Rafah. Dezenas de mortos em campo de deslocados após ataque israelita contra o Hamas

por Joana Raposo Santos - RTP
Mohammed Salem - Reuters

As autoridades palestinianas acusaram Israel de ter bombardeado, na noite de domingo, um centro para pessoas deslocadas perto da cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, matando pelo menos 50 pessoas. O exército israelita disse, por sua vez, ter atingido um complexo do Hamas onde operavam "terroristas importantes".

"Este massacre atroz perpetrado pelas forças de ocupação israelitas desafia todas as resoluções internacionais", alertou a presidência da Autoridade Palestiniana em comunicado, acusando Israel de "visar deliberadamente" o campo de deslocados de Barkasat, gerido pela agência da ONU para os refugiados palestinianos.

Um porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, declarou que "um outro massacre atroz foi cometido pelas forças israelitas em Rafah, custando a vida a 50 mártires e fazendo dezenas de feridos, na sua maioria crianças e mulheres".

Vídeos divulgados na Internet mostram uma grande explosão no local, seguida de incêndios.
"Apelamos às massas do nosso povo na Cisjordânia, em Jerusalém, nos territórios ocupados e no estrangeiro para que se levantem e marchem com raiva", escreveu o movimento islamita em comunicado, denunciando um "horrível massacre".

O Crescente Vermelho palestiniano avançou que as suas ambulâncias transportaram "um grande número" de pessoas mortas ou feridas no ataque. Segundo um porta-voz, o número de mortos poderá aumentar à medida que prosseguem os esforços de busca e salvamento no bairro de Tal al-Sultan, em Rafah.
Alvos de Israel eram dois dirigentes do Hamas
As Forças de Defesa de Israel disseram ter atacado, por via aérea, um dos complexos do Hamas em Rafah "onde operavam importantes terroristas", incluindo dois dos líderes do movimento na Cisjordânia, Yacine Rabia e Khaled Nagar.

Garantiram também que iriam analisar as alegações de que o fogo se tinha propagado aos abrigos de deslocados.
Até agora, morreram na ofensiva israelita em território palestiniano pelo menos 35.984 pessoas, sobretudo civis, segundo o Ministério da Saúde do Hamas.
"O ataque foi efetuado contra alvos legítimos ao abrigo do direito internacional, utilizando munições precisas e com base em informações precisas", declarou Telavive em comunicado. O Governo israelita disse ainda ter "conhecimento de relatos de que vários civis da zona ficaram feridos".

Israel iniciou uma ofensiva há muito esperada em Rafah há cerca de três semanas, prometendo destruir os batalhões do Hamas que ainda lá se encontram. Além disso, Telavive acredita que há reféns israelitas detidos na cidade.

O ataque israelita de domingo ocorreu horas depois de o Hamas ter disparado oito rockets desde Rafah em direção a Telavive, naquele que foi o primeiro ataque de longo alcance contra a cidade desde janeiro.

Alguns dos rockets foram intercetados pelos sistemas de defesa aérea, enquanto outros caíram nos campos.

c/ agências
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