defendeu ainda.

No entanto, quando questionado se a sua relação de proximidade com o monarca ajuda a aliviar as tensões com Starmer, Trump insistiu que o primeiro-ministro não cooperou com Washington quando este solicitou ajuda na guerra.

"Quando se dá tão bem com o rei de um país, isso provavelmente ajuda na sua relação com o primeiro-ministro. Mas, neste caso, eu disse ao primeiro-ministro: `Quer enviar alguma ajuda?` E ele respondeu: `Não, enviaremos depois de ganharem a guerra`. Eu disse: `Isto não está certo`", criticou Trump.

Lusa
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RTP /

Israel está a apreender navios com ajuda longe das costas de Gaza diz rádio do exército israelita

A Rádio do Exército israelita cita uma fonte israelita, segundo a aquel Israel começou a tomar o controlo dos navios de ajuda humanitária de Gaza.

As operações ocorrem atualmente bem longe da costa israelita.

O relatório não especificou o número de embarcações envolvidas nem a sua localização exata.

A 12 de abril, uma segunda flotilha que transportava ajuda humanitária aos palestinianos em Gaza partiu do porto espanhol de Barcelona, ​​com o objetivo de tentar romper o bloqueio israelita.
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"Devido às crescentes tensões"
RTP /

Diretor da AIEA admite que mais países possam querer desenvolver armas nucleares

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, admitiu hoje a possibilidade de mais países considerarem desenvolver armas nucleares devido a fatores geopolíticos como crescentes tensões e desconfiança.

Numa conferência de imprensa, em Nova Iorque, Grossi foi questionado sobre o quão preocupado está com a possibilidade de alguns Estados estarem agora a considerar desenvolver armas nucleares porque receiam não conseguir responder às ameaças crescentes.

"Penso que isso é mais uma afirmação do que uma pergunta, e eu concordo. Penso que existe uma grande preocupação de que, devido às crescentes tensões, à desconfiança e às dúvidas sobre a fiabilidade das alianças, os países possam encontrar incentivos para reconsiderar a sua abstenção passada de desenvolver armas nucleares", afirmou o chefe da AIEA e candidato a secretário-geral da ONU.

O diplomata argentino salientou que há muitas nações que, "se quisessem", teriam a tecnologia e a capacidade para desenvolver armas nucleares muito rapidamente.

"Tenho sido muito claro ao afirmar que um mundo com mais países com armas nucleares não seria um mundo mais seguro. Por isso, temos de reafirmar o nosso compromisso com a norma da não proliferação, sem dúvida", insistiu.

Até ao dia 22 de maio decorre em Nova Iorque, na sede da ONU, a 11.ª Conferência de Revisão das Partes do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

A Conferência deverá abordar uma série de questões, incluindo a universalidade do Tratado; o desarmamento nuclear, incluindo medidas práticas específicas; a não proliferação nuclear, incluindo a promoção e o fortalecimento das salvaguardas; medidas para promover os usos pacíficos da energia nuclear, incluindo segurança; o desarmamento e a não proliferação regionais, incluindo a implementação da resolução de 1995 sobre o Médio Oriente.

Abordará igualmente maneiras de fortalecer o processo de revisão para melhorar a eficácia, eficiência, transparência, responsabilidade, coordenação e continuidade.

Na segunda-feira, no arranque do evento, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu que sejam levantadas as bases para a "evolução do Tratado".

"Hoje, a ameaça nuclear é agravada por novos perigos provenientes de tecnologias em rápida evolução, como a inteligência artificial e a computação quântica. O Tratado não é uma relíquia de uma era passada, congelada no âmbar. Deve lidar com a relação entre as armas nucleares e as novas tecnologias", defendeu.

Na conferência de imprensa de hoje, Rafael Grossi abordou também a questão do urânio altamente enriquecido do Irão, que poderá estar ainda enterrado nos escombros devido aos ataques norte-americanos e israelitas.

Questionado sobre se esse urânio poderia ser recuperado e reutilizado, ou se, por outro lado, está fora de alcance, o diretor da AIEA frisou que essa questão deve ser abordada, "seja qual for o estado em que [o urânio] se encontre".

"Trata-se de uma grande quantidade de material nuclear altamente enriquecido, próximo do grau de enriquecimento para armas nucleares, que estávamos a inspecionar até junho de 2025 [antes dos ataques de Washington e Telavive]", disse.

"Há procedimentos específicos nos acordos de salvaguarda de segurança que temos com o Irão, que permitem, em casos de circunstâncias extraordinárias, e se houver um problema no acesso ao material, interagir, tentar encontrar formas de o verificar. (...) Mas não há paz, há apenas um cessar-fogo, e provavelmente existe essa dificuldade de acesso", lembrou, reforçando que a situação só poderá ser verificada quando estiverem garantidas as condições de segurança e acesso aos inspetores.

Rafael Grossi recusou renunciar ao cargo na AIEA enquanto concorre à liderança da ONU, contrariando uma resolução da Assembleia-Geral que pedia aos funcionários das Nações Unidas que "considerassem" suspender funções durante a campanha, a fim de evitar conflitos de interesse.

Hoje, o diplomata argentino avaliou que seria "irresponsável" ausentar-se da liderança da AIEA.

"Seria até irresponsável da minha parte deixar o meu emprego e concentrar-me nos esforços da campanha. Estou muito focado no trabalho que estou a fazer. Estou a negociar com a Rússia e estamos a tentar evitar um acidente nuclear. Estamos envolvidos nas negociações com o Irão. Seria realmente uma negligência da minha parte", declarou.

"Não critico ninguém. Sabe, as pessoas fazem o que fazem em função da sua missão e do trabalho que têm", afirmou, após ser confrontado com a posição adotada por Rebeca Grynspan, que suspendeu a sua liderança da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) quando se tornou candidata à sucessão de Guterres.
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RTP /

Delegação iraniana cancela participação no congresso da FIFA após "insultos" no aeroporto de Toronto

Os meios de comunicação iranianos noticiaram que comportamentos insultuosos por parte da polícia de imigração do aeroporto de Toronto levaram os dirigentes da Federação Iraniana de Futebol a cancelar a sua participação no congresso da FIFA em Vancouver, esta quarta-feira.

O presidente e o secretário-geral da federação, portadores de "vistos oficiais", "regressaram à Turquia no primeiro voo disponível devido ao comportamento inadequado dos agentes da imigração (...) e a um insulto dirigido a um dos órgãos mais honrados das Forças Armadas iranianas", indicou um comunicado da organização, citado pelos meios de comunicação social.

A identidade deste órgão não foi especificada. Em 2024, o Canadá designou a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o exército ideológico da República Islâmica, como grupo terrorista.

O Canadá co-organiza o Campeonato do Mundo de 11 de junho a 19 de julho de 2026, juntamente com os Estados Unidos e o México. O congresso da FIFA realiza-se esta quinta-feira em Vancouver, no oeste do Canadá.

Os Estados Unidos, país anfitrião, não pretendem excluir os atletas iranianos do Mundial, esclareceu recentemente o secretário de Estado Marco Rubio.

Manifestou, no entanto, reservas quanto àqueles que os poderiam acompanhar, "alguns dos quais têm ligações aos Guardiões".
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RTP /

Putin adverte Trump para as "consequências nefastas" de uma nova ação militar contra o Irão

O conselheiro diplomático do presidente russo referiu, esta quarta-feira, que Putin advertiu o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, para as "consequências nefastas" de uma nova ação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

Durante uma conversa telefónica entre os dois líderes, Putin "enfatizou as consequências inevitáveis ​​e extremamente nefastas não só para o Irão e os seus vizinhos, mas também para toda a comunidade internacional, caso os Estados Unidos e Israel recorram novamente a uma ação militar" contra o Irão, disse o conselheiro diplomático Yuri Ushakov aos jornalistas.
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RTP /

Fed mantém taxas de juro inalteradas pela terceira vez consecutiva

A Reserva Federal (Fed) dos EUA manteve as suas principais taxas de juro inalteradas pela terceira vez consecutiva na quarta-feira, como esperado, citando a inflação "elevada" resultante "em parte do recente aumento dos preços globais da energia".

Edifício da Reserva Federal dos Estados Unidos da América Kylie Cooper - Reuters

"Os acontecimentos no Médio Oriente estão a contribuir para um elevado grau de incerteza em relação às perspetivas económicas", enfatizou a Reserva Federal no seu comunicado.

Numa medida bastante invulgar, três membros do comité de política monetária votaram contra a decisão da Reserva Federal, não por se oporem à manutenção das taxas de juro actuais, mas por acreditarem que a instituição deveria ser menos propensa a reduzi-las no futuro.

No total, quatro membros do comité manifestaram a sua discordância: um (o presidente da Fed, Stephen Miran) por desejar um alívio monetário imediato, e os outros três (presidentes regionais da Fed) por discordarem da formulação do comunicado final.

Esta é a primeira vez desde 1992 que a Fed regista quatro votos contra, informou um porta-voz à imprensa.

As ações em Wall Street permaneceram em terreno negativo após a divulgação do comunicado. 

Os preços dos títulos do Tesouro de longo prazo subiram, enquanto os dos títulos de curto prazo desceram. Os mercados de futuros precificavam pouca probabilidade de um corte da taxa de juro por parte da Fed até ao final do ano.

Omair Sharif, presidente da empresa de previsões InflationInsights, disse numa nota aos clientes que a votação atribulada sobre a política monetária fazia algum sentido. 

"O novo comunicado aumentou a preocupação com a inflação", disse, acrescentando que "não é surpreendente" que alguns membros da Fed discordassem da decisão de manter uma postura de afrouxamento monetário, dadas as preocupações com a pressão inflacionista.

O presidente Donald Trump reagiu à decisão, dizendo aos jornalistas reunidos no Salão Oval da Casa Branca, que este seria "um bom momento para reduzir" as taxas de juro de referência dos EUA.
Powell despede-se

Esta terá sido a última reunião presidida por Jerome Powell, como presidente da Reserva Federal dos EUA, antes de o seu sucessor, escolhido por Donald Trump, assumir o comando de uma instituição dividida.

Powell termina o seu mandato em 15 de maio e vai ser substituído por Kevin Warsh, que tem vindo a defender cortes nas taxas, tal como o Presidente do EUA, Donald Trump, tem reivindicado. 

O Comité Bancário do Senado, controlado pelos republicanos, votou na quarta-feira a favor do encaminhamento da nomeação de Warsh, por 13 votos a 11, seguindo a linha partidária. 

A expectativa é que o Senado confirme Warsh no próximo mês.

Na conferência de imprensa habitual para explicar as decisões da FED, Jerome Powell felicitou o seu sucessor e revelou que vai manter-se como no conselho da instituição "por um tempo indeterminado", após terminar o seu mandato.

Realçou também a importância de ter uma Fed "livre de influência política".
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Quase 120 dólares- Preços do petróleo disparam, Brent atinge o valor mais elevado desde 2022

As tensões no mercado petrolífero intensificaram-se na quarta-feira com a perspetiva de um bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz, levando o petróleo Brent a um nível que não se via desde 2022 e os primeiros meses da guerra na Ucrânia.

Maxim Shemetov - Reuters

Por volta das 17h55 GMT, o preço do petróleo Brent, proveniente do Mar do Norte, para entrega em junho, subiu 7,39 por cento, para 119,48 dólares.

Poucos minutos antes, tinha atingido os 119,76 dólares, o preço mais elevado observado durante os dois meses de crise no Médio Oriente.

Assim, regressou ao nível de meados de 2022, quando a invasão russa da Ucrânia provocou uma subida dos preços do petróleo e do gás.

O seu equivalente nos EUA, o crude West Texas Intermediate (WTI), também para entrega em junho, subiu 7,24 por cento, para 107,16 dólares por barril.

Donald Trump levantou a possibilidade de um bloqueio contra o Irão que durasse "vários meses" durante uma reunião na terça-feira com líderes da indústria petrolífera, indicou um alto funcionário da Casa Branca na quarta-feira.

Neste cenário, o bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz também iria provavelmente continuar, observa Arne Lohmann Rasmussen, da Global Risk Management.

Esta possibilidade está a causar ansiedade entre os investidores, dada a importância do estreito para o comércio global, particularmente de hidrocarbonetos.

"O mercado está cada vez mais convencido de que não haverá uma paz rápida e duradoura nem uma reabertura imediata do Estreito de Ormuz", observa o analista.

"Os investidores estão a reagir à falta de progressos na resolução do conflito entre os Estados Unidos e o Irão", acrescenta David Morrison, da Trade Nation.

"Os iranianos precisam de tomar consciência, e depressa!", ameaçou hoje mais cedo Donald Trump na sua rede social Truth Social.

A Casa Branca está a manifestar cepticismo em relação a uma nova proposta de Teerão para desbloquear o Estreito de Ormuz.

Neste contexto, a Administração de Informação Energética dos EUA (EIA) informou que as exportações de crude atingiram um máximo histórico na semana passada nos Estados Unidos.

Durante o período de sete dias que terminou a 24 de abril, foram exportados 6,4 milhões de barris por dia, número que ultrapassa os 14 milhões se incluirmos os produtos petrolíferos refinados.
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Possível cessar-fogo em maio. Putin e Trump falaram ao telefone sobre o Irão e Ucrânia

Um conselheiro do Kremlin confirmou esta quarta-feira que o presidente russo e o homólogo norte-americano falaram ao telefone e trocaram ideias para a resolução do conflito no Irão e a questão do programa nuclear iraniano. 

Nesta conversa, os dois líderes propuseram um cessar-fogo temporário na Ucrânia para assinalar o aniversário da II Guerra Mundial, em maio. Trump reagiu positivamente, referiu Yuri Ushakov.Putin anunciou uma trégua semelhante no ano passado, que durou três dias, mas não foi acordada com Kiev.

Em declarações à imprensa na quarta-feira, o conselheiro diplomático do presidente russo especificou que os dois líderes discutiram principalmente a guerra no Médio Oriente.

"Os presidentes dedicaram especial atenção à situação no Irão e no Golfo Pérsico", afirmou Ushakov.

"Vladimir Putin acredita que a decisão de Donald Trump de prolongar o cessar-fogo com o Irão é acertada, pois deve dar uma oportunidade às negociações e, de um modo geral, contribuir para a estabilização da situação", acrescentou. 

A conversa telefónica foi a primeira anunciada publicamente entre os dois líderes desde nove de Março, nove dias depois de os EUA e Israel terem declarado guerra ao Irão.

Yuri Ushakov, não especificou que propostas Putin fez em relação ao Irão. Moscovo já se tinha oferecido para retirar o urânio enriquecido do país.

Ushakov acrescentou que Trump, numa conversa amigável e profissional que durou mais de uma hora e meia, disse acreditar que um acordo para pôr fim à guerra na Ucrânia estava próximo.
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Guerra já custou 25 mil milhões de dólares, diz responsável do Pentágono

A guerra dos Estados Unidos no Irão já custou 25 mil milhões de euros aos cofres norte-americanos, indicou um alto funcionário do Pentágono esta quarta-feira, citado pela agência Reuters.
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Trump discutiu bloqueio de "vários meses" com executivos do setor petrolífero

Donald Trump levantou a possibilidade de um bloqueio contra o Irão que durasse "vários meses" durante uma reunião na terça-feira com executivos do setor petrolífero, disse um alto funcionário da Casa Branca na quarta-feira.

Os participantes na reunião, que decorreu na terça-feira e foi noticiada em primeiro lugar pelo site Axios, discutiram "as medidas tomadas pelo presidente Trump para aliviar os mercados internacionais de petróleo e as medidas que poderíamos tomar para continuar o atual bloqueio durante meses, se necessário, e minimizar o seu impacto nos consumidores norte-americanos", de acordo com um comunicado enviado à AFP.
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Líbano pede a Israel que "implemente integralmente" o cessar-fogo antes das negociações

O presidente libanês, Joseph Aoun, pediu esta quarta-feira a Israel que respeite integralmente o cessar-fogo, que entrou em vigor a 17 de abril, antes de iniciar negociações diretas, cuja data aguarda que Washington defina.

"Israel deve primeiro implementar integralmente o cessar-fogo antes de avançar para a fase de negociação", disse o presidente, segundo um comunicado da presidência. "Os ataques israelitas não podem continuar assim".

"Estamos agora à espera que os Estados Unidos definam uma data", acrescentou. Duas rondas de negociações já decorreram a nível de embaixadores em Washington para preparar estas negociações.
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Forças israelitas emitem ordens de demolição em Silwan, Jerusalém Oriental ocupada

As forças israelitas emitiram ordens de demolição para casas palestinianas no bairro de Silwan, na Jerusalém Oriental ocupada, informou a agência de notícias palestiniana Wafa.

O governo de Jerusalém afirmou que foram emitidas ordens de demolição para várias casas no bairro de Ras al-Amoud, em Silwan, a sul da Mesquita de Al-Aqsa.

As demolições e ordens de demolição mais recentes ocorrem no meio de uma escalada de ataques e detenções israelitas em toda a Cisjordânia ocupada.
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Procura global de transporte aéreo de mercadorias cai 4,8% em março

A procura de transporte aéreo de mercadorias caiu 4,8% em março, face ao mesmo período de 2025, devido às perturbações nas operações do Golfo Pérsico, causadas pela guerra no Médio Oriente, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).

Nesta região, as companhias aéreas do Médio Oriente sofreram uma queda de 54,3% na procura, o pior resultado de todas as regiões, com uma redução da capacidade em 52,4%, avançou a associação.

"É importante salientar que as redes de transporte aéreo de mercadorias estão a proporcionar a flexibilidade necessária para apoiar as cadeias de abastecimento globais, à medida que estas se adaptam às tensões geopolíticas, tarifárias e operacionais", referiu o organismo, que representa os interesses de mais de 260 companhias aéreas em todo o mundo.

Numa nota, o diretor-geral da IATA, Willie Walsh, afirmou que agora todas as atenções estão voltadas "para o abastecimento e o preço do combustível, que se espera que ponha à prova a resiliência do setor nos próximos meses".

A este respeito, a entidade recordou que a produção industrial cresceu 3,1% em fevereiro, o que representou mais de três anos consecutivos de expansão, e o comércio mundial de mercadorias aumentou 8,0% em termos homólogos nesse mês.

Além disso, os preços do combustível para aviões subiram abruptamente em março 106,6% em termos homólogos, devido a um aumento de 43,1% nos preços do petróleo bruto e a um aumento de 320% nas margens de refinação.

Por regiões, as companhias aéreas norte-americanas registaram uma descida de 1,2% na procura e de 1,1% na sua capacidade, enquanto as europeias tiveram um aumento de 2,2% na procura e de 4,2% na sua capacidade, precisou a IATA.

As companhias aéreas da América Latina e das Caraíbas registaram nesse mês um aumento interanual de 1,8% na procura de transporte aéreo de mercadorias e de 5,1% na sua capacidade.
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Relatório da FAO e do PAM
RTP /

Mais de 1,2 milhões de pessoas no Líbano em risco de enfrentar fome aguda

Mais de 1,2 milhões de pessoas no Líbano deverão enfrentar fome aguda devido à guerra entre Israel e o Hezbollah, segundo um relatório apoiado pela ONU.

Cerca de “1,24 milhões de pessoas – quase um quarto da população analisada – deverão enfrentar a insegurança alimentar” em níveis críticos ou piores entre abril e agosto de 2026, afirma uma declaração conjunta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Programa Alimentar Mundial (PAM) e do Ministério da Agricultura do Líbano.

Isto representa uma “deterioração significativa” em relação ao período anterior ao início da guerra em março, “quando cerca de 874 mil pessoas, aproximadamente 17% da população, enfrentavam uma grave insegurança alimentar”, referiu o comunicado.

“A deterioração deve-se ao conflito, à deslocação e às pressões económicas.”
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RTP /

Médio Oriente. Amnistia Internacional apela a cessar-fogo duradouro

A Amnistia Internacional pede um cessar-fogo duradouro entre os Estados Unidos e o Irão e entre Israel e o Líbano.

A organização internacional defende que só um cessar-fogo sustentável e duradouro pode proteger os civis e garantir a segurança, a proteção dos direitos humanos e a justiça para todos na região.

A Amnistia lembra que os vários conflitos na região do Golfo já provocaram milhares de mortos, feridos e deslocados.

A Organização apela à comunidade Internacional para que seja firme na defesa do direito internacional e que Portugal tem que ter uma posição mais corajosa.
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RTP /

Trump reuniu-se com a Chevron e outras empresas de energia

O presidente Donald Trump e alguns dos seus principais conselheiros reuniram-se com executivos do setor energético na Casa Branca na terça-feira, onde discutiram a contínua pressão sobre os preços do petróleo no meio da guerra com o Irão, entre outros temas, disse um funcionário da Casa Branca à CNN.

A chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o enviado especial Steve Witkoff e o genro do presidente, Jared Kushner, estiveram presentes, disse o funcionário.

O CEO da Chevron, Mike Wirth, estava entre os executivos de petróleo e gás presentes.

O presidente reúne-se frequentemente com executivos do setor energético para obter feedback sobre os mercados energéticos nacionais e internacionais — “Reuniram-se ontem”, disse o responsável. “Os executivos discutiram diversos assuntos, incluindo a produção nacional, os progressos na Venezuela, os contratos futuros de petróleo, gás natural e transporte marítimo.”
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Esforços pela paz prosseguem garante primeiro-ministro do Paquistão

O primeiro-ministro do Paquistão afirma que os esforços para estabelecer a “paz no Médio Oriente… ainda estão em curso”, enquanto as negociações entre os EUA e o Irão parecem estar paralisadas.

“Graças aos nossos imensos esforços, o cessar-fogo foi prolongado e ainda está em vigor”, escreveu o gabinete do primeiro-ministro numa publicação nas redes sociais.

“Os esforços pela paz continuam e não haverá redução nos mesmos.”
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RTP /

Energia está no centro da urgência europeia

Em Estrasburgo, Ursula von der Leyen defendeu que a resposta passa por acelerar a transição com mais renováveis e energia nuclear e cortar a dependência dos combustíveis fósseis.

Foto: Reuters

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Lusa /

OPEP destaca ritmo frenético do mercado energético mundial

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) destacou hoje o "ritmo frenético" com que muda o mercado energético mundial, apesar dos seus esforços para mantê-lo estável com a sua política de controlo da produção dos países membros.

A indústria petrolífera "é complexa, frequentemente afetada por uma ampla gama de acontecimentos, e evolui a um ritmo frenético, frequentemente minuto a minuto", disse o secretário-geral da OPEP, o kuwaitiano Haitham Al Ghais, na introdução ao Boletim Estatístico Anual da organização publicado hoje, um dia depois de os Emirados Árabes Unidos anunciarem a sua retirada do grupo a partir de 01 de maio.

Esta é a única alusão às turbulências que afetam atualmente o setor devido à guerra do Irão e ao encerramento do estreito de Ormuz que se encontram no documento, já que este abrange os dados até 31 de dezembro, antes do início da guerra em 28 de fevereiro passado com bombardeamentos dos Estados Unidos e Israel contra a república islâmica.

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Andrea Neves, Correspondente da RTP Antena 1 em Bruxelas /

Bruxelas autoriza ajudas de Estado para os setores mais atingidos pela crise energética

Os Estados-Membros pediam regras específicas para as ajudas de Estado para poder auxiliar as empresas que precisam mais nestes momentos de crise, com preços altos na energia. A Comissão Europeia respondeu esta quarta-feira e apresentou várias medidas, a começar pelas que se dirigem aos agricultores, aos transportes e aos pescadores.

Foto: Vasily Fedosenko - Reuters

“Para a agricultura, pescas e transportes, permitimos a compensação pelo aumento do preço dos combustíveis para a agricultura. Também abrangemos os fertilizantes” disse a vice-presidente da Comissão Europeia esta manhã em Bruxelas.

"Os Estados-Membros poderão compensar até 70% dos beneficiários dos custos adicionais decorrentes do aumento do preço dos combustíveis e fertilizantes provocado pela crise, face aos níveis anteriores a 28 de fevereiro. Introduzimos também uma opção simplificada de compensação fixa até 50.000 € por beneficiário. Esta opção simplificada será particularmente atrativa para os mais vulneráveis e expostos à crise. Penso nos pequenos agricultores, nos pescadores e transportadores, nas micro e pequenas empresas”.

A vice-presidente da Comissão apresenta também soluções para os Estados apoiarem as empresas com uso intensivo de eletricidade.

Teresa Ribera recorda que os estados-membros pediram à Comissão para que proporcionasse “mais alívio nas faturas de eletricidade. Este tipo de apoio é já possível no âmbito do programa de Ajuda Estatal à Indústria Limpa” e garante que é o que vai ser feito ao “alargar temporariamente as nossas regras permanentes nos sistemas para estes setores. Aumentamos a intensidade do auxílio. Até agora, era possível compensar 50% do consumo de eletricidade elegível. Aumentámos agora essa percentagem para 70% novamente”.

Medidas que serão direcionadas e temporárias.

“Temporariamente, pois as regras serão válidas até ao final deste ano. Dentro deste período, os Estados-Membros podem modular o carácter temporário do apoio de acordo com as necessidades que identificarem. Como já foi dito, não se

sabe ao certo quanto tempo poderá durar esta situação. Por isso, consideramos importante monitorizar a situação e estarmos preparados para reavaliar as regras, caso seja necessário no futuro” reforçou Teresa Ribera.
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Afirma Casa Branca
RTP /

Negociadores dos EUA continuam em comunicação com o Irão

A Casa Branca afirma que os negociadores continuam em contacto com os iranianos, que estão a "lutar para resolver a sua situação de liderança" em plena guerra.

Num comunicado de imprensa, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, disse que Trump só entraria num acordo com o Irão que "coloque a segurança nacional dos EUA em primeiro lugar".

"Ele deixou claro que o Irão nunca poderá possuir uma arma nuclear", disse Kelly.

A declaração da Casa Branca surge depois de Trump ter afirmado na sua plataforma de redes sociais TruthSocial que o Irão não sabia como assinar um acordo não nuclear e que "é melhor tomarem consciência em breve".
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RTP /

Líbano detém ex-embaixador palestiniano no aeroporto de Beirute sob acusações de corrupção

As autoridades libanesas detiveram o antigo embaixador palestiniano no Líbano Ashraf Dabbour, pouco depois da sua chegada ao país, devido a acusações de corrupção, disseram hoje as autoridades locais.

Dabbour foi detido ao chegar no aeroporto internacional Rafik Hariri, em Beirute, na noite de terça-feira, segundo dois funcionários judiciais e dois agentes de segurança que falaram sob anonimato.

O Presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, retirou Dabbour do cargo de embaixador palestiniano no Líbano no ano passado, depois de a Autoridade Palestiniana (AP) o ter acusado de corrupção.

As autoridades libanesas adiantaram que Dabbour foi detido em Beirute com base num alerta vermelho emitido pela Interpol no final do ano passado.

Dabbour está alegadamente envolvido na venda de propriedades no Líbano que pertenciam à Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que tinha sede no país até à invasão israelita do Líbano em 1982.

As autoridades disseram que Dabbour estava a ser interrogado por um juiz do Ministério Público de Beirute.

Lusa
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RTP /

Reino Unido pediu às refinarias para maximizarem o fornecimento de combustível para aviões

O Reino Unido pediu às refinarias britânicas que maximizem o fornecimento de combustível para aviões, enquanto continua a planear uma série de medidas de contingência para aumentar a flexibilidade no abastecimento.

O anúncio, feito pelo ministro da Energia, Michael Shanks, surge numa altura em que as companhias aéreas enfrentam um grande desafio devido ao aumento dos preços do combustível para aviões, em consequência da guerra no Irão.
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RTP /

Ataque aéreo israelita no sul do Líbano faz dois mortos, incluindo um soldado libanês

O exército libanês informou que um soldado e o seu irmão foram mortos num ataque aéreo israelita em Khirbet Selm, no distrito de Bint Jbeil, no sul do Líbano.

Numa publicação nas redes sociais, o exército disse que os dois irmãos foram atacados enquanto se deslocavam de mota do local de trabalho do soldado para a sua casa, na cidade de as-Sawana.
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Lusa /

UE gastou 27 mil milhões de euros a mais em combustível em dois meses de conflito

A União Europeia (UE) gastou, em dois meses de conflito no Irão, mais de 27 mil milhões de euros a importar combustíveis fósseis, perdendo "quase 500 milhões por dia", disse hoje a presidente da Comissão Europeia.

"Em apenas 60 dias, a nossa conta de importações de energia fóssil aumentou em mais de 27 mil milhões de euros, sem que tenha sido comprada mais uma molécula adicional de energia", disse hoje Ursula von der Leyen, num debate no Parlamento Europeu (PE) sobre o Médio Oriente e os preços dos combustíveis e fertilizantes.

A União Europeia (UE) está a perder "quase quinhentos milhões [de euros] por dia", referiu, intervindo na sessão plenária do PE, em Estrasburgo (França), para acrescentar que a lição a aprender com a crise é clara: "num mundo turbulento como o nosso, não podemos ficar dependentes de energia importada".

As consequências do conflito no Médio Oriente "poderão durar durante meses ou mesmo anos", alertou ainda, defendendo a aposta na produção de uma energia acessível e limpa na UE, "desde as renováveis ao nuclear".

O conflito no Médio Oriente foi iniciado em 28 de fevereiro com os ataques de Israel e dos Estados Unidos da América ao Irão, que retaliou sobre países vizinhos aliados de Washington e encerrou a navegação, nomeadamente de petroleiros, no estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico.

Os preços da energia e dos combustíveis dispararam, bem como dos fertilizantes, arrastando a inflação na UE.

 

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RTP /

Mais de 20 executados e quatro mil detidos no Irão desde início da guerra

Pelo menos 21 pessoas foram executadas no Irão e quatro mil foram detidas desde o início da guerra com os EUA e Israel, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUR).

As execuções ocorreram no meio da repressão da dissidência por parte do Irão, em particular através de “acusações relacionadas com a segurança nacional”, disse esta terça-feira o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk.

Pelo menos nove pessoas foram executadas no âmbito dos protestos de janeiro de 2026, dez por alegada participação em grupos de oposição e duas por acusações de espionagem, informou a agência.

O comunicado prosseguiu afirmando que, desde 28 de Fevereiro, “estima-se que mais de quatro mil pessoas tenham sido detidas sob acusações relacionadas com a segurança nacional no Irão”.

Muitos dos reclusos foram vítimas de desaparecimento forçado, tortura ou sujeitos a “tratamento cruel, desumano e degradante”, concluiu o comunicado.

“Estou consternado que – para além dos já severos impactos do conflito – os direitos do povo iraniano continuem a ser cerceados pelas autoridades, de formas duras e brutais”, realçou Türk.
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RTP /

Cinco pessoas mortas pelas forças israelitas em Gaza nas últimas 24 horas

Pelo menos cinco pessoas morreram e sete ficaram feridas em ataques israelitas em Gaza nas últimas 24 horas, informou o Ministério palestiniano da Saúde.

O Ministério acrescentou que, desde o início do cessar-fogo, em outubro, 823 pessoas foram mortas e 2.308 ficaram feridas.

Desde outubro de 2023, quando Israel iniciou a sua guerra genocida contra Gaza, 72.599 pessoas foram mortas e 172.411 ficaram feridas no enclave sitiado.
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RTP /

Embarcação ligada ao Japão passa pelo Estreito de Ormuz

Uma embarcação ligada a Tóquio passou pelo Estreito de Ormuz na quarta-feira e está a caminho do Japão, informou o Ministério japonês dos Negócios Estrangeiros.

O petroleiro — um dos poucos navios a passar pela via navegável congestionada nos últimos dias — transporta três tripulantes japoneses, segundo o ministério.

“O Governo do Japão considera a passagem desta embarcação relacionada com o Japão um desenvolvimento positivo, incluindo do ponto de vista da proteção dos cidadãos japoneses”, acrescentou o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“O Japão continuará a instar o Irão a garantir a passagem livre e segura pelo Estreito de Ormuz para todas as embarcações, incluindo as relacionadas com o Japão”, concluiu.
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RTP /

Israel intercetou drone lançado pelo Líbano

O exército israelita afirma ter intercetado um drone na região de Avivim, lançado do Líbano antes de atravessar para território israelita.

Numa publicação no Telegram, o exército informou ainda que foi lançado um intercetor contra um “alvo aéreo suspeito” na mesma área onde os soldados estão a operar no sul do Líbano, mas os resultados desta interceção ainda estão a ser analisados.

Numa atualização posterior, o exército disse ter lançado outro intercetor contra um “alvo aéreo suspeito” na região de Metula, outra área onde os soldados estão a operar no sul do Líbano.
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RTP /

Exportações de combustível da China em maio devem superar as de abril

A China aprovou a exportação de 500 mil toneladas de combustível para maio para regiões fora de Hong Kong, representando quase o dobro dos envios previstos para abril, disseram fontes do mercado à Reuters, mas os níveis continuam a ser menos de metade do esperado.

Pequim restringiu as exportações de combustível desde março para proteger o mercado interno da perturbação no fornecimento de crude e combustível provocada pelo encerramento do Estreito de Ormuz na guerra entre os EUA e Israel com o Irão.

Países da região Ásia-Pacífico, como a Austrália, Bangladesh, Camboja, Laos, Maldivas, Myanmar, Nova Zelândia e Sri Lanka, deverão receber combustível da China em maio, com Pequim a designar os volumes e os destinos, disseram duas fontes com conhecimento direto do assunto.

No ano passado, a China exportou uma média mensal de cerca de 1,6 milhões de toneladas de gasolina, gasóleo e querosene de aviação para regiões para além de Hong Kong, segundo dados de rastreio de navios da Kpler.

Os pequenos aumentos nos envios ocorreram após pressão das refinarias estatais para retomar algumas vendas externas, visando captar as robustas margens de exportação dos três combustíveis, dado que o aumento dos custos do crude e a queda dos preços dos combustíveis na China impactam as margens de processamento doméstico, disseram as fontes.

Mais de metade das 500 mil toneladas aprovadas foi destinada à principal refinaria, a Sinopec, enquanto a PetroChina foi autorizada a embarcar 150 mil toneladas e a CNOOC, 40 mil toneladas.

O gasóleo e o querosene de aviação representarão provavelmente pelo menos 40 por cento do volume, acrescentou uma das fontes.

As margens de refinação do gasóleo na Ásia estavam nos 55 dólares por barril a 29 de abril, enquanto as do querosene de aviação e da gasolina estavam nos 62 e 15 dólares por barril, respetivamente.
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Cristina Sambado - RTP /

A importância da saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP

É um acontecimento muito significativo que os Emirados Árabes Unidos (EAU) tenham anunciado a sua saída abrupta da OPEP, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Os emirados eram membros mesmo antes de se tornarem um Estado-nação em 1971, considera o editor de economia da BBC, Faisal Islam.

Lisi Niesner - EPA

A OPEP é a organização composta principalmente por exportadores de petróleo do Golfo, que durante muitas décadas controlou o preço do petróleo bruto, diminuindo ou aumentando a produção e alocando quotas entre os seus membros. Desempenhou um papel vital nas crises petrolíferas da década de 1970, que, por sua vez, transformaram a política energética global.

Embora a produção da OPEP seja dominada pela Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos (EAU) possuíam a segunda maior capacidade de produção ociosa. Por outras palavras, eram o segundo produtor de equilíbrio mais importante, capaz de aumentar a produção para ajudar a aliviar os preços.De facto, foi precisamente isto que levou a reconsiderações a longo prazo da posição dos EAU. Simplificando, os Emirados Árabes Unidos queriam utilizar a considerável capacidade em que tinham investido.

As quotas da OPEP limitavam a sua produção a 3-3,5 milhões de barris por dia. Os sacrifícios decorrentes da adesão à Organização dos Países Exportadores de Petróleo, em termos de perda de receitas, estavam a ser feitos de forma desproporcionada pelos EAU.

No entanto, segundo o editor de economia da BBC, Faisal Islam, o timing desta decisão sugere consequências da guerra com o Irão. A tensão no Golfo afetou a relação dos EAU com o Irão e pode afetar a sua já tensa relação com a Arábia Saudita.

Quanto à OPEP, este é um grande golpe numa altura em que se colocam questões significativas sobre a sua coesão a longo prazo.

“Guerra” de preços entre Abu Dhabi e Riade
Não se trata apenas da possibilidade de os Emirados Árabes Unidos, poderem retomar totalmente o fornecimento do seu petróleo ao mercado por via marítima ou por oleoduto, provavelmente procurarão uma produção de cinco milhões de barris por dia. A Arábia Saudita pode responder com uma guerra de preços do petróleo que a economia mais diversificada dos EAU poderia suportar, mas outros membros mais pobres da OPEP talvez não.

Altos funcionários dos Emirados Árabes Unidos falam sobre novos oleodutos a partir dos campos petrolíferos dos Emirados Árabes Unidos em Abu Dhabi, contornando o Estreito de Ormuz e seguindo em direção ao porto subutilizado de Fujairah.

Já existe um oleoduto em uso intenso atualmente, mas será necessária mais capacidade para lidar com o aumento da produção e com a mudança permanente na fluidez e no custo do tráfego de petroleiros no Golfo.Para já, é claro, durante o duplo bloqueio do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, este não é o principal acontecimento nos mercados petrolíferos, afetando os preços do petróleo, gás, gasolina, plásticos e alimentos.

Embora o mundo esteja compreensivelmente focado no petróleo a 110 dólares por barril, esta é, no entanto, uma razão para não descartar a possibilidade de que possa estar mais próximo dos 50 dólares algures no próximo ano – se a situação no Estreito for resolvida, por exemplo, a tempo das eleições intercalares nos EUA ainda este ano.

A OPEP é menos importante para os mercados petrolíferos mundiais do que era na década de 1970, sendo que a quota de 85% do petróleo comercializado internacionalmente que detinha nessa altura era hoje algo em torno dos 50%.

O petróleo é também menos crucial para a economia mundial do que era na década de 1970. A OPEP tem influência agora, mas não um monopólio. Não pode, por assim dizer, manter o mundo refém.

Hidrocarbonetos serão substituídos por outras fontes de energia

Faisal Islam recorda que ouviu o antigo ministro saudita do Petróleo, Sheikh Yamani a afirmar que, “a Idade da Pedra não terminou porque o mundo ficou sem pedras. A Era do Petróleo não terminará porque o mundo ficará sem petróleo." Isto prenuncia um mundo onde os hidrocarbonetos serão substituídos por outras fontes de energia.

Uma forma de interpretar a ação dos EAU é como um sinal de um mundo com menor dependência do petróleo, e outros indícios surgiram no contexto atual: os investimentos da China na eletrificação ajudaram a amortecer o impacto económico da subida dos preços do petróleo e do gás.

Segundo alguns cálculos, a eletrificação de automóveis, camiões e comboios na China reduziu a procura de petróleo na segunda maior economia do mundo em um milhão de barris por dia. A procura global de petróleo poderá atingir um nível estável à medida que esta tendência se acelera em todo o mundo.

Neste caso, faz sentido angariar o máximo de dinheiro possível com as reservas de petróleo o mais rapidamente possível, antes que a procura entre em colapso. Os Emirados Árabes Unidos possuem poderio financeiro e uma economia parcialmente diversificada, através dos serviços financeiros e do turismo.

Muito dependerá de como será o novo normal quando as hostilidades no Golfo cessarem.

A saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP poderá desencadear um efeito dominó, e haverá uma pressão considerável sobre a Arábia Saudita.Quando os petroleiros voltarem a atravessar o Estreito, ou se os EAU intensificarem os seus esforços para construir novos oleodutos, o petróleo dos Emirados Árabes Unidos fluirá como nunca antes, sem as restrições impostas pelos compromissos da OPEP.

Isto terá pouco efeito sobre os bloqueios atuais. Mas poderá mudar tudo mais tarde.
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Na rede social Truth
RTP /

Trump afirma que "Irão não se consegue organizar" e que "acabou o senhor simpático"

Numa publicação na rede social Truth, o presidente norte-americano afirma que “o Irão não se consegue organizar”, nem “sabe assinar um acordo não nuclear”.

“O Irão não consegue organizar-se. Não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor que se habituem logo! Presidente DJT”, escreveu o inquilino da Casa Branca na rede social, acrescentado, em maiúsculas, que, “ACABOU O SENHOR SIMPÁTICO!"

Na publicação, gerada por Inteligência Artificial, Donald Trump coloca uma fotografia sua de gravata preta, óculos escuros e a carregar uma espingarda de assalto, num cenário de guerra.

A partilha surge numa altura em que as negociações entre Washington e Teerão estão completamente paralisadas há vários dias.
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RTP /

Von der Leyen defende uma Europa eletrificada

A presidente da Comissão Europeia defendeu hoje, em Estrasburgo (França), a necessidade de eletrificar a Europa, perante a crise energética causada pela guerra no Médio Oriente.

“Este é o momento de eletrificar a Europa”, desafiou Ursula von der Leyen, num debate no Parlamento Europeu (PE), adiantando que até ao verão o executivo que lidera irá apresentar um Plano de Ação para a Eletrificação, “com uma meta ambiciosa”.

A presidente da Comissão referiu que os 95 mil milhões de euros ainda disponíveis no orçamento da União Europeia (UE) para a energia serão destinados “a fazer a transição para a eletricidade – não apenas nos transportes, mas também na indústria e no aquecimento”, salientando que se trata de segurança económica.

"Em 2022, o gás determinou os nossos preços de eletricidade durante 70% do tempo, hoje, este valor desceu para os 30%, disse também, alertando, por outro lado, para que “a eletricidade ainda representa menos de um quarto do consumo de energia final".

Von der Leyen referiu ainda que as medidas de apoio a cidadãos e empresas “devem ser direcionadas exclusivamente para os agregados familiares e os setores mais vulneráveis – e evitar aumentar a procura de gás e petróleo”, apelando para uma concentração das ajudas “onde é mais importante”.
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Lusa /

Preço do petróleo Brent ultrapassa os 112,50 dólares por barril

O preço do petróleo Brent para entrega em junho, que estava estável hoje ao início da manhã, recuperou, subindo mais de 1% para mais de 112,50 dólares por barril, enquanto o mercado continua focado no conflito no Médio Oriente.

Às 09:30 (08:30 em Lisboa), o Brent, referência europeia para o crude, subia 1,11% no mercado de futuros de Londres, atingindo os 112,51 dólares, marcando a sua oitava sessão consecutiva de ganhos.

Na terça-feira, depois de os Emirados Árabes Unidos (EAU) terem anunciado a sua saída da OPEP e da OPEP+ a partir de 01 de maio, o Brent subiu 2,8% para mais de 111 dólares.

Entretanto, as conversações de paz entre os Estados Unidos e o Irão continuam paralisadas, assim como o bloqueio do Estreito de Ormuz.

Por sua vez, o crude West Texas Intermediate (WTI), a referência dos EUA, também subiu hoje, ganhando 0,95% para 100,68 dólares por barril.

A 09 de março, dias após o início do conflito no Médio Oriente (a 28 de fevereiro), o crude Brent atingiu os 119,50 dólares, o seu preço mais elevado desde 2022.

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RTP /

Lucro trimestral da TotalEnergies dispara, impulsionado pela subida dos preços do petróleo

A gigante francesa de petróleo e gás TotalEnergies reportou um aumento de quase 50% no lucro líquido do primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo os 5,8 mil milhões de dólares, impulsionado pela subida dos preços do petróleo em resultado da guerra no Médio Oriente.

O crescimento da produção de gás e petróleo permitiu ao grupo compensar as perdas na região do Golfo, equivalentes a 15% dos seus negócios globais de petróleo e gás, afirmou a empresa em comunicado, destacando ainda "a sua capacidade de capitalizar sobre a subida dos preços".
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RTP /

Cazaquistão afirma que não considera abandonar a OPEP+

O Ministério da Energia do Cazaquistão afirmou esta quarta-feira que o país da Ásia Central não está a considerar abandonar a OPEP+, um dia depois de os Emirados Árabes Unidos terem anunciado que iriam abandonar o grupo de produtores de petróleo no meio da crise energética provocada pela guerra com o Irão.
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RTP /

Aeroporto de Heathrow alerta que guerra com o Irão afetará o número de passageiros em 2026

O aeroporto de Heathrow afirmou esta quarta-feira que o número de passageiros para o resto do ano será provavelmente impactado pela guerra com o Irão, apesar de ter absorvido temporariamente a procura de outros aeroportos após o encerramento do espaço aéreo na região.

O maior aeroporto do Reino Unido reiterou uma perspetiva incerta para o ano, mas informou que 18,9 milhões de passageiros viajaram pelo aeroporto no oeste de Londres no primeiro trimestre, um aumento de 3,7 por cento em relação ao ano anterior.
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Lusa /

Realizador iraniano Ali Asgari trocaria o cinema pela paz

O realizador Ali Asgari, prestes a estrear o mais recente filme em Portugal, disse à Lusa que gostaria que o povo do Irão pudesse ter paz e felicidade, e que abdicaria do cinema se isso pudesse ser uma troca.

O filme "Divina Comédia", que se estreou em Veneza no ano passado e chega quinta-feira a salas portuguesas de cinema pela Nitrato Filmes, aborda, com traços de sátira, o caso de um realizador que vê o seu filme proibido pelas autoridades iranianas e tenta projetá-lo de qualquer maneira, de forma clandestina, em Teerão.

Em entrevista à Lusa antes do começo da 3.ª edição do Festival Internacional de Cinema da Maia, que começa hoje e prossegue até sábado naquele concelho do distrito do Porto, e onde Asgari vai estar em destaque, o cineasta contou que não pede permissão às autoridades para filmar porque sempre acreditou que "é muito importante ter esta liberdade de expressão" e escrever o que considera ser o melhor para si e para a mensagem que pretende transmitir.

No cinema de Asgari, a cidade natal do realizador, Teerão, é, em si mesma, uma personagem, com os seus 15 milhões de habitantes, as ruas, as lojas e uma desigualdade que se aprofunda entre ricos e pobres.

"A cidade está cheia de histórias diferentes, de pessoas diferentes com culturas diferentes. Estão a cruzar-se. Ao mesmo tempo, durante anos, os filmes do Irão aconteciam em aldeias e em pequenos lugares. Decidi, por ter nascido em Teerão e por ter crescido lá, [filmar na cidade]", explicou o realizador.

Questionado sobre o impacto da guerra, o cineasta -- que já chegou a ter o passaporte retido por meses - realçou que os milhares de mortos nos protestos de janeiro terão causado ainda mais repercussões do que a guerra lançada pelos Estados Unidos da América e Israel sobre a sociedade iraniana, "porque o povo sofreu muito com o que aconteceu, muita depressão, muita tristeza, e isso afetou a vida de toda a gente no Irão".

"Penso que os cineastas, mais do que nunca, pensaram numa forma diferente de fazer cinema. Porque não é fácil testemunhar uma tragédia e depois fazer as mesmas coisas que fazias antes", disse Ali Asgari.

Sobre se o conflito, que levou a uma reação do Irão sobre os seus vizinhos regionais, poderia trazer contrariedades aos realizadores na divulgação do seu trabalho no exterior, o cineasta disse acreditar que tal não acontecerá.

"O que estamos a fazer é falar sobre a verdade. [...] A verdade é algo que as pessoas esperam ouvir. [...] Mas, acima de tudo, não é tão importante agora pensar em termos de quem é que é mais afetado ou não", afirmou o realizador de "Versos Terrenos".

Para Asgari, "mais que tudo, o importante é que as pessoas no Irão encontrem paz, encontrem felicidade".

O realizador afirmou que preferia não fazer filmes o resto da vida, mas que o povo, a sua família, a sua mãe, tivessem "uma vida tranquila, em paz e felicidade".

Vencedor de vários prémios internacionais, incluindo no festival de curtas-metragens de Évora FIKÉ em 2013, e nomeado em dezenas de ocasiões, com várias passagens pelo Curtas de Vila do Conde, o trabalho de Asgari já passou por alguns dos principais festivais mundiais, de Berlim a Cannes, onde o cineasta vai regressar em maio, como elemento do júri da competição de curtas-metragens e da secção La Cinef, dedicada a cineastas emergentes.

Segundo a Nitrato, "Divina Comédia" vai estar a partir de quinta-feira em salas de Castelo Branco, Coimbra, Lisboa, Portimão e Porto.

 

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Lusa /

Amnistia defende acordo de paz regional duradouro e sustentável

A Amnistia Internacional defendeu hoje que "um cessar-fogo regional duradouro, sustentável e abrangente", incluindo todos os países afetados pelo conflito, deve substituir as frágeis e temporárias tréguas entre Estados Unidos e Irão, Israel e Líbano.

Segundo a organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos, Portugal, por sua vez, tem "a responsabilidade e o dever moral de contribuir para o fim deste conflito", pelo que "deve cessar urgentemente qualquer apoio militar aos Estados Unidos que possa tornar possíveis quaisquer violações do direito internacional".

Num comunicado, a Amnistia sustentou que só assim se poderá impedir "mais sofrimento catastrófico entre a população civil e abrir caminho para a justiça, o respeito pelo direito internacional e a proteção a longo prazo dos direitos humanos para todos".

"Apesar da redução das hostilidades armadas, este continua a ser um momento crítico e profundamente precário para os civis em todo o Médio Oriente: ambos os atuais acordos de cessar-fogo são frágeis, temporários e correm o risco de ruir a qualquer momento, colocando, mais uma vez, em perigo a vida de milhões de civis", sublinhou a organização.

"Os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão continuam a trocar ameaças e a realizar ataques e apresamentos de navios no estreito de Ormuz; no Líbano, tal como tem acontecido desde 2024, o mais recente cessar-fogo levou a uma redução, mas não ao fim das hostilidades, e as forças militares israelitas permaneceram em território libanês, ordenando aos residentes de dezenas de aldeias nas zonas fronteiriças que não regressassem", descreveu, no comunicado.

E no Irão, "entretanto, os civis enfrentam o duplo risco de crimes atrozes associados a um recomeço dos ataques ilegais dos Estados Unidos e de Israel, bem como de uma repressão mortal por parte das autoridades" do regime teocrático, acrescentou.

Para a Amnistia Internacional, "os ataques dos EUA e de Israel ao Irão, a 28 de fevereiro, foram ilegais, violando a proibição do uso da força prevista na Carta das Nações Unidas, e desencadearam atos ilegais por parte das autoridades iranianas em retaliação".

"Desde então, mais de 5.000 pessoas foram mortas e milhões de civis em todo o Médio Oriente viram as suas vidas viradas do avesso, à medida que conflitos relacionados se intensificaram na região e civis e infraestruturas civis foram alvo de ataques", prosseguiu a ONG.

"Todas as partes, incluindo os EUA, Israel, o Irão e o [movimento xiita libanês] Hezbollah, lançaram ataques ilegais, demonstrando um desprezo arrepiante pela vida humana, enquanto o Presidente dos EUA proferiu ameaças descaradas de cometer crimes de guerra e até mesmo genocídio, ameaçando `aniquilar uma civilização inteira` no Irão", vincou.

De acordo com a secretária-geral da Amnistia, Agnès Callamard, "a comunidade internacional deve agora traçar uma linha vermelha: tem de haver um cessar-fogo duradouro e genuíno", o que "requer a cessação total das hostilidades armadas por todas as partes, em todos os países afetados".

Os conflitos armados "alastraram rapidamente a 12 países, pondo em risco a vida e a saúde de milhões de civis, com ataques que devastaram habitações civis e infraestruturas essenciais, prejudicando o ambiente e desencadeando ondas de choque económicas sentidas em toda a região e no mundo", referiu a organização.

"Um cessar-fogo sustentável e duradouro é o único caminho credível para proteger os civis e abrir caminho para a segurança a longo prazo, a proteção dos direitos humanos e a justiça para todos na região --- incluindo no Irão, no Líbano, em Israel, nos Territórios Palestinianos Ocupados e nos Estados do Golfo" Pérsico, defendeu Callamard.

Segundo a responsável, "um cessar-fogo que não seja acompanhado por soluções de longo prazo que salvaguardem os direitos humanos e abordem as causas profundas é pouco mais do que um remendo temporário numa ferida profunda".

"Isto é particularmente verdade no Irão, onde a população continua em risco de novas atrocidades às mãos das autoridades da República Islâmica, e no Líbano, onde os civis enfrentam a perspetiva de um conflito renovado, deslocações indefinidas de civis e a destruição das suas casas", afirmou.

Perante a "erosão perigosa e contínua da ordem jurídica internacional e do respeito pelo direito internacional humanitário" a que estamos a assistir, a secretária-geral da Amnistia sustentou que "a comunidade internacional deve investigar exaustivamente os ataques ilegais dos EUA e de Israel contra o Irão, que violam a Carta das Nações Unidas e constituem crimes ao abrigo do direito internacional, e garantir que os Estados e os indivíduos sejam responsabilizados".

Quanto ao Governo português, o diretor executivo da Amnistia Internacional -- Portugal, João Godinho Martins, defendeu que, depois de ter contribuído para a continuação desta guerra, "através do seu apoio político e militar aos EUA", deve agora assumir "um papel crucial na manutenção de um cessar-fogo sustentável e duradouro".

"Portugal tem de fazer a sua parte. Portugal tem a responsabilidade e o dever moral de contribuir para acabar com este conflito e, acima de tudo, garantir que não contribui para violações do direito internacional", afirmou João Godinho Martins.

"Para assegurar o cumprimento das suas obrigações internacionais, Portugal deve cessar urgentemente qualquer apoio militar aos Estados Unidos que possa tornar possíveis quaisquer violações do direito internacional, suspendendo imediatamente as transferências de armas para qualquer parte envolvida no conflito atual, e recusar a disponibilização da Base das Lajes e do espaço aéreo nacional para apoiar operações militares norte-americanas na região, e no quadro do atual acordo bilateral com os EUA", precisou.

Para o responsável da Amnistia em Portugal, "o Governo português deve enviar sinais claros, de forma coerente e sem discriminação entre partes, de que todos os Estados estão obrigados a cumprir os seus compromissos ao abrigo do direito internacional, defendendo a importância dos sistemas multilaterais, e usando todos os mecanismos ao seu alcance para pressionar os perpetradores, nomeadamente votando a favor da suspensão do Acordo de Associação União Europeia-Israel".

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Trump diz que Irão pede o fim do bloqueio americano
RTP /

Bloqueio naval deixa 20 navios retidos em importante porto iraniano

As Forças Armadas norte-americanas adiantaram hoje que, devido ao bloqueio naval imposto ao Irão, cerca de 20 navios estão retidos no porto de Chah Bahar, o único porto com acesso direto ao oceano Índico.

Este porto é um importante centro de comércio com países do Sul e Centro da Ásia, noticiou a agência Efe.

"Antes do bloqueio americano ao Irão, o porto de Chah Bahar tinha uma média de cinco navios ancorados diariamente. Hoje, mais de 20 embarcações permanecem retidas", indicou o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) na rede social X.

As Forças Armadas norte-americanas acrescentaram que o bloqueio naval aos portos iranianos, em vigor desde 13 de abril, praticamente paralisou o comércio da República Islâmica.

O porto de Chah Bahar é considerado estratégico por ser a única saída do Irão para o oceano Índico, permitindo ao país manter rotas comerciais sem depender do Estreito de Ormuz.

Além disso, serve como corredor fundamental para o Afeganistão e para a Ásia Central, facilitando o intercâmbio de mercadorias na região.

O Centcom intercetou hoje de manhã um navio comercial no mar Arábico por suspeita de se dirigir para o Irão, embora tenha sido libertado depois de se ter constatado que não tinha como destino um porto iraniano.

Na segunda-feira, o Centcom informou que um contratorpedeiro da Marinha dos EUA deteve o petroleiro M/T Stream, de bandeira iraniana, somando-se a pelo menos dois navios de carga iranianos apreendidos nas semanas anteriores em operações americanas.

O bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos persiste, enquanto as negociações para um acordo continuam paralisadas, após o adiamento da segunda ronda de negociações, agendada para o passado fim de semana em Islamabade.

As autoridades da República Islâmica exigiram que Washington termine o bloqueio do Estreito de Ormuz como condição para o avanço das negociações sobre o fim do conflito.

(Lusa)
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