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Rebeldes sírios tentam quebrar cerco em Aleppo

Rebeldes sírios tentam quebrar cerco em Aleppo

Nas últimas horas os militantes cercados na cidade síria de Aleppo desde sexta-feira passada tentaram furar o cerco imposto pelas forças leais ao Presidente Bashar al-Assad. O exército sírio confirmou a ofensiva mas afirmou que foi repudiada.

Graça Andrade Ramos - RTP /
As posições rebeldes de Aleppo têm estado sob fogo intenso de artilharia desde meados de julho de 2016 Ammar Abdullah -Reuters

O Observatório sírio para os Direitos Humanos, OSDH, uma organização baseada em Londres que recolhe informações de diversas fontes no terreno, afirma que as tropas governamentais e os combatentes rebeldes têm estado a confrontar-se em várias frentes na cidade.

A aliança de militantes, que inclui o grupo Jabhat Fatah al Sham - ex-Frente al-Nusra da al-Qaeda - e o grupo Ahrar al Sham, afirmaram ter tomado posições nas áreas sudoestes dominadas pelo Governo, nas primeiras horas da ofensiva.

Fontes do exército sírio disseram que os militantes foram rechaçados de uma base de artilharia pelas forças governamentais e "populares"  e negaram que a aliança rebelde tivesse capturado a escola de Hikma.

A agência Farsnews refere que o Jabhat al-Sham sofreu na ofensiva pesadas baixas em homens e material. As posições rebeldes no sudoeste de Aleppo, nomeadamente em Khan Touman, al-Eis, al-Zerbeh, al-Qarasi, Khalseh, Zietan, Barneh, al-Hamireh e ao longo da estrada Aleppo-Damasco, têm estado sob fogo pesado de artilharia, acrescenta.

Mapa de Aleppo publicado pela Farsnews

Os rebeldes terão incendiados pneus cujo fumo, alegam, irá impedir os caças russos e sírios de bombardear a sua parte da cidade.

A Rússia informou ao fim da manhã que um dos seus helicopeteros foi abatido por fogo vindo do solo nos aredores de Aleppo, quando regressava à base depois de entregar auxílio humanitário à cidade. Três tripulantes e dois oficiais terão perecido.
Civis encurralados
Nas zonas dominadas pelos rebeldes a leste da cidade vivem cerca de 250.000 civis. A Rússia e o Governo sírio anunciaram quarta-feira passada o estabelecimento de três corredores humanitários para lhes possibilitar a fuga. Até sábado somente 169 pessoas tinham aproveitado a oportunidade.

Em declarações emitidas pela televisão estatal síria, civis afirmaram que os militantes estão a proibir as famílias de abandonar as suas áreas, além de lhes confiscar mantimentos e medicamentos.

No entanto, foram publicadas imagens de uma manifestação popular a 31 de julho nas áreas rebeldes, com bandeiras do Exército Livre da Síria e cartazes a afirmar que as pessoas não irão abandonar as suas casas.

Habitantes das zonas sob controlo rebelde de Aleppo manifestaram-se a 31 de julho de 2016 contra o cerco imposto pela forças governamentais sírias Foto: Reuters

O Enviado especial da ONU à Síria, Staffan de Mistura, avisou sexta-feira dia 29 que os abastecimentos no leste de Aleppo podem esgotar-se dentro de três semanas e que só chegam para 145.000 pessoas.

A oposição síria e alguns grupos de defesa dos Direitos Humanos têm protestado contra o cerco, alegando que é ilegal privar pessoas de provir às suas necessidades mais básicas e que os residentes não deviam ser obrigados a escolher entre abandonar as suas casas e morrer de fome.

O cerco está igualmente a impedir a transferência de feridos em estado crítico das zonas rebeldes para a Turquia.

Desde o verão de 2012 que Aleppo tem estado dividida em setores controlados pelo Governo e setores controlados pelos militantes. No início de Julho, o exército leal a Assad conquistou posições que lhe permitiram bombardear a estrada do Castillo, a única que abastecia os rebeldes.

A partir de 17 de julho lançou ataques contra várias áreas a norte da cidade, para desalojar as forças rebeldes ali estacionadas. A operação desmantelou a Frente al-Nusra, cujo comando fugiu para a Turquia, e terá permitido capturar e matar milhares de militantes.
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