Quatro engenheiros portugueses intoxicados por químico alegadamente usado em câmaras de gás nazis
Maputo, 28 jan (Lusa) - Quatro engenheiros portugueses ficaram feridos durante uma operação de fumigação num estaleiro da construtora portuguesa Opway, na província de Gaza, no sul de Moçambique, disse hoje à Lusa o diretor geral da empresa, Luís Leite Pinto.
O incidente ocorreu após uso de um inseticida altamente tóxico, que levou à hospitalização de seis engenheiros envolvidos na fiscalização da empreitada.
Um dos feridos graves, alegadamente por fosforeto de alumínio - um inseticida altamente tóxico, usado nas câmaras de gás nazis para extermínio dos judeus durante a II Guerra Mundial -, é uma portuguesa que já foi transferida para a África do Sul.
"Estão todos bem de saúde, menos uma técnica que está neste momento hospitalizada na África do Sul". O seu quadro clínico demonstra "um prognóstico reservado", disse à Lusa Luís Leite Pinto.
Uma equipa da direção de saúde da Opway foi destacada para Moçambique para, juntamente com as autoridades moçambicanas, apurar as causas da "ocorrência muito lamentável", disse o diretor geral da construtora portuguesa responsável pela conceção e reabilitação do troço rodoviário Caniçado-Chicualacuala, em Gaza.
O jornal Savana, editado em Maputo, escreve na sua última edição que "a operação de fumigação foi feita, na tarde de quinta-feira, 17 de janeiro, nos dormitórios do pessoal da fiscalização da obra, no estaleiro de Pelane, distrito de Chókwè, com recurso a um produto químico (fosforeto de alumínio) altamente tóxico".
"Um engenheiro químico consultado pelo Savana fez notar que o fosforeto de alumínio (AlT) é um fumigante/pesticida altamente perigoso quando não é manuseado devidamente. A inalação deste produto provoca danos no fígado, rins, pulmões e afeta o sistema nervoso e circulatório. Dado o seu grau letal foi utilizado nas câmaras de gás nazis para extermínio dos judeus durante a II Guerra Mundial", escreve o jornal.
Confrontado com a informação, Luís Leite Pinto escusou-se a comentar o tipo de substância utilizada, remetendo qualquer esclarecimento para a comissão de inquérito criada para investigar o acidente.
O Savana refere que dos cinco engenheiros intoxicados, quatro são portugueses afetos à Secon/Consulgal, um consórcio encarregado da fiscalização da obra levada a cabo pela Opway, enquanto outro engenheiro trabalha na Administração Nacional de Estradas de Moçambique.