Repatriados para Itália corpos de cinco jovens mortos no incêndio em estância suíça

Os restos mortais de cinco jovens italianos, vítimas do incêndio ocorrido na passagem de ano num bar da estância de esqui suíça de Crans-Montana, foram hoje repatriados, num voo de Estado da força aérea italiana.

Lusa /
Matteo Cornes - EPA

Entre as 40 vítimas mortais do incêndio contam-se seis jovens italianos, quatro rapazes e duas raparigas, de 16 e 17 anos. A sexta vítima de nacionalidade italiana residia na cidade suíça de Lugano, onde se realizará o funeral.

Os corpos repatriados foram transportados desde Sion, na Suíça, num aparelho C-130 da Aeronáutica Militar italiana, que aterrou no aeroporto de Milão-Linate, deixando quatro cadáveres, rumando de seguida a Roma para deixar o quinto caixão, para ser entregue aos familiares.

Na pista do aeroporto de Milão-Linate, alguns familiares e os presidentes das regiões dos jovens mortos (Lombardia, Emília Romanha e Ligúria), além do presidente do Senado, Ignazio La Russa, aguardavam os caixões, que de seguida foram transportados em carros fúnebres por estrada para as cidades onde habitavam as vítimas, designadamente Milão, Bolonha e Génova.

A par do luto pela tragédia ocorrida na passagem de ano na estância suíça de Crans-Montana, regista-se também revolta em Itália pela tragédia, com os familiares das vítimas a reclamarem justiça, uma exigência apoiada pelo embaixador italiano na Suíça, Gian Lorenzo Cornado, que já criticou mesmo a decisão do Ministério Público suíço de não colocar em prisão preventiva os dois proprietários do bar La Constellation, onde ocorreu o incêndio.

"Se estivessem na Itália, já estariam na prisão. Não foi uma desgraça, mas uma tragédia que podia ter sido evitada com prevenção e bom senso", declarou o embaixador.

Além das seis vítimas mortais, contam-se 14 cidadãos italianos entre os 119 feridos de várias nacionalidades, muitos dos quais com queimaduras graves, tendo 11 sido já transferidos para o hospital especializado em queimaduras de Niguarda, em Milão, enquanto três permanecem internados na Suíça.

Entretanto, as autoridades italianas anunciaram que na quarta-feira, data do reinício das aulas no país após as férias natalícias, todas as escolas de Itália cumprirão um minuto de silêncio em memória das vítimas de Crans-Montana.

"Neste momento de profunda dor, os pensamentos da comunidade escolar estão voltados para os jovens que perderam a vida em circunstâncias que deviam ter sido de despreocupação e convívio", indicou o ministro da Educação, Giuseppe Valditara, em comunicado.

A polícia do cantão do Valais, na Suíça, anunciou no domingo à noite que as 40 pessoas, incluindo uma portuguesa, que morreram no incêndio em Crans-Montana na noite de Ano Novo estão todas identificadas.

As autoridades policiais contabilizaram um total de 21 suíços, nove franceses, incluindo um franco-suíço, uma pessoa com tripla nacionalidade França-Israel-Reino Unido, seis italianos, incluindo um italo-emiradense, uma belga, uma portuguesa, um romeno e um turco, de acordo com um comunicado.

As vítimas mortais têm entre 14 e 39 anos, sendo 21 delas menores, referiu informação oficial.

 

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