Reino Unido. Enfermeira considerada culpada do assassínio de sete recém-nascidos

por Rachel Mestre Mesquita - RTP
"Eu não mereço viver. Matei-os de propósito", escreveu Lucy Letby num post-it encontrada em sua casa em 2018. Foto: Cheshire Constabulary/Handout via Reuters

Ao fim de um longo julgamento, esta sexta-feira, Lucy Letby, uma enfermeira neonatal inglesa, foi condenada pelo assassínio "persistente, calculado e a sangue frio" de sete bebés no hospital de Chester e de ter tentado matar outros seis, entre 2016 e 2017. A sentença vai ser conhecida na segunda-feira. Lucy deverá ser a terceira mulher ainda viva no país a ser condenada a prisão perpétua.

Lucy Letby, de 33 anos, é descrita pela acusação como "fria, calculista, cruel e tenaz". Causou a morte a bebés prematuros na unidade de cuidados intensivos do hospital Countess of Chester, no noroeste do país, onde trabalhava.

Sete bebés recém-nascidos morreram subitamente e sem razão aparente, com poucas horas de diferença, entre junho de 2015 e junho de 2016. Outros dez foram salvos. Antes do início da deliberação dos 12 jurados, em julho, o juiz James Goss sublinhou que Letby era a única funcionária do pessoal médico “ainda em serviço no momento da degradação brutal” do estado de saúde dos bebés.

Na altura com 25 anos, a jovem enfermeira que se declarou inocente ao longo do julgamento foi acusada de ter utilizado e combinado por vezes diversos métodos para causar a morte aos recém-nascidos, desde a injeção de ar por via intravenosa, a injeção de insulina em sacos de solução alimentar ou a provocação de overdose de leite para o estômago.
No julgamento, que teve início a 10 de outubro em Manchester e durou dez meses, um dos mais longos e mediáticos do Reino Unido, os bebés foram identificados por letras de A a Q, para proteger as famílias.
“Pensava que era Deus” e tornou-se “incontrolável” matando sem chamar a atenção, disse o procurador do caso Nick Johnson.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, o procurador explicou que a enfermeira “atacava os bebés depois de os pais terem saído, quando a enfermeira responsável não estava presente ou à noite, quando estava sozinha”.
“O meu trabalho era a minha vida”
“Só dei o meu melhor para cuidar deles. Estou aqui para ajudar e cuidar, não para prejudicar"
, afirmou Letby numa das sessões do julgamento, durante o qual negou sistematicamente as acusações, afirmando que estava “devastada” pelas alegações, e denunciou uma “presunção de culpa” numa das alegações finais em tribunal.

Embora, durante a investigação em 2018, tenha sido encontrado na sua casa um post-it onde admitia a culpa."Eu não mereço viver. Matei-os de propósito porque não sou suficientemente boa para tomar conta deles. Sou uma pessoa horrível", escreveu.

As deliberações do júri - composto por sete mulheres e quatro homens - duraram mais de 100 horas ao longo de 20 dias. Lucy Letby foi considerada culpada de ataques que a acusação considerou “persistentes, calculados e a sangue frio”.

A enfermeira, afastada para uma unidade administrativa em junho de 2016, foi detida pela primeira vez em 2018 e novamente no ano seguinte, tendo sido finalmente presa em novembro de 2020. 

É alvo de 22 acusações: sete por homicídio e 15 por tentativa de homicídio de dez bebés.

c/ agências
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