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"Questões fundamentais da física". Construção de supercolisor pode dar pistas sobre Universo desconhecido

"Questões fundamentais da física". Construção de supercolisor pode dar pistas sobre Universo desconhecido

Investigadores no Grande Colisor de Hadrões, o maior e mais potente acelerador de partículas do mundo, submeteram propostas para um novo e muito maior supercolisor. O objetivo é encontrar novas partículas que possam revolucionar o mundo da física e permitam compreender melhor como funciona o Universo, incluindo os 95 por cento deste que continuam por descobrir.

Joana Raposo Santos - RTP /
A ser aprovada, a nova máquina chamar-se-á Futuro Colisor Circular (FCC) e poderá dar pistas sobre o Universo desconhecido. NASA, ESA, CSA, STScI, Janice Lee, Thomas Williams e PHANGS via Reuters

O Grande Colisor de Hadrões (LHC, na sigla original), da Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN), é o maior acelerador de partículas do mundo. Localizado na fronteira franco-suíça, trata-se de um túnel circular de 27 quilómetros que gera colisões de alta intensidade e energia de partículas subatómicas.

As partículas subatómicas mais pequenas que sobram após as colisões ajudam os cientistas a perceber de que são feitos os átomos e como interagem uns com os outros.

Agora, os especialistas querem a construção de uma máquina três vezes maior, com um custo estimado de 14 mil milhões de euros apenas para a construção inicial. Esse valor viria dos países membros da Organização Europeia para a Investigação Nuclear, da qual Portugal faz parte.A tecnologia da física de partículas, com recurso a feixes de protões, tem sido utilizada em vários países no tratamento de determinados cancros.

Caso a construção seja aprovada, a nova máquina chamar-se-á Futuro Colisor Circular (FCC). “É uma ferramenta que permitirá à humanidade dar passos enormes em direção às respostas a questões fundamentais da física acerca do Universo”, disse à BBC Fabiola Gianotti, diretora-geral da CERN.

“E, para fazermos isso, precisamos de um instrumento mais poderoso”, explicou, referindo-se ao FCC como “uma bonita máquina”.

A eventual construção do supercolisor aconteceria em duas fases. A primeira arrancaria em meados da década de 2040 e permitiria colidir eletrões uns com os outros, de modo a que o aumento da energia produzisse um grande número de partículas de Higgs para os cientistas as estudarem ao pormenor.

A segunda fase teria início na década de 2070 e exigiria ímanes mais potentes, que ainda não foram inventados. Em vez de eletrões, seriam utilizados protões mais pesados na procura de novas partículas.

Está previsto que o FCC chegue aos 91 quilómetros, ou seja, três vezes mais do que o LHC. Deverá ter também duas vezes mais profundidade.
Deteção do Bosão de Higgs foi o maior feito do LHC
Até ao momento, o maior feito já alcançado com o Grande Colisor de Hadrões foi a deteção de uma nova partícula, o Bosão de Higgs, em 2012. No entanto, nenhuma das descobertas do LHC permitiu ainda explicar os 95 por cento do Universo que continuam por descobrir.

A ambição de encontrar matéria negra e energia negra com esta máquina tem falhado, com alguns investigadores a defender que existem opções mais baratas para o conseguir.

Em 2022, peritos anunciaram que iriam afinar progressivamente o Grande Colisor de Hadrões e aumentar, com segurança, a energia e a intensidade dos feixes para que pudessem ser iniciadas colisões a uma energia recorde de 13,6 biliões de eletrões-volt (13,6 TeV).Está previsto que a partir de 2026 o acelerador comece a produzir ainda mais colisões e mais dados, em modo de alta de luminosidade.

No LHC são geradas colisões de protões (que são hadrões) e iões pesados a altas energias para se compreender melhor a composição do Universo. Os protões circulam no acelerador a uma velocidade próxima da da luz.

Portugal já participou em experiências com dois detetores de partículas do LHC (o ATLAS e o CMS) através do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), que representa cientificamente o país na Organização Europeia para a Investigação Nuclear.

c/ agências
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