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Quem é Gregory Bovino, até agora no comando do ICE nos Estados Unidos?

Quem é Gregory Bovino, até agora no comando do ICE nos Estados Unidos?

No meio dos homens encapuzados da polícia de imigração americana, há um que patrulha de cara descoberta. Gregory Bovino, 55 anos, até agora comandante da polícia de imigração que - pelo contrário - parece gostar de ser visto.

Um Olhar Europeu com RTBF /
Stephen Maturen / Getty Images via AFP



Com a cabeça rapada dos lados e olhar firme no rosto, aparece na fotografia de perfil do Instagram com uma arma automática pronta a ser brandida. A sua conta está repleta de fotografias em grande plano de pessoas detidas pelos agentes que comanda. Dependendo de como as descreve, são imigrantes sem documentos que serão deportados, ou americanos presos depois de interferirem no trabalho dos seus agentes.

Por isso, não é de estranhar que tenha dito que "tirava o chapéu" ao agente que matou a tiro a americana Renee Good, a 7 de janeiro, em Minneapolis. Seguido por 100.000 pessoas no Instagram, este homem que há um ano era desconhecido de todos, tornou-se uma figura da política migratória repressiva e inflexível de Donald Trump. Mas quem é ele?

Gregory "Greg" Bovino trabalha para a polícia de fronteira há mais de vinte anos. No ano passado, o seu zelo como agente-chefe de uma zona de 110 quilómetros na fronteira entre os EUA e o México chamou a atenção da administração Trump."Guerras fronteiriças"
Na primavera passada, Bovino foi notícia nos meios de comunicação social americanos ao publicar um vídeo nas redes sociais em que retomava o tema da Guerra das Estrelas. Ele transforma a "Guerra das Estrelas" em "Guerra das Fronteiras". Darth Vader é apresentado como o "bom rapaz" que, com o seu sabre de luz vermelho, combate inimigos encimados por palavras como "cocaína", "fake news" e "sanctuary cities" (cidades que se opõem às deportações pretendidas por Trump).

Numa altura em que o Presidente dos EUA fez da deportação em massa de imigrantes uma das suas prioridades (com o objetivo de um milhão de deportações por ano), este tipo de posicionamento é muito apelativo. Em junho, Greg Bovino foi nomeado comandante de uma operação de rusgas em massa em Los Angeles. E, como foi relatado em le Parisien, o polícia não hesitou em usar as armas grandes: prisões pesadas em frente a lojas e oficiais a cavalo para intimidar. 

Bovino conseguiu convencer a administração Trump e foi-lhe atribuído o título de Comandante-em-Chefe do ICE. Foi então enviado para Chicago para organizar operações de deportação semelhantes em vários estados do Midwest.

Dos 4.500 imigrantes detidos desde o início desta operação, as autoridades apontam para a presença de muitos criminosos. No entanto, de acordo com a CBS, apenas 3% tinham condenações por crimes violentos. A grande maioria (67%), apenas tinha cometido infrações relacionadas com a imigração, salienta a imprensa americana, tais como a ultrapassagem do prazo de validade dos vistos ou a passagem ilegal da fronteira.

Para além das imagens de detenções forçadas, os métodos utilizados pela polícia de imigração também suscitaram indignação. As críticas são frequentes. Sobretudo após a morte de Renée Good, em Minneapolis. Muitos americanos criticaram o ICE por usar força excessiva.Uma estética "nazi"? Neste contexto, um casaco usado por Greg Bovino levanta questões. Rodeado de agentes encapuzados, Bovino usava um casaco verde comprido com um estilo militar que alguns viram como reminiscência de uma "estética nazi". As imagens deram a volta ao mundo. 

Outros países tinham este tipo de casaco, mas com o cabelo cortado rente, Bovino preenche todos os requisitos do visual nazi", nota um jornal alemão citado pelo The Guardian. Outros meios de comunicação social são mais matizados, mas continuam duvidosos. 

Para o Politico, por exemplo, este casaco não é necessariamente um símbolo hitleriano, mas simboliza, em todo o caso, "o aumento da militarização na aplicação da lei da imigração"
Octavio Jones / AFP
Uma América fraturada
No entanto, esta tendência está longe de ser unânime. Em todas as sondagens, a maioria dos americanos condena a ação do agente da imigração que matou Renee Good e, segundo o Instituto Quinnipiac, citado pela AFP a 17 de janeiro, 57% dos eleitores condenam os métodos do ICE.

Por vezes, as críticas ultrapassam as clivagens políticas. O famoso podcaster Joe Rogan, um conservador com laços estreitos com Donald Trump, criticou publicamente a ação do ICE. "Vamos mesmo tornar-nos a Gestapo?", questionou.
Octavio Jones / AFP

No entanto, a América continua fraturada, como demonstram os muitos comentários encorajadores nos posts de Gregory Bovino no Instagram. A sondagem do Instituto Quinnipiac corrobora esta constatação: enquanto 94% dos eleitores democratas e 64% dos independentes denunciam os métodos da polícia de imigração, os republicanos continuam a apoiá-los, com 84%. 

No entanto, as sondagens mostram que o apoio geral ao ICE está a diminuir. E como um segundo americano foi morto a tiro nas ruas de Minneapolis, coloca-se a questão: até onde irá a escalada?

A. Dulczewski /  25 janeiro 2026 15:53 GMT

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
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