"Queremos saber o que pensam os portugueses", diz Leitão Amaro sobre plataforma digital

"Queremos saber o que pensam os portugueses", diz Leitão Amaro sobre plataforma digital

O ministro da Presidência garante que a plataforma digital de recolha de dados contratada pelo Governo tem como objetivo, sobretudo, acompanhar a opinião dos cidadãos nas redes sociais e não qualquer intenção de monitorizar jornalistas ou órgãos de comunicação social.

João Alexandre - RTP Antena 1 /
Tiago Petinga - Lusa

As declarações de António Leitão Amaro surgem depois de notícias sobre um contrato no valor de 40 mil euros entre o Executivo e a empresa irlandesa NewsWhip para a aquisição de uma ferramenta de análise dados - e na sequência das explicações da Secretaria-Geral do Governo, que assegura que o que está em causa é uma "ferramenta para pesquisa em fontes abertas e de conteúdos públicos" e "um tipo de clipping moderno" que cumpre "todos os requisitos legais".

“Não foi pedido ou contratado nenhum serviço para catalogar e fazer rankings de jornalistas”, afirmou o ministro, no Parlamento, sublinhando que essa possibilidade “não consta das especificações técnicas” da plataforma“ e que o objetivo é "perceber melhor o que pensam os portugueses sobre várias matérias”, destacando a importância de recolher informação num contexto em que grande parte do debate público decorre no espaço digital.

“Os portugueses também estão a falar através das redes sociais e nem sempre se identificam diretamente”, referiu, acrescentando: “É importante que saibamos o que é que eles acham do aumento do custo de vida, da redução de impostos, do preço dos combustíveis ou da guerra”.Respondendo aos deputados, o ministro da Presidência rejeitou comparações com mecanismos de vigilância, afastando a ideia de um sistema intrusivo. “Não é nenhum Big Brother em nenhuma versão, nem um instrumento de controlo”, afirmou.

No mesmo sentido, Leitão Amaro apontou exemplos internacionais de utilização de ferramentas semelhantes. “Esta plataforma é utilizada por entidades como a Organização das Nações Unidas, a Comissão Europeia ou a Amnistia Internacional”, disse. E insistiu: “Ninguém acha que o secretário-geral da ONU, António Guterres, anda a monitorizar e a fazer rankings de jornalistas”.
O ministro sublinhou ainda que uma das principais garantias associadas ao contrato está relacionada com a proteção dos dados. “Há regras que obrigam ao respeito integral da proteção de dados e da propriedade intelectual”, assegurou, defendendo que o enquadramento legal existente impede abusos.

Segundo Leitão Amaro, a adoção desta plataforma pretende tornar mais eficiente o trabalho do Governo na análise de informação pública e "relevante" para a ação governativa”.
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