Reino Unido e Japão reforçam cooperação em defesa e segurança
O Reino Unido e o Japão chegaram este sábado a acordo para reforçar a cooperação em defesa e segurança, num contexto de crescentes tensões geopolíticas, após uma visita de Keir Starmer à China criticada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
O primeiro-ministro britânico anunciou em Tóquio ter alcançado um entendimento com a sua homóloga japonesa, Sanae Takaichi, para aprofundar a parceria bilateral nos próximos anos, abrangendo a segurança coletiva nas regiões euro-atlântica e indo-pacífica.
"Definimos claramente como prioridade aprofundar ainda mais a nossa parceria nos próximos anos", declarou Keir Starmer ao lado de Sanae Takaichi, no final de uma reunião no Japão.
"Isso implica trabalharmos em conjunto para reforçar a nossa segurança coletiva, tanto no espaço euro-atlântico como na região indo-pacífica", acrescentou.
Os dois líderes deverão abordar, no sábado, durante um jantar, a questão da "cooperação com vista à concretização de uma região Indo-Pacífica livre e aberta, bem como a situação no Médio Oriente e na Ucrânia", indicou Sanae Takaichi.
A primeira-ministra japonesa precisou ainda que Londres e Tóquio acordaram a realização, ainda este ano, de uma reunião entre os seus ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros.
No plano da segurança económica, Londres e Tóquio concordaram na importância de reforçar as cadeias de abastecimento entre países com valores comuns, nomeadamente no acesso a matérias-primas críticas como as terras raras, essenciais para setores estratégicos.
Paralelamente, Starmer e Takaichi anunciaram uma nova aliança estratégica nos domínios da cibersegurança, da energia eólica e da energia nuclear, com o objectivo de impulsionar o crescimento económico e a resiliência industrial, incluindo a diversificação das cadeias de fornecimento de minerais críticos.
O primeiro-ministro britânico destacou ainda o potencial de cooperação na energia eólica `offshore` - em águas profundas - e na energia nuclear, enquanto o Japão tem vindo a reforçar o peso desta última no seu mix energético para reduzir a dependência de importações e cumprir metas de descarbonização.
A visita de um dia ao Japão ocorreu após uma deslocação de quatro dias à China, onde Starmer se reuniu com o Presidente Xi Jinping e outros dirigentes chineses.
Nas últimas semanas, dirigentes franceses, canadianos e finlandeses deslocaram-se em grande número a Pequim, indignados com a tentativa de Donald Trump de se apoderar da Gronelândia e com as suas ameaças de imposição de direitos aduaneiros contra os aliados da NATO.
Na quinta-feira, o Presidente norte-americano advertiu que era "muito perigoso" para Londres lidar com a China.
Declarações que Keir Starmer desvalorizou, sublinhando que Donald Trump também deverá deslocar-se à China nos próximos meses.
Paralelamente, as relações entre Tóquio e Pequim deterioraram-se após declarações de Sanae Takaichi, em novembro, que deixaram entender que o Japão poderia intervir militarmente em caso de um ataque chinês contra Taiwan, ilha democrática e autónoma reivindicada por Pequim.