Representante para Gaza teme que solução de dois estados se torne impossível
A falta de progressos em Gaza, aliada ao ressurgimento da violência na Cisjordânia, ameaça tornar a solução de dois Estados impossível, alertou hoje Nikolai Mladenov, alto representante para Gaza do "Conselho de Paz" estabelecido pelo Presidente norte-americano Donald Trump.
"Se a situação em Gaza se mantiver ou se não houver progressos na implementação do plano de paz (...), a solução de dois Estados tornar-se-á praticamente impossível", declarou o diplomata búlgaro em Abu Dhabi, no Fórum Hili.
"Considerando o que está a acontecer na Cisjordânia, e sabendo que mais de 50% de Gaza está agora sob controlo do exército israelita e menos de 50% sob controlo do Hamas, não existe um caminho credível para uma resolução política do conflito", acrescentou.
O Presidente dos EUA está a tentar intermediar um acordo de paz para pôr fim à guerra iniciada por Israel em Gaza após os ataques sem precedentes de 07 de outubro de 2023, perpetrados pelo grupo islamita palestiniano Hamas.
Mas o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, rejeitou no mês passado a parte final do plano que tinha sido aceite pelo Hamas.
Este plano, publicado pelo Conselho de Paz, prevê uma retirada gradual de Israel, a par do desarmamento do movimento islamita.
Este desarmamento será supervisionado pela Força Internacional de Estabilização (FIE), uma unidade atualmente em formação e liderada pelo general norte-americano Jasper Jeffers, que será enviada para Gaza assim que a situação estabilizar.
"A única forma de ter sucesso é estabelecer um governo de transição, prosseguir o desarmamento e a retirada (das tropas israelitas) de Gaza", insistiu Nikolai Mladenov.
"Pedimos a Mladenov que cumpra o seu papel pressionando Israel a respeitar o que foi acordado", respondeu o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem.
No domingo, o enviado especial Jared Kushner, genro de Donald Trump, pareceu pressionar Israel ao declarar, à margem da sua viagem à Ucrânia, que a perspetiva das próximas eleições parlamentares no Estado Judeu estava a tornar os seus líderes "um tanto irracionais".
Mas garantiu "concordar [com os israelitas] quanto ao objetivo final" do desarmamento.
"Estamos a começar a compreender a extensão da militarização de Gaza. É incompreensível. Não se pode entrar se houver armas. Por isso, o desarmamento não será fácil", reconheceu.
Paralelamente à guerra em Gaza, a violência eclodiu na Cisjordânia desde 07 de outubro, com ataques quase diários de colonos e incursões regulares em aldeias palestinianas.
Fora de Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, cerca de três milhões de palestinianos vivem na Cisjordânia, juntamente com mais de 500 mil israelitas que residem nestes colonatos.