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Relatório ONU. Jordânia, Turquia e Emirados Árabes violaram embargo de armas à Líbia
Um relatório ainda confidencial de especialistas das Nações Unidas, acusa a Jordânia e os Emirados Árabes Unidos, EAU, de fornecer armas ao marechal Khalifa Haftar, que desde abril mantem uma ofensiva militar na Líbia, para conquistar a capital, Tripoli, e depor o Governo reconhecido pela comunidade internacional. Este foi por sua vez auxiliado pela Turquia.
Os três países violaram assim o embargo de armas imposto à Líbia desde a Primavera Árabe de 2011, que derrubou Muammar Khadafi. E nem tentaram disfarçar.
Todos "forneceram armas de forma regular e por vezes flagrante, sem tentar realmente dissimular a sua proveniência", refere o resumo do documento, ao qual a Agência France Press teve acesso esta quinta-feira.
O relatório foi entregue dia 29 de outubro aos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU e deverá ser discutido no fim do mês, no seio do Comité de sanções que gere a questão líbia, sendo provavelmente aprovado e publicado logo depois em dezembro.
Inclui 85 páginas de apreciações e mais de 300 de anexos, entre fotografias, mapas e manifestos de cargas marítimas, elementos recolhidos ao longo de um ano de investigações.
Bombardeamento do centro de refugiados
A Jordânia é acusada de ter formado as tropas de Haftar, enquanto os Emirados, além de apoiar este último, são suspeitos de ter utilizado aviões-bombardeiros a favor das tropas do marechal.
Os EAU poderão mesmo estar implicados no bombardeamento de um centro de migrantes nos arredores de Tripoli, a 2 de julho, que causou meia centena de mortos, refere o relatório, que menciona a participação "provável" de um avião estrangeiro.
Os investigadores não conseguiram contudo obter respostas definitivas a esclarecer esta dúvida, e falam de forma geral do recurso a F-16 de fabrico americano e Mirage 2000-9 de fabrico francês, dois aparelhos incluídos na Força Aérea dos Emirados.
A Turquia, por seu lado, auxiliou abertamente o Governo do primeiro-ministro Fayez al-Sarraj, e forneceu material de guerra às suas tropas, desde veículos blindados até drones, referem fontes diplomáticas.
"As operações militares foram dominadas pelo recurso a munições guiadas de precisão, disparadas por drones, o que permitiu numa certa medida limitar os efeitos colaterais esperados num conflito deste género", referem entretanto os especialistas.
O recurso aos drones é aliás "massivo e por ambos os lados", afirma um diplomata, sob anonimato, confirmando preocupações sobre esta questão anteriormente admitidas pelo emissário da ONU, Ghassan Salamé.
Outro diplomata refere que não foram encontrados vestígios do envolvimento de mercenários russos, contrariamente ao referido pelos media norte-americanos nos últimos meses. Segundo estes, centenas daqueles profissionais estavam espalhados por toda a Líbia, em apoio a Haftar.
Moscovo desmentiu estas informações, noticiadas pelos jornais New York Times e Washington Post.
Os investigadores referem também que foi identificada a presença de "grupos armados do Tchad e sudaneses, em apoio às forças do Governo de Sarraj e à ANL, o exército de Haftar", que apesar de tudo não têm grande peso no conflito.
"Mesmo com o reforço aparente das capacidades militares destas duas partes, o impacto dos grupos armados estrangeiros no conflito foi na verdade limitado", referem.
Migrantes e petróleo
Desde o início da ofensiva do marechal Haftar, uma "nova fase de instabilidade, combinada com os interesses de diversos Estados e atores não estatais, amplificou o conflito por procuração que se desenvolveu desde 2011", acrescentam.
O documento sublinha que o tráfico de migrantes africanos, que utiliza habitualmente rotas através da Líbia, "continua a financiar redes que contribuem para a instabilidade", apesar de "se ter reduzido consideravelmente".
Os investigadores denunciam ainda "quatro tentativas" por parte da empresa líbia de exploração de petróleo para "exportar ilegalmente petróleo em bruto". Já "os produtos refinados continuam a ser desviados por via marítima e terrestre, mas a um nível inferior ao de anos anteriores".
Todos "forneceram armas de forma regular e por vezes flagrante, sem tentar realmente dissimular a sua proveniência", refere o resumo do documento, ao qual a Agência France Press teve acesso esta quinta-feira.
O relatório foi entregue dia 29 de outubro aos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU e deverá ser discutido no fim do mês, no seio do Comité de sanções que gere a questão líbia, sendo provavelmente aprovado e publicado logo depois em dezembro.
Inclui 85 páginas de apreciações e mais de 300 de anexos, entre fotografias, mapas e manifestos de cargas marítimas, elementos recolhidos ao longo de um ano de investigações.
Bombardeamento do centro de refugiados
A Jordânia é acusada de ter formado as tropas de Haftar, enquanto os Emirados, além de apoiar este último, são suspeitos de ter utilizado aviões-bombardeiros a favor das tropas do marechal.
Os EAU poderão mesmo estar implicados no bombardeamento de um centro de migrantes nos arredores de Tripoli, a 2 de julho, que causou meia centena de mortos, refere o relatório, que menciona a participação "provável" de um avião estrangeiro.
Os investigadores não conseguiram contudo obter respostas definitivas a esclarecer esta dúvida, e falam de forma geral do recurso a F-16 de fabrico americano e Mirage 2000-9 de fabrico francês, dois aparelhos incluídos na Força Aérea dos Emirados.
A Turquia, por seu lado, auxiliou abertamente o Governo do primeiro-ministro Fayez al-Sarraj, e forneceu material de guerra às suas tropas, desde veículos blindados até drones, referem fontes diplomáticas.
Além das interferências diretas destes três países, o relatório denuncia ainda outras, por parte de países como o Egito, a França, a Arábia Saudita ou o Qatar.
Drones por todo o lado"As operações militares foram dominadas pelo recurso a munições guiadas de precisão, disparadas por drones, o que permitiu numa certa medida limitar os efeitos colaterais esperados num conflito deste género", referem entretanto os especialistas.
O recurso aos drones é aliás "massivo e por ambos os lados", afirma um diplomata, sob anonimato, confirmando preocupações sobre esta questão anteriormente admitidas pelo emissário da ONU, Ghassan Salamé.
Outro diplomata refere que não foram encontrados vestígios do envolvimento de mercenários russos, contrariamente ao referido pelos media norte-americanos nos últimos meses. Segundo estes, centenas daqueles profissionais estavam espalhados por toda a Líbia, em apoio a Haftar.
Moscovo desmentiu estas informações, noticiadas pelos jornais New York Times e Washington Post.
Os investigadores referem também que foi identificada a presença de "grupos armados do Tchad e sudaneses, em apoio às forças do Governo de Sarraj e à ANL, o exército de Haftar", que apesar de tudo não têm grande peso no conflito.
"Mesmo com o reforço aparente das capacidades militares destas duas partes, o impacto dos grupos armados estrangeiros no conflito foi na verdade limitado", referem.
Migrantes e petróleo
Na conclusão do relatório, os especialistas lamentam o agravamento no país de uma "guerra por procuração".
"O grupo de especialistas identificou diversas ações que ameaçam a segurança, a paz e a estabilidade da Líbia", sublinham.
Desde o início da ofensiva do marechal Haftar, uma "nova fase de instabilidade, combinada com os interesses de diversos Estados e atores não estatais, amplificou o conflito por procuração que se desenvolveu desde 2011", acrescentam.
O documento sublinha que o tráfico de migrantes africanos, que utiliza habitualmente rotas através da Líbia, "continua a financiar redes que contribuem para a instabilidade", apesar de "se ter reduzido consideravelmente".
Os investigadores denunciam ainda "quatro tentativas" por parte da empresa líbia de exploração de petróleo para "exportar ilegalmente petróleo em bruto". Já "os produtos refinados continuam a ser desviados por via marítima e terrestre, mas a um nível inferior ao de anos anteriores".